A crise do setor metal-mecânico do RS, o segundo mais importante do País, é a pior de toda a história do Brasil

O artigo a seguir é do economista Igor Morais e intitula-se "Pobre metal….". O editor leu atentamente e sintetizou o assunto no título acima. A produção industrial do setor metal-mecânico caiu 16% no primeiro semestre e 24% no RS. 

Leia e entenda mais, inclusive as razões da crise maior no RS:


Ainda estamos descobrindo os números do primeiro semestre de 2015 e já é o suficiente para apontar recorde de resultados negativos para o segmento metal-mecânico no Rio Grande do Sul. A impressão só não é pior porque tivemos, recentemente, a crise de 2009. Mas há diferenças importantes entre aquela crise e a atual. A primeira atingiu o mundo, e essa tem como protagonista o Brasil e, de tabela, a economia gaúcha. Naquele momento a situação fiscal no Brasil permitia ao Governo adotar uma política anti-cíclica para abreviar a crise, o que realmente aconteceu. Atualmente estamos no pior momento fiscal da história do país, o que também não é diferente no Rio Grande do Sul. Por fim, ainda em 2009 o Governo Federal tinha capital político para enfrentar a crise, atualmente não há Governo no Brasil. Ao menos nisso o Estado se diferencia. Isso posto, é possível afirmar que os números ruins no segmento podem piorar ainda um pouco mais. Ou seja, a crise, iniciada em 2014, deverá ser longa, podendo adentrar em 2016. Mas, há diferenças entre o cenário no segmento metal-mecânico no Brasil com o do Rio Grande do Sul. A produção industrial, por exemplo, cai de forma significativa no Brasil (-16%), enquanto que no Rio Grande do Sul a queda é bem maior, de 24%. O que explica esse resultado é a piora das relações comerciais com a Argentina, um parceiro muito mais importante para a economia gaúcha do que para o Brasil, além de dificuldades, em especial, na indústria de máquinas e equipamentos e de veículos automotores. Na medida em que verificamos a piora nas expectativas de empresários, os investimentos se retraíram e, com ele, as encomendas de máquinas, produto importante para a economia do Rio Grande do Sul e também na venda de caminhões, ônibus e reboques. Isso sem falar no fato de que a retração da demanda interna, principalmente nas faixas de renda menores, afetou a produção de automóveis do Estado. Além da produção, há diversos indicadores relacionados ao segmento metal-mecânico que também apresentaram performance pior no Estado relativamente a média do Brasil, como é o caso do faturamento, emprego, horas trabalhadas, salário real, exportações e importações. O que explica o fato dessa crise ser tão mais intensa aqui do que na média do Brasil? Há dois importantes polos metal-mecânico no país, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Claro, há produção de veículos em outros estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Paraná, mas esses não contam com a presença de uma cadeia produtiva diversificada como aqui, e que contempla também a indústria metalúrgica, produtos de metal, material elétrico e eletrônico e máquinas e equipamentos. Como essa é uma crise de confiança e de demanda, as encomendas de máquinas e de produtos de bens de consumo duráveis são fortemente atingidas. Além disso, a retração em outros segmentos industriais que demandam aço, afeta diretamente o segmento de metalurgia, que também tem forte presença no Rio Grande do Sul. A queda na produção aqui chega a ser duas vezes maior que a média nacional, como reflexo do perfil do produto que é feito aqui. Por fim o segmento metal-mecânico gaúcho tem uma forte relação com a Argentina e as dificuldades políticas e econômicas no país vizinho foram determinantes para a piora do cenário nos últimos meses. Essa será, sem dúvida, a pior crise pelo qual irá passar o segmento no Estado, tanto em termos de magnitude quanto de duração. A sua reversão ainda não é visível no horizonte e são esperados novos ajustes, em especial nas variáveis relacionadas ao mercado de trabalho. Já foram mais de 10 mil postos de trabalho fechados no Rio Grande do Sul nos primeiros seis meses do ano somente no metal-mecânico. É bem verdade que uma taxa de câmbio mais desvalorizada pode resultar em retomada das encomendas, mas não se esqueça de que esse processo de substituição de importações é inflacionário e não irá ocorrer de forma generalizada, uma vez que muitos elos dessa cadeia produtiva foram destruídos nos anos de câmbio valorizado. Por hora resta esperar pelo processo de ajuste macroeconômico, mas que os gestores de política aprendam com os erros do passado, pois o custo desse ciclo de recessão será elevado. 

3 comentários:

Anônimo disse...

E APOSENTADOS DO JUDICIÁRIO PELO ESTADO DO RIO GRANDE MORANDO EM SANTA CATARINA, RECEBENDO INTEGRALMENTE SEUS SALÁRIOS E GASTANDO LÁ. NADA CONTRA, FARIA O MESMO.

MAS O EXECUTIVO GANHANDO PARCELADO E TENDO QUE TRABALHAR.



Anônimo disse...

Gravataí acaba de fechar duas empresas e demitir seus funcionários.
E como no comentário das 09:33h, enquanto isto, o judiciário constantemente e de forma sem o mínimo de ética, buscando brechas na lei para legislar em causa própria e buscar valores, de forma retroativa, para encher seus. Se agissem com toda esta competência para legislar para os brasileiros e que os pagam, seria bem mais moral. Sem falar na possibilidade de se aposentar com todos os benefícios e sem trabalhar bastando para isto, cometer um ato ilícito.

Ingo Maximo disse...

Aqui em Fortaleza um empresário queria fazer um estaleiro na Praia do Futuro e uma prefeita do PT na época disse que não queria e começou o discurso esquerdista caviar. Resultado, o empreendimento não foi feito, o bairro não foi reformado e um colega meu técnico em soldagem ficou p da vida.