Artigo do editor, especial - Entenda quem são os personagens denunciados pelo relator da CPMI do INSS
O editor ouviu, viu, leu, releu e anotou cuidadosamente todo o histórico, contundente e talez o mais devastador discurso feito este ano por qualquer deputado ou senador da República.
Foi ontem, na CPMI do INSS, que investiga os ladrões que roubaram bilhões de reais de aposentados e pensionistas do INSS, entre eles figuras do mais alto escalão da República.
O relator, no caso o deputado Alredo Gaspar, abriu o discurso lembrando seus 24 anos atuando como advogado, promotor e secretário da Segurança Pública de Alagoas -
- Passei 24 anos da minha vida perseguindo bandido. E, quando imaginei que viria para a política para deixar esse passado para trás, nunca estive tão próximo da bandidagem como estou hoje.
Mas lembgrou -
- A mentira jamais vencerá o sol da verdade.
O deputado contou que sente ânsias de vômito diante do que acontece no atual regime autoritário comandado pelo consórcio STF+Governo do PT-
- O Brasil vive uma época que dá vontade de vomitar de manhã, de tarde e de noite. Estamos vivendo o verdadeiro bacanal da corrupção. Não podemos mais ter feriado, não podemos ter intervalos, porque a cada dia que passa o cenário nacional se torna pior do que o anterior.
Vorcaro tem metade da república no Bolso
O deputado estava particularmente revoltado porque o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deveria ter sido ouvido, ontem, mas não foi porque não tinha jatinho para viajar.
- Eu nunca tinha ouvido falar desse cidadão chamado Vorcaro. Não sabia que ele tinha metade da República no bolso — talvez porque eu não tivesse dinheiro para aplicar ou não frequentasse as altas rodas de Brasília. Esse cidadão conseguiu algo que nenhum parlamentar conseguiu até hoje: reunir-se quatro vezes com o presidente da República no Palácio do Planalto fora da agenda oficial. Quatro vezes. Vá qualquer parlamentar tentar ser recebido sem agenda. Há ministros que foram recebidos menos vezes do que Vorcaro. Que prestígio é esse?
O escândalo dos consignados nasceu na Bahia, com o petista Rui Costa, na época governadaor e hoje chefe da Casa Civil de Lula
O deputado explicou que o escândalo dos velhinhos do INSS não é coisa recente -
- Quando analisamos os consignados, precisamos entender onde nasceu essa desordem. Ela nasceu na Bahia. E ali estavam os elementos políticos que permitiram que tudo isso acontecesse, inclusive figuras conhecidas do Partido dos Trabalhadores e integrantes centrais do atual governo.
Enquanto isso, vemos manchetes constrangedoras: o dono do Banco Master pagando de humilde, mas exigindo vir prestar depoimento apenas em jatinho, enquanto tinha meio Brasil no bolso. Que país é esse? Que zona institucional é essa em que transformaram o Brasil?
Este são os nomes blindados pela base governista na CPMI
- Alexandre de Moraes - Surge o nome da senhora Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, talvez o ministro mais poderoso da história do Supremo Tribunal Federal. Porque, segundo alguns, salvou a democracia e, por isso, poderia tudo. Mas ninguém tem coragem de discutir um contrato de 129 milhões de reais firmado sem processo formal. Isso é imoral. Isso tem aparência de pagamento de proteção — e ninguém tem coragem de enfrentar o tema.
- Dias Toffoli - E vemos ainda situações envolvendo o ministro Dias Toffoli. Perdemos mais de um mês de investigação porque dados essenciais foram negados a esta CPMI, uma instância legítima e constitucional.
- Lulinha - Fui um dos que votaram a favor da convocação do filho do presidente da República. Mas estou cansado de menino de recado. A Polícia Federal quebrou sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. Medidas cautelares foram adotadas, e parte desta CPMI tentou blindá-lo.
- Bancos - O sistema financeiro está blindado, e nós temos apenas mais um mês de trabalho. Ainda há muitas pessoas a serem ouvidas. Por isso, reapresentei requerimentos para convocação dessas instituições financeiras. Vamos colocar digitais novamente e descobrir quem defende o interesse público e quem atua como empregado do sistema financeiro.
- Deputado Paulo Pimenta e caterva da base aliada - Também não posso deixar de registrar minha discordância quanto à atuação de parlamentares orientando testemunhas ligadas diretamente aos problemas investigados no caso do Banco Master. A história já mostrou o erro desse tipo de conduta, quando parlamentares tiveram que deixar CPIs após relações impróprias com investigados, como ocorreu no episódio envolvendo Marco Valério (o caso foi com o deputado Paulo Pimenta, flagrado na garagem do prédio da Câmara em conversas com Valério).
Blindagem precisa ser quebrada
Ninguém deve ser blindado, mas a base do governo, o PT, tenta blindar todos os bandidos, segundo o deputado, que denunciou -
- Agora, é preciso dizer a verdade completa: aqueles que hoje criticam decisões judiciais foram os mesmos que blindaram instituições financeiras nesta CPMI. Blindaram C6, PicPay, Santander, Crefisa e diversos envolvidos. Ninguém blindou mais do que a base do governo. Não deveria existir bandido de estimação, mas é exatamente isso que estamos vendo.Estou cansado da mentira, da hipocrisia e da blindagem institucional. Esta CPMI existe para revelar a verdade ao povo brasileiro. E é isso que nós vamos fazer.
E avisou -
- Se houver senador envolvido, que seja preso. Se houver deputado, que seja preso. Se houver presidente da República, banqueiro ou qualquer autoridade, que responda. A lei deve valer para todos. Reuniões e articulações por intermédio de estruturas diretamente ligadas aos investigados não são apenas ilegais — são passíveis de investigação.