Ricardo Noblat avisa: "Chantagem de Lula sobre ministro do STF é nitroglicerina pura"

- O material a seguir é de Ricardo Noblat (www.noblat.com.br). Ele acha que a reportagem de Veja deste final de semana é nitroglicerina pura. É inaceitável e criminoso o assédio de Lula a um ministro do STF, chantageando-o com a ameaça de desmoralizá-lo na CPI do Cachoeira, caso não concorde com o adiamento do julgamento do Mensalão. O caso é de cadeia. O ministro confirmou tudo. Lula, na reunião realizada no escritório de Nelson Jobim, também tratou com desrespeito outros ministros, que estariam sob seu controle, como Lewandowsky, Carmem Lúcia, Dias Toffoly e Ayres Brito. Leia a nota de Noblat:

É nitroglicerina pura a reportagem de Rodrigo Rangel e Otávio Cabral publicada na VEJA que começou a circular. Ela conta a história de um encontro entre Lula e Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no escritório de advocacia do ex-ministro Nelson Jobim.Foi em Brasília no dia 26 de abril último.

- É inconveniente julgar esse processo agora - disse Lula a Gilmar a propósito do processo do mensalão. São 36 réus - entre eles o ex-ministro José Dirceu, que segundo Lula contou a Gilmar, "está desesperado".
Em seguida, Lula comentou que tinha o controle político da CPI do Cachoeira. E ofereceu proteção a Gilmar. Garantiu que ele não teria motivo para preocupação.
- Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula - comentou Gilmar com a VEJA.
Lula foi adiante em sua conversa com Gilmar:
- E a viagem a Berlim?
Nos bastidores da CPI corre a história de que Gilmar e o senador Demóstenes Torres teriam viajado juntos a Berlim com despesas pagas por Cachoeira.
Gilmar confirmou o encontro com Demóstenes em Berlim. Mas respondeu que tinha como provar que pagou as próprias despesas.
- Vou a Berlim como você vai a São Bernardo do Campo - afirmou Gilmar se dirigindfo a Lula. Uma filha de Gilmar mora em Berlim.
Constrangido, Gilmar aconselhou Lula:
- Vá fundo na CPI.

Lula ameaça o ministro do STF: "E a viagem a Berlim ?". O ministro encontrou-se com Demóstenes Torres em Berlim.

Não dá para entender por que razão o ex-presidente do STF, Gilmar Mendes, não deu voz de prisão ao ex-presidente Lula, quando se encontrou com ele no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, dia 26, esta semana, em Brasília. O incidente, contudo, que é estarrecedor, revela o grau de degradação política e moral a que chegou Lula, desesperado com as consequências adversas que o julgamento do Mensalão produzirá para os seus interesses e para os interesses dos líderes do PT. A denúncia de Gilmar Mendes coloca sob total suspeição a CPI do Cachoeira, porque fica claro que ela está sendo usada para desmoralizar o STF e a Procuradoria Geral da República, visando impedir o julgamento. O caso é de crime comum. O diálogo fatal

Lula - É inconveniente julgar esse processo agora. Zé Dirceu está desesperado.
Gilmar Mendes - Isto é despropositado.
Lula - E a viagem a Berlim?
Gilmar Mendes - O que tem? Vou sempre a Berlim. Lá mora minha filha e lá fiz doutorado..

. Lula ameaçou Gilmar Mendes com o caso de Berlim, porque Mendes teve um encontro com o senador Demóstenes Torres na Alemanha, numa das viagens. Lula quer usar o episódio na CPI do Cachoeira para desmoralizar o ministro. Isto é chantagem clara.Segundo o relato da revista, Lula e Gilmar se encontraram no dia 26 de abril no escritório do advogado e ex-ministro Nelson Jobim. O que deveria ser um encontro de cortesia teria se transformado num episódio de pressão explícita. “É inconveniente julgar esse processo agora”, teria dito Lula a Gilmar, reivindicando que o processo do mensalão fosse decidido apenas após as eleições municipais de 2012. Em seguida, diante da reação pouco amistosa de Gilmar, Lula teria passado um recado. “E a viagem a Berlim?” Gilmar Mendes fez uma viagem recente a Berlim, onde se encontrou com o senador Demóstenes Torres (sem partido/GO). Carlos Cachoeira também foi à capital alemã, na mesma data, mas não se sabe se houve encontros dele com o senador e o ministro do STF.Gilmar se sentiu pressionado e relatou a conversa à revista Veja, a quem disse ter considerado indecoroso o comportamento do ex-presidente da República. “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse ele à revista. Gilmar afirmou ainda que viaja com frequência a Berlim, onde fez seu doutorado e onde também mora sua filha. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo”, teria dito ele a Lula.

Ministro do STF confirma para Veja que foi chantageadlo por Lula, há um mês, para adiar julgamento do Mensalão. Reunião foi no escritório de Nelson Jobim. Lula também peitou outros ministros do STF.

A edição desta semana da revista Veja descreve um encontro no qual o ex-presidente Lula teria tentado cooptar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao plano alimentado por petistas de adiar o julgamento do Mensalão, previsto para o segundo semestre.

A conversa teria ocorrido há um mês, no escritório do ex-presidente do STF e ex-ministro da Justiça Nelson Jobim. Mendes e Jobim confirmaram o episódio à revista.

Com o adiamento do julgamento, muitos crimes prescreveriam e as eleições deste ano transcorreriam sem ser atingidas pelos estilhaços do julgamento dos 36 réus do mensalão. Na conversa, Lula teria deixado clara a intenção de agir junto a outros ministros do STF, como Cármen Lúcia e Ayres Britto.

Além disso, no que teria sido o momento de maior constrangimento da reunião, teria, segundo a revista, oferecido proteção a Mendes na CPI do Cachoeira, cuja instalação foi municiada por petistas.

O que levaria Mendes a precisar ser poupado das investigações da comissão que envolvem o bicheiro Carlinhos Cachoeira e seus tentáculos no poder seria uma viagem a Berlim, em função de boatos de que o ministro e o senador Demóstenes Torres teriam viajado à Alemanha com financiamento do contraventor. O ministro teria confirmado a Lula o encontro com Demóstenes em Berlim, mas garantido que pagou tudo de seu bolso.

- Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula - disse Mendes à Veja.

Lula também teria dito que usaria amigos para intermediar o assunto com Cármen Lúcia e Ayres Britto. E teria admitido ao ministro Mendes: "Zé Dirceu está desesperado". Dirceu é um dos principais réus do mensalão. Segundo a Veja, Mendes teria relatado a conversa com Lula a dois senadores, ao procurador-geral da República e ao advogado-geral da União.

* Clipping www.zerohora.com.br

PT e PMDB acertam convocação de Perillo. Se Cabral também for chamado, PMDB romperá com PT.

Diante do mal-estar e de ameaças do PMDB, os petistas concordaram em manter a blindagem ao governador do Rio, Sérgio Cabral. Por ora, a estratégia é tentar poupar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), mas setores do PT já admitem deixá-lo à própria sorte se a oposição ameaçar paralisar a CPI.

A alegação para poupar os governadores de partidos da base aliada é de que eles não aparecem envolvidos diretamente com o esquema ilegal do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Mas os aliados já foram avisados de que essa ação cirúrgica para atingir apenas o tucano pode paralisar a CPI e forçar uma operação toma-lá-dá-cá, com o sacrifício do petista.

Para preservar Cabral, o PMDB ameaçou: se o governador fluminense for convocado, o PT ficará isolado na CPI. O “troco”, segundo um peemedebista, virá na aprovação de requerimentos com “alto teor de periculosidade para o governo”, como a convocação de Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit), e a quebra dos sigilos de todos os contratos da Delta com o governos federal e estaduais.

O argumento dos aliados para restringir a convocação ao governador tucano é que Perillo está envolvido “até a alma” no esquema de Cachoeira. A situação do governador ficou ainda mais complicada depois do depoimento do ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez, que apresentou versão diferente da de Perillo para venda da casa do governador, onde Cachoeira foi preso.

Escândalo Delta ganha alcance nacional, mas PT e PMDB náo querem investigar a Delta

* Editorial de O Globo

Por ter a característica inédita de os fatos estarem todos supostamente investigados, a CPI do Cachoeira começa a ser superada pela dinâmica da divulgação de novidades para o grande público. A peculiaridade se agrava porque grupos de deputados e senadores se dedicam mais a executar missões partidárias de varejo do que a perseguir o que seria a missão óbvia numa CPI: a verdade, esquadrinhar os responsáveis pelos delitos, para depois encaminhá-los ao Ministério Público; e, por fim, sugerir mudanças de legislação, a fim de evitar a repetição das delinquências.

Nada disso. O jogo enfadonho de briga partidária, praticado com gestos teatrais quando a sessão é transmitida pela TV, ficou à vista de todos no confronto entre tucanos e o relator, o deputado petista mineiro Odair Cunha. Na terça, oposicionistas destilaram veneno em perguntas a um Cachoeira mudo apenas para atingir aliados do governo. Era este mesmo o objetivo.

O troco foi dado por Odair, na inquirição, quinta, do ex-vereador goiano Wladimir Garcez, preso como Cachoeira, e personagem da polêmica venda de uma casa pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ao contraventor.

Enquanto oposicionistas e situacionistas se digladiam, fatos vão sendo conhecidos e comprovam que a CPI atolou na briga político-partidária. Reportagem do GLOBO de ontem, por exemplo, revelou a existência no Rio de pelo menos duas empresas laranja, parte de uma provável plantação de firmas fantasmas criadas por Cachoeira para receber dinheiro da Delta.

Por óbvio, a direção da empreiteira - pelo menos Fernando Cavendish, o ex-dono, e Cláudio Abreu, diretor da construtora no Centro-Oeste - era conivente. Zuk Assessoria Empresarial e Flexa Factoring, de que são sócios uma moradora de um conjunto em Piedade, subúrbio carioca, e um ajudante de caminhão de Leopoldina, interior mineiro, receberam repasses de outras duas firmas fajutas de Goiás, Brava e Alberto & Pantoja, para as quais a Delta transferiu pelo menos R$ 39 milhões. Por terem sido criadas por Cachoeira, as empresas levaram a Polícia Federal a suspeitar que o contraventor é sócio oculto da empreiteira.

Nem isso leva o BNDES a se preocupar com o fato de seu sócio no frigorífico JBS, a holding J&F - a quem também destinou muito dinheiro público -, querer comprar a Delta, nem parece aguçar a curiosidade de parlamentares do PMDB e do PT, donos das rédeas da CPI. As firmas fantasmas de Goiás e, agora, as empresas laranja cariocas tornam, em definitivo, o caso Cachoeira e Delta um escândalo nacional.

Mesmo assim, a CPI resiste a quebrar os sigilos da empreiteira, algo sem sentido, pois pelo menos o acesso às contas da empresa, em todo o país, já foi determinado pela Justiça de Brasília. Os políticos querem apenas ganhar tempo, em prejuízo do trabalho da CPI.

Não deveria preocupar o governo Dilma que a empreiteira tenha sido dona da maior fatia de obras do PAC. Se a ideia é mesmo sanear a contratação de obras públicas, abrir a caixa-preta da Delta será de enorme ajuda.