O Ministério Público Estadual entrou em completa rota de colisão com a Polícia Civil do RS, por duas atitudes principais que tomou: 1) Repeliu a linha de investigações e acusações (latrocínio, ou roubo com morte) e preferiu homicídio (assassínio, sob encomenda ou não). 2) Ignorou a Polícia Civil na hora de mandar prender os suspeitos e usou a Brigada Militar. Isto tudo é inusual. As razões elencadas pelo MPE são ligadas a suposições, ilações e conversa fiada, ao contrário das razões da Polícia Civil, que produziu provas materiais abundantes e testemunhais sólidas. A juiza Elaine da Fonseca, que ficou do lado do MPE, já não pode prosseguir no caso, porque acolheu as suspeitas do MPE, atacou a Polícia Civil e emitiu juizo de valor muito claro.Muita gente fez a festa com a decisão do Ministério Público Estadual de repelir o inquérito concluído pela Polícia Civil do RS, que viu latrocínio no caso Eliseu Santos. "Vejam só como somos bons", festejaram os junta-cadáveres, mas outros sabem que a confirmação das piores previsões do grupo não contém apenas componentes midiáticos, mas também políticos. Só não vê isto quem não quer ver. O editor está sendo pago para ver - e denunciar. O MPE resolveu rejeitar todas as premissas da Polícia Civil, e também as conclusões, terminando por indiciar oito pessoas num crime que seria de execução mandada.
. O editor sabia do material que seria vazado, mas aguardou as notícias e não percebeu nelas nem uma só prova material sobre a existência da conspirata anunciada pelo Ministério Público. O máximo que o MPE vazou, mesmo para a sua mídia preferida, foi a origem do material que o inspirou, todo ele localizado no submundo político do RS.
. Desde a primeira hora, o grupo de junta-cadáveres apostou todas as fichas na tese da execução, mesmo antes de qualquer investigação. No dia seguinte ao da morte de Eliseu Santos, o líder do grupo chegou a escrever com clareza que Santos foi um semeador de tempestades e que por isto morreu. Na perspectiva dos promotores, foi o que aconteceu: Santos teria semeado a tempestade ao descredenciar a empresa de segurança Reação (imotivadamente ou não; com ou sem achaques). O que busca essa gente é o olhar gelado e cheio de ódio dos moradoras da cidade, tal como o descrito por Juan Carlos Onetti no seu clássico Junta-Cadáveres, de 1964.
. O inquérito da Polícia Civil desnorteou o grupo e fez com que todos tirassem o pé do acelerador, mas talvez ele soubessem muito mais do que se permitiram supor.
. Ao se negar a abrir os novos dados que possui, o Ministério Público Estadual não permite estabelecer uma comparação com o que encontrou a Polícia Civil. É um desserviço que o MPE presta à opinião pública, que é obrigada a comparar o que existe e conhece, com o que o MPE diz existir, mas ninguém conhece. Éste filme o editor já viu e não gostou, porque ele se presta a alimentar campanhas canalhas contra quem não pode se defender e até nem tem por que se defender. Repete-se uma cena kafkiana.
. O MPE vaza as cartas que tem nas mãos e elas não passam de fumaça, mas não a fumaça do bom direito, o conhecido
fumus bonis juris que convencem magistrados em todo o mundo. Estão mais na linha de historietas
bene trovatas. São histórias que servem bem ao Eixo do Mal 2.
. Ao contrário do grupo de junta-cadáveres, que diz que não confia nos serviços da Polícia, mas nos do Ministério Público, por razões conhecidas e anteriores, o editor avisa que ninguém tem por que aceitar a priori os serviços da polícia ou dos promotores, sem examinar as provas e formar seu próprio juízo de valor. O resto é enganar o distinto público. Isto é típico do Eixo do Mal.
. A ignorância trabalha a favor da delinquência política.
. Ninguém vai ganhar as eleições de outubro no tapetão. O recente episódio vivido no Estado provou isto.
. Esta quinta-feira foi dia de enormes boatarias, envolvendo políticos conhecidos do RS, e até mesmo mais lama lançada sobre a memória de Eliseu Santos, que repentinamente surge como o repositório de males que ninguém conseguiu atribuir claramente a ninguém.
DICA DE LEITURA
Junta-Cadáveres, Juan Carlos Onetti Trad.: Luis Reyes Gil Planeta 320 págs.
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