O autor é advogado, engenheiro e escritor. Também foi presidente da Fiergs e representante do Brasil na OIT.
As recentes ofensas de Javier Milei a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes reforçam a impressão de que a diplomacia perdeu espaço na relação entre países. Em vez da linguagem prudente, chefes de Estado multiplicam ataques pessoais, juízos morais e intervenções abertas na política de outros países. Donald Trump fez da agressividade verbal uma marca, e o próprio Lula também já dirigiu críticas contundentes a governantes estrangeiros. Surge então a pergunta: estaria a diplomacia se tornando inútil ?
A suspeita é antiga: a de que a linguagem diplomática seria hipócrita, feita de eufemismos destinados a esconder conflitos reais. Mas sua função não é mascarar a realidade, e sim codificar e graduar o diálogo. Quando um governo manifesta “profunda preocupação”, convoca um embaixador para consultas ou suspende uma reunião, os demais entendem a gravidade da mensagem. O conflito permanece no plano institucional, sem se transformar imediatamente em ofensa pessoal ou ruptura.
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