O economista Darcy Francisco Carvallho dos Santos é uma boa alma e só por isto emociona-se com o jornalista Juremir Machado da Silva, um panfletário démodé que gosta de comprar brigas com quem sabe que não o leva a sério, mas apesar disto usam da compaixão e tentam manter o diálogo com o ofensor gratuito.
No passado, diante de outro tipo de polêmica gratuita (Juremir acusou o pai de L.F. Veríssimo de agente da ditadura militar) ele acabou expurgado da RBS, com o aviso de que jamais voltaria a trabalhar na casa dos Sirotsky.
Eis o que escreveu, hoje, o economista, cujas sérios estudos não ocorrem por achismo e em função das quais suas constatações e propostas são as mais racionais que já sugiram no Estado:
Nos últimos dias o colunista do Correio do Povo, Juremir
Machado da Silva, resolveu me atacar, com impropérios, chamando-me de
neoliberal e de guru do governador Sartori. Que orgulho teria se isso fosse
verdade!
Na realidade
pouco conheço o governador Sartori, com quem mantive escassos contatos e no
passado distante. Se ele está fazendo algumas coisas que constam do meu livro,
é por mera coincidência. e está agindo corretamente, porque lá
estão, fora de qualquer modéstia, as soluções para o Estado do Rio Grande do
Sul sair da crise.
O jornalista
em questão, recentemente publicou uma matéria onde anexa a parte do livro “O
Rio Grande tem saída?”, p. 301/2012, onde estão as sugestões feitas por mim
para o Estado sair da crise, que citarei algumas, ao mesmo tempo em que
pergunto, se elas são proposições neoliberais:
1) Fazer a reforma da previdência,
visando corrigir o problema das aposentadorias precoces, onde 87% dos
servidores se aposentam com cinco ou dez anos a menos, sendo a metade com
50 anos de idade mínima e ¼ sem essa exigência. Levando em consideração
que nos países ricos as pessoas estão se aposentando com 65 ou 67 anos, a
maioria países sociais-democratas, eu pergunto onde está o neoliberalismo em
defender isso?
2) Modificar os critérios da
pensão por morte, onde uma pessoa jovem com todas as condições para trabalhar
pode ficar até 50 anos ou mais, dependendo da situação, recebendo uma
alta remuneração paga pelo contribuinte. Isso é neoliberalismo?
3) Alterar o plano de carreira do
magistério, um plano da década de 1970, o mais velho do País, anterior à
vigência de LDB, que define carreiras que não existem mais, que só vai
pagar um salário melhor par o professor no final de sua carreira, quando ele
está deixando a sala de aula. Se eu fosse demagogo e populista, eu
defenderia isso, mas prefiro ser o que sou, responsável com o futuro de meu
Estado.
4) Aposentadoria complementar, se
o Estado mais rico do país, São Paulo, e a União, já adotaram. A União,
no atual governo.
5) Alterar o acordo da dívida,
visando pagar menos e zerar o saldo devedor, onde está o neoliberalismo?
6) Rever os altos salários
iniciais e algumas categorias, como condição para pagar melhor outras que
recebem muito pouco, na opinião do próprio jornalista. Isso é neoliberalismo,
Sr. Juremir?
7) Extinguir a licença- prêmio, um
privilégio vergonhoso do servidor público o qual muitos órgãos de elite pagam
em dinheiro, quando não se consegue para uma melhor remuneração para o
magistério, por exemplo. Isso é neoliberalismo, Sr. Juremir? Só para
seu esclarecimento, este instituto não existe mais na União.
8) Alterar as regras das
incorporações das funções gratificadas na aposentadoria, passando para a média
em vez da última. Isso é uma regra aprovada pela reforma previdenciária
de 2003, do Presidente Lula. Onde está o neoliberalismo, Sr. Juremir?
9) Evitar a concessão de reajustes
salariais reais. Se o Estado não está conseguindo dar nem a inflação, como vai
dar aumentos reais? Aumentos reais, quer dizer acima da inflação. O Senhor não é
obrigado a saber isso, afinal o Senhor não é da área. Diga-me onde está o
neoliberalismo nisso?
10) Conter o crescimento das outras despesas
correntes. Par quem não sabe, isso é economizar no consumo. Não é isso que
fizemos na nossa casa, quando o dinheiro escasseia?
11) Mudança no pacto federativo, visado
melhorar a distribuição das receitas? O Senhor é contra isso?. Seria bom deixar
claro para seus leitores.
Vou ficar por
aí para não me alongar muito.
Sei que é uma
luta desigual, porque não sou jornalista e não tenho uma coluna diária num
importante jornal da Capital. Mas vou continuar usando dos escassos
recursos de que disponho, um blog pessoal, para continuar rebatendo acusações
que beiram a idiotice e nem parecem vir de um jornalista que há tanto tempo
detém um espaço tão importante na imprensa gaúcha.
Senhor Juremir,
eu quero é acabar com os privilégios e com as regras que conduzem à
aposentadoria precoce, para, com isso, sobrar mais recursos para aplicar em
saúde, educação e segurança. Vou lhe dizer uma coisa que o Senhor não
sabe, porque não leu o meu livro (citado), na página 245, onde mostra que entre
1971 e 1974 o Estado do RS aplicava 1,9% do PIB em educação e 1,1% em
previdência e agora despende 1% em educação e 2,9% em previdência. Está
transferindo para previdência o que deveria aplicar em educação. Estamos com os
olhos na nuca, olhando para trás e nos cegando diante do futuro. E o Senhor
defende essas coisas e muita gente lhe segue achando que o Senhor é que está
certo. Há uma certa hora em que a cegueira é um mal irreparável, assim disse
José Ingenieros.
O que acontece
é o que Senhor não se conforma com minhas previsões de que o seu partido estava
conduzindo o Estado para o descalabro financeiro, embora uma grande parte da
crise seja estrutural e venha de trás. Se o Senhor ler a página 150 do livro
citado, verá que eu já falava em Estado Ingovernável e se ler a 298
verá que eu já previa um déficit anual de R$ 4 bilhões até 2019. E isso
que o livro de fevereiro de 2014, quando grande parte dos reajustes
salariais foi concedida em abril/2014, quando o livro já havia sido lançado.