O artigo a seguir é de Raul Tadeu Bergamnn e Roberto Requião. Requião é senador do PMDB e ex-governador do Paraná. O texto foi publicado no Jornal dos Economistas, do Corecon e Sindecon do Rio. Leia tudo.
As privatizações e desnacionalizações feitas por FHC
foram os maiores crimes já perpetrados contra a sociedade brasileira.
Significaram a entrega de centenas de bilhões de dólares
de patrimônio do povo a preços aviltantes, milhões de empregos destruídos,
perda de autonomia tecnológica, substituição de fornecimento de máquinas e
insumos nacionais por importados, centenas de bilhões de dólares de remessas de
lucros para o exterior e tarifas de serviços públicos extorsivas, as maiores do
mundo.
Elas continuam causando sérios problemas econômicos e são
as principais responsáveis pela séria crise que poderemos ter no futuro muito
próximo. As elevadas tarifas de serviços públicos privatizados são um dos
principais fatores que fazem com que nossa moeda se mantenha tão valorizada.
Portanto, são uma das principais causas da desindustrialização.
A indexação dessas tarifas é a responsável pelo fato de a
inflação no Brasil ser tão resistente. Esses fatores, mais a grande remessa de
lucros das empresas desnacionalizadas e importação de insumos e equipamentos
por elas realizadas são responsáveis por boa parte do rombo em nosso balanço de
pagamentos. O buraco no balanço de pagamentos e essas tendências inflacionárias
dos serviços públicos privatizados colocam o governo em posição difícil, sendo
praticamente impossível evitar uma crise inflacionária ou de desemprego.
Apesar disso, há quem advogue que mais privatizações
sejam a solução para os males causados pelas privatizações do passado. Ao
contrário, isso alimenta uma bola de neve: as privatizações e
desnacionalizações geram mais remessa de lucros, mais déficit em transações
correntes, mais necessidade de atrair capital estrangeiro para cobrir o
déficit, gerando um círculo vicioso que redundará em falência do país, esvaindo
o pré-sal sem retorno para o Brasil.
O lucro do pré-sal tem que ser reinvestido no
desenvolvimento nacional, o que não ocorrerá se ele for entregue ao cartel
internacional. O leilão de Libra é uma forma de privatização, cujo valor supera
todas as de FHC. Nesse sentido, Dilma estará cometendo um erro até maior do que
os de FHC.
A produção de Libra sozinha permitiria um grande avanço
econômico, financeiro e tecnológico, resolvendo muito do nosso histórico
passivo social, resolvendo os nossos problemas de educação, saúde, segurança,
tecnologia, mobilidade urbana, tornando-nos uma sociedade mais próspera e
justa.
Com o leilão, o governo entregará para o cartel das
multinacionais a propriedade da maior parte do petróleo a ser extraído do campo
recém-descoberto e o maior do mundo, com 15 bilhões de barris.
CLIQUE AQUI para ler mais.