Como não há mais candidatura nata, senadores como Eduardo Suplicy, PT de São Paulo, e Pedro Simon, PMDB do RS, são obrigados a descer até a planície para garantir suas vagas. Suplicy está em muito pior situação, porque quem manda no Partido é seu desafeto, Lula. No caso do RS, Simon exerce liderança incontestável. Na Folha de hoje, Suplicy voltou a liberar inconfidências constrangedoras sobre suas conversas com Lula. O site Brasil247 faz um resumo da entrevista, a seguir.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quer garanti sua
candidatura ao Senado, em 2014, contrariando o PT, que considera fraca sua
possibilidade de reeleição e cogita negociar a vaga numa composição para o
objetivo maior, que é o Palácio dos Bandeirantes. Depois de tornar pública uma carta que escreveu ao
ex-presidente Lula, implorando para ser candidato, ele agora revela o teor da
rápida conversa que teve com ele. O encontro, no Instituto Lula, não foi sequer
agendado e Suplicy foi de surpresa ao encontro de Lula, atendendo a sugestão do
filho Supla.
. Hoje, a Folha publica trechos de entrevista concedida
pelo senador, em que ele abre o teor da conversa. Confira:
Sobre a iniciativa de ir a Lula
Durante o final de semana, eu pensei bastante, conversei
com meus filhos, com a Mônica Dalari [namorada do senador], fui comer uma pizza
com o Supla e a namorada dele. Pensei em escrever uma carta aberta. O Supla me
disse: "Pai, porque você não vai lá? Fala com ele. Você é amigo do
Lula".
Sobre o pedido para ser candidato
É próprio reivindicar que possa ser ouvido, como meus
filhos sugeriram. Não acho absurdo. Teria sido gentil da parte deles ter me
convidado àquela reunião, pois discutiram a candidatura ao cargo onde estou.
Teria sido gentil.
O que Lula lhe disse
Fiz uma visita de surpresa. Disse que soube da reunião
onde consideraram a hipótese de eventualmente ceder a vaga a outro partido.
Lembrei das fortes raízes que tenho com o PT e com ele próprio. O Lula me
disse: "Eduardo, não há possibilidade senão de você ser candidato ao
Senado".
A conversa de surpresa
Fui de surpresa porque fazia tempo que estava pedindo e
não era marcado. Liguei, já estava no caminho, disse à secretária que estava
indo lá. Disse que precisava só de dois minutos e ele me recebeu por 15. Ele
sabia que há dois, três meses eu vinha pedindo a oportunidade de um diálogo.
Hipótese de Lula concorrer ao Senado
Ele falou: "Eduardo, eu não vou ser candidato. Quero
ajudar o partido, a Dilma".
Garantia frágil
Na segunda, o Rui Falcão [presidente nacional do PT] me
ligou e disse que, por enquanto, o candidato sou eu. Chegou a mencionar como
exemplo que o presidente do PSD, um dos partidos coligados, queira propor que a
vaga ao Senado seja do PSD.
Prévia no PT
Pelo menos 15 ou 20 pessoas poderiam ser candidatas
dentro do PT, ser eleitas e se tornar brilhantes senadores. Defendo uma prévia
aberta, não apenas aos filiados, mas até aos eleitores em geral.