- A foto ao lado é de ainda há pouco, do jornal El Universal. O povo na rua, Maracaibo, quer marchar sobre o Conselho Nacional Eleitoral. O governo proibiu a marcha. Milhares de oposicionistas protestam contra a roubalheira eleitoral.
Leandra Felipe
Enviada Especial da Agência Brasil/EBC
Caracas - O presidente eleito da Venezuela, Nicolás
Maduro, informou que o país vai ativar o "comando antigolpe" para
enfrentar os protestos da oposição que insiste no pedido de recontagem total
dos votos da eleição do último domingo (14). Partidários de Henrique Capriles
prometem novos protestos para hoje (16). Para amanhã (17), está prevista uma
grande marcha com destino à sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em
Caracas. O CNE aponta que Maduro obteve 50,75% dos votos e Capriles, 48,97%.
Na noite de ontem (15), vários protestos, com panelaços e
buzinaços, foram registrados em Caracas e em outras cidades. Nas ruas, era
comum ouvir os gritos de "fraude, fraude, recontem os votos!" À noite, Maduro se manteve no Quartel da Montanha.
"Estão saindo da Constituição e da lei. Entraram em uma fase
enlouquecida", comentou. Ele informou que houve mortes e feridos e
endureceu o tom contra os manifestantes. "Quem vier pela via violenta,
encontrará o Estado", alertou. A tensão pode ser sentida fortemente no país e influencia
o cotidiano da população. Na noite de ontem, taxistas evitavam circular pelas
partes de Caracas com maior presença da oposição. Não era possível, por
exemplo, fazer saques em dinheiro em caixas eletrônicos, segundo a população
local, por falta de abastecimento.
As redes sociais também refletem o momento tenso.
Partidários do governo pedem cadeia a Henrique Capriles e a oposição insiste
nas denúncias de "fraude" e no pedido de recontagem dos votos. Agora
pela manhã o clima é de aparente tranquilidade, mas os panelaços e buzinaços
foram mantidos ontem até por volta da meia-noite. O governo contabiliza manifestações com queimas de casas
do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) e protestos em pelo menos cinco
estados. O oposicionista Henrique Capriles manteve a convocação para as marchas
e protestos contra a decisão de não verificar os votos, mas pede que as ações
sejam realizadas em paz.
A presidenta do CNE, Tibisay Lucena, informou, durante a
cerimônia de proclamação de Maduro, que a auditoria, chamada de
"verificação cidadã", já foi realizada no país por amostragem. O CNE
não divulgou detalhes da verificação por amostragem.
O chefe da missão observadora da União de Nações
Sul-Americanas (Unasul), Carlos Alvares, pediu ontem à noite respeito aos
resultados eleitorais. O governo convoca a população para atos de apoio à
juramentação do presidente eleito, marcada para sexta-feira (19).