O encontro internacional de milhares de militantes anti-israelenses, que
ocorrerá em Porto Alegre, com o patrocínio do governo Tarso Genro e do PT, no
final deste mês, não deve ser compreendido apenas sob uma ótica ideológica. É
certo que uma das finalidades do Fórum Mundial Palestina Livre é apresentar
Israel como um estado criminoso e racista, de acordo com o histórico cânone da
propaganda oficial palestina, difundido por partidos e organizações esquerdistas
de todo o mundo há décadas e reverberado no documento de referência do Fórum. É
seguro, também, que, no momento em que Israel lança uma ofensiva militar na
Faixa de Gaza, para proteger sua população contra as centenas de mísseis
disparados pelo Hamas e outros grupos terroristas palestinos, a organização do
tal Fórum fará de Porto Alegre um centro difusor de mistificações e distorções
antissemitas ainda mais intensas.
Ninguém pode esperar menos que a
satanização de Israel e a exaltação da “resistência” dos terroristas palestinos
islâmicos da Faixa de Gaza, num contexto mais amplo de denúncias e demandas
alucinadas, que têm alimentado o imaginário esquerdista desde o final da Guerra
dos Seis Dias, em 1967. Estas constatações são suficientes
para repudiar o apoio
que Tarso Genro está emprestando ao Fórum Palestino, transformado por ele num
evento oficial do estado.
Mas os problemas que decorrem da realização deste
encontro mundial em Porto Alegre são ainda mais graves do que se poderia esperar
de uma algaravia de inimigos de Israel, ainda que disfarçados de pacifistas e
moderados. Entre as exigências que os organizadores do Fórum anunciam como
decisivas para a pressão junto a governos da Europa, Ásia e América Latina, está
a adoção de medidas BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) contra Israel, em
conformidade com o que apregoa a própria Organização para a Libertação da
Palestina.
As medidas BDS destinam-se às populações e aos governos. Na Europa
e nos Estados Unidos, há ongs especializadas na pregação do boicote ao consumo
de produtos israelenses. No Brasil, uma ala considerável do PT tenta convencer
o governo a adotar as medidas BDS e persuadir a presidente Dilma Rousseff a agir,
na cena internacional, no sentido de isolar Israel.
Os organizadores do Fórum
Palestina Livre e os grupos políticos internacionais de esquerda que lhes dão
sustentação, entre eles a parte do PT a que pertence Tarso Genro, consideram o
Brasil um país chave para sua atuação. Na América do Sul, o Brasil é o maior
parceiro comercial de Israel. Os dois países mantêm acordos de cooperação
tecnológica e de segurança importantes e, mais ainda, várias empresas
israelenses estão instaladas no Brasil, inclusive no Rio Grande do Sul.
A
Elbit Systems, por exemplo, uma das grandes indústrias de tecnologia militar de
Israel, possui contratos de cooperação com as Forças Armadas brasileiras e
fornece equipamentos militares para a Marinha e a Aeronáutica. Sua subsidiária,
a Aeroeletrônica Indústria de Componentes Aviônicos S.A (AEL) tem sede em Porto
Alegre e atua como centro de produção e apoio logístico de equipamentos
eletrônicos de defesa avançada. AAEL é fornecedora de produtos para programas
militares e de segurança no Brasil e em vários outros países. Além disso, atua
com a Embraer para produzir sistemas de aeronaves não tripuladas de uso militar,
como o Harpia Sistemas, que tem sede em Brasília. São empresas estratégicas para
o Brasil manter-se atualizado em tecnologia de ponta na área militar. A
organização do Fórum Palestina Livre afirma que principalmente as parcerias das
empresas israelenses com o setor militar brasileiro contribuem para manter o que
eles chamam de “regime de apartheid” de Israel. Por isso, prepara a denúncia da
presença destas empresas no Brasil, como forma de auxiliar, segundo os
organizadores do Fórum Palestina Livre, na luta maior contra a “limpeza étnica”
praticada por Israel.Não há mentira maior. A acusação feita contra Israel de
prática de apartheid é infame. O que os organizadores deste Fórum não aceitam é
a própria existência do estado judeu. A sua agenda de propaganda anti-israelense
é, também, uma agenda política previamente delineada para influenciar a opinião
pública e pressionar o governo brasileiro, de modo a fazer com que se altere a
percepção diplomática e negocial tradicionalmente construtiva com relação aos
israelenses. Tudo isto faz parte de um movimento global degradante que, há muito
tempo, dedica-se a deformar a imagem de Israel e das comunidades judaicas que o
apoiam. Porto Alegre, que colhe os benefícios de possuir uma empresa israelense
de ponta e com inserção global, no final das contas, receberá impostores,
profissionais da fraude, militantes islamitas e comunistas do mundo inteiro, num
Fórum preparado para atacar Israel de todas as formas. É o novo antissemitismo
cínico aportando por aqui, com o patrocínio de Tarso Genro.
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