A entrevista do advogado de Michel Temer ao Estadão, hoje, ataca três questõesprincipais relacionadas com as acusações feitas pela PGR, todasa de conteúdo gravíssimo:
O mérito, a acusação era de que o destinatário dos R$ 500
mil na mala de Rocha Loures era o presidente.
Quem disse isso foi o (Ricardo) Saud (executivo da
J&F) na delação. E essa delação representa uma das vergonhas nacionais,
pelas benesses dadas. O Datafolha fez pesquisa na qual 80% desejam a prisão
para esses homens. O conteúdo da delação é suspeito por si só. Uma delação
desejada, uma delação, eu não tenho provas, pré-estudada, pré-examinada. Parece
que o delator não teria apresentado fatos que houvessem satisfeito os
procuradores, mas quando veio com a delação enfocando o presidente da
República, aceitaram e deram benesses.
A defesa suspeita que essa delação tenha sido estimulada?
Há suspeita de ter havido uma conversa prévia, onde se
disse: ‘Olha, é preciso que se tragam fatos consubtanciosos’. Eu estaria sendo
leviano se afirmasse que autoridades (da Procuradoria-Geral da República)
disseram (a Joesley Batista e outros executivos da JBS): ‘Vá gravar o
presidente da República’. Não falarei isso, mas que houve uma prévia conversa,
dizem até que houve um treinamento do delator por algumas autoridades.
Vai arrolar como testemunha o ex-procurador Marcelo
Miller? Temer jogou suspeita sobre ele.
Eu acho esse fato em si deplorável, digno de todas as
críticas e até suspeitas, mas não coloco isso como algo fundamental para a
defesa. Mas é algo muito estranho. Estão dizendo que esse mesmo procurador foi
quem ajudou o Cerveró (Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobrás que fez delação)
a fazer aquela armação contra o Delcídio (Amaral, senador cassado). Eu não sei.