A RBS parece ter se convencido de que o escândalo da Petrobras é
um dos maiores, senão o maior, da história do país _ e compromete inquestionavelmente
dezenas de dirigentes e executivos de empreiteiras, servidores e diretores da
estatal, políticos de diversos partidos e governantes no desvio de recursos
bilionários.
. É o que ela escreve no editorial publicado hoje pelo jornal Zero Hora.
. A RBS é a única mídia gaúcha que mandou repórter para acompanhar tudo de perto em Curitiba e passou a conceder espaços generosos para a cobertura do escândalo que envolve a Petrobrás, o governo Dilma e o PT.
. Num título (Chega de Corrupção, Chega de Impunidade) que lembra brados como os do Correio da Manhã em 1964, a RBS cobra uma prestação de contas cabal por parte da presidente Dilma. Na verdade, a RBS deveria cobrar o imediato impeachment da presidente Dilma, enfiada até as orelhas neste novo escândalo, como ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, ministra da área (Minas e Energia), chefe da Casa Civil e presidente da República durante todo o episódio.
. Leia:
O que já se pode antecipar, enquanto avançam as operações da
Polícia Federal, é que será um teste de fogo para as instituições democráticas
do país. Aos brasileiros _ estarrecidos diante dos desdobramentos do que o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chamou de “rastilho de pólvora”
das delações premiadas _, resta torcer para essa operação marcar de fato o fim
da impunidade. Mas é importante ficar atento também ao descaso reiterado de
autoridades, que permitiram os desmandos por tantos anos, a começar pela
presidência da República. Esse tipo de comportamento tolerante, característico
também da gestão anterior, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ajuda a
explicar a resistência da corrupção.
Diante da inevitável indignação popular provocada pelo
caso, não basta a presidente Dilma Rousseff alegar que a investigação vai mudar
o país para sempre, pelo fato de se estender também aos corruptores. A
presidente da República está devendo à nação uma prestação de contas mais clara
e mais convincente sobre os desmandos na estatal. Acima de tudo, deve resposta
a uma pergunta que os brasileiros preocupados com seu país e com o futuro de
sua maior empresa não têm como evitar: por que o Planalto não fiscalizou seus
subordinados a tempo de evitar os danos continuados?
A falta do empenho necessário na luta contra esse mal
acaba se disseminando a outras áreas. Só agora, a presidente da Petrobras,
Graça Foster, anuncia a intenção de criar uma diretoria com o objetivo de
aumentar o controle sobre os acordos fechados pela estatal.
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