Duas equipes de televisão, a Al Jazeera, inglesa, mais a
franco-alemã Arte-TV, atraídas pela repercussão internacional, foram ontem até
o Presídio Central de Porto Alegre e saíram de lá horrorizadas com o que viram
e filmaram para veiculação na França, Alemanha e Mundo Árabe.
. Ninguém do governo acompanhou os jornalistas, mas somente representantes do Fórum da
Questão Penitenciária, o presidente da AJURIS, Pio Giovani Dresch, o
vice-presidente Administrativo Eugênio Couto Terra, e a vice-presidente da
ADPERGS, Marta Beatriz Tedesco. As entidades denunciaram a crise da casa
prisional à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados
Americanos.
. A liminar concedida pela Comissão recomendando medidas
cautelares no local (e exigindo mudanças imediatas trouxe os jornalistas a
Porto Alegre. A ação foi solicitada pelo Fórum tendo em vista a falta de
condições mínimas de encarceramento no Central.
CLIQUE AQUI para ler a liminar.
. Até agora os governos do RS e do Brasil nada responderam à OEA. O governo gaúcho apenas mandou sub do sub do sub tirar uma nota escotérica sobre o ultimato. O governador Tarso Genro, ao contrário de Roseana Sarney, não está sob o fogo cruzado da mídia nacional, dos juízes, do MPE, da Assembléia, da OAB e do Senado, que diariamente pedem a cabeça da governadora, mas a presença da imprensa internacional acendeu sinal vermelho no Palácio Piratini. A mídia tradicional e a oposição ignoraram a visita dos repórteres estrangeiros no presídio Central.
. O norte-americano Gabriel Elizondo e a colombiana Maria
Elena Romero são correspondentes da Al Jazeera Inglesa no Brasil há sete anos.
Em Porto Alegre desde a semana passada para realizar a matéria, eles
demonstraram surpresa com os fatos e a situação do Presídio. Ontem, os
repórteres internacionais conversaram com três mães de detentos. Uma delcas
saudou-os com exclamações fúnebres:
- Bem-vindos ao inferno. Esse presídio é o inferno.
. O repórter também se disse impressionado ao ouvir relatos
de violação dos direitos humanos como falta de comida e até de papel higiênico.
Na sexta-feira (10/01), os dois jornalistas entrevistaram Pio Dresch. O
presidente da AJURIS enumerou as razões pela qual o Fórum solicitou a liminar e
reforçou a cobrança por ações concretas do Estado brasileiro para solucionar o
grave problema. Os jornalistas estiveram em duas das 28 galerias do
complexo, em um dos pátios, e na cozinha. Também visitaram uma ala onde estão
encarcerados 35 travestis e homossexuais. A superlotação e a falta de higiene
não passaram despercebida pelos estrangeiros. “Pessoalmente, fico meio sem
palavras. É um drama humano muito forte”, revelou Maria Elena.
* O editor trabalhou em cima do texto de Rodrigo Boba, de quem també é a foto. Rodrigo trabalha no site da Ajuris.
CLIQUE AQUI para ler a representação protocolada na OEA.