Um dia antes da audiência do STF, o procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, enviou parecer à Corte pedindo a execução imediata
das penas de 23 dos 25 réus do Mensalão.
Segundo o procurador, mesmo os réus que têm direito a um recurso que pode levar
à reversão de condenação em determinado crime, os chamados embargos
infringentes, podem começar a cumprir suas penas devido a outras condenações.
De acordo com Mônica Bergamo, da Folha, o pedido de
prisão teria antes passado pelo Planalto, em reunião com a minista-chefe da
Casa Civil, Gleisi Hoffmann. A informação é surpreendente por duas razões:
1) Envolve a própria presidente Dilma Roussef na decisão de prender imediatamente seus mais chegados companheiros de governo e do PT, o que a coloca como traidora da causa.
2) Revela uma submissão inadmissível do Procurador Geral da República, o chefe do Ministério Público Federal, às decisões do governo do PT.
Leia:
NA SALA COM JANOT
O pedido de prisão dos réus do mensalão, nesta semana,
foi precedido de um encontro entre a ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, e
de Luis Adams, advogado-geral da União, com Rodrigo Janot, procurador-geral da
República. Um dia depois, Janot assinou a solicitação encaminhada ao STF
(Supremo Tribunal Federal) pedindo a detenção imediata dos condenados.
NO QUINTAL
A reunião chegou ao conhecimento de José Dirceu e dos
deputados José Genoino e João Paulo Cunha, do PT, e se espalhou pelo partido.
Foi interpretada como um envolvimento do próprio governo de Dilma Rousseff com
a iniciativa, que surpreendeu a legenda e também os condenados. No mínimo,
dizem, o governo foi informado com antecedência.
PAUTA
Adams confirma o encontro com Janot. E diz que ele nada
teve a ver com o pedido de prisão. "Nem tocamos no assunto mensalão",
afirma. Segundo o advogado-geral, Janot pediu um encontro com Gleisi Hoffmann.
Ela decidiu visitar a PGR (Procuradoria-Geral da República). E pediu que Adams
a acompanhasse. Conversaram, segundo ele, sobre "tratados
internacionais".
RUÍDO
A interpretação de dirigentes do PT e de outros partidos
é a de que a prisão dos réus agora favorece Dilma. Na campanha eleitoral, o
impacto da medida já estaria amenizado pelo tempo. E ela não teria que
responder a acusações de que seu governo se esforçava para garantir a
"impunidade" dos petistas.
NADA PESSOAL
Uma das pessoas mais próximas de Dirceu na fase do
mensalão disse à coluna que, do ponto de vista pessoal, Dilma sempre foi uma
das lideranças mais solidárias ao petista.
ATÉ BREVE
José Dirceu passou boa parte da manhã de ontem
telefonando para familiares -- entre outros, as três irmãs, os irmãos, os três
filhos já adultos e as ex-mulheres. Dizia estar bem e pedia tranquilidade a
todos.