- A entrevista a seguir é de Mônica Bérgamo, da Folha de S. Paulo. Ela repercute enormemente em todo o País. A Folha abriu manchete para revelar que o ministro que flagela os petistas do Mensalão votou tres vezes no Lula e uma vez em Dilma. A entrevista não poderia ter saído em melhor hora para o PT, porque depois de semanas de crucifixação, o Partido vê seu verdugo dizer que votou nos candidatos dele.
- O ministro Joaquim Barboa faz pelo menos quatro revelações equivocadas, duas delas altamente preconceituosas e reveladoras de uma visão reducionista inaceitável da formação social e da atividade política:
Equívocos:
Votei tres vezes em Lula e uma em Dilma
* Ao votar pela terceira vez em Lula e uma em Dilma, Joaquim Barbosa já sabia que Lula era o chefe da organização criminosa do Mensalão, uma iniciativa do PT. O viés esquerdizante dos votos do ministro são resultado dos complexos que não conseguiu vencer no seu enfrentamento pelo êxito pessoal e profissional.
O Mensalão Mineiro tem espaço diminuto
* Não houve julgamento, ainda. Além disto, o esquema é estadual e nem de longe a organização criminosa foi montada pelo PSDB. Quando ocorrer o julgamento, a repercussão será proporcional ao tamanho do caso.
Preconceitos sociais e políticos
Toda a engrenagem no Brasil está nas mãos de pessoas brancas e conservadoras.
* São as pessoas brancas e conservadoras que transformam Joaquim Barbosa em herói nacional, porque ele defende os valores morais, éticos e legais da sociedade republicana e democrática do Brasil. Foi a que lhe deu a oportunidade de chegar onde chegou - sem quotas.
A imprensa é toda branca e conservadora
* É a que lhe apóia e garante-lhe espaço para emitir o julgamento que emite contra os bandidos do Mensalão, projetando-o internacionalmente.
Leia:
(...)
O ministro votou em Leonel Brizola (PDT) para presidente no primeiro turno da
eleição de 1989. E depois em Lula, contra Collor. Votou em Lula de novo em 2002.
(...)
O escândalo do mensalão
não influenciou seu voto: em 2006, já como relator do processo, escolheu
novamente o candidato Lula, que concorria à reeleição.
"Eu
não me arrependo dos votos, não. As mudanças e avanços no Brasil nos últimos
dez anos são inegáveis. Em 2010, votei na Dilma."
(...)
Barbosa já disse que a
imprensa "nunca deu bola para o mensalão mineiro", ao contrário do
que faz com o do PT. "São dois pesos e duas medidas", afirma.
(...)
A exposição na mídia não
o impede de fazer críticas até mais ácidas.
"A
imprensa brasileira é toda ela branca, conservadora. O empresariado,
idem", diz. "Todas as engrenagens de comando no Brasil estão nas mãos
de pessoas brancas e conservadoras."
O
racismo se manifesta em "piadas, agressões mesmo". "O Brasil
ainda não é politicamente correto. Uma pessoa com o mínimo de sensibilidade
liga a TV e vê o racismo estampado aí nas novelas."
Já
discutiu com vários colegas do STF. Mas diz que polêmicas "são muito menos
reportadas, e meio que abafadas, quando se trata de brigas entre ministros
brancos".
(...)
Diante de centenas de
grandes escândalos de corrupção no Brasil, e de só o mensalão do PT ter chegado
ao final, é possível desconfiar que a máquina de investigação e punição só
funcionou para este caso e agora será novamente desligada?
"Não
acredito", diz Barbosa. "Haverá uma vigilância e uma cobrança maior
do Supremo. Este julgamento tem potencial para proporcionar mudanças de
cultura, política, jurídica. alguma mudança certamente virá."
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* A foto ao lado, acima, é do fotógrafo da Folha de S. Paulo e ilustra a entrevista de Mônica Bérgamo.