Petrobrás ainda não disse se P-75 e P-77 ficam em Rio Grande

Nesta reportagem do Correio do Povo deste domingo, a repórter Angelica Silveira conta que autoridades, população e lideranças se mobilizam para que o Polo Naval, que levou desenvolvimento a Rio Grande nos últimos anos, não gere mais desemprego e acabe. O temor vem em função da indefinição entre a Petrobras e a QGI quanto à construção das plataformas P-75 e P-77. A expectativa era que as obras tivessem se iniciado em outubro, mas devido a mudanças no projeto, que fizeram com que a QGI solicitasse aditivo de 8% no contrato de 1,6 bilhão de dólares, isso não ocorreu. QGI e Petrobras seguem negociando um acordo.

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O prefeito Alexandre Lindenmeyer destaca que mais de 50% da extração de petróleo no país é feita em plataformas construídas no município. “A cidade tem boa logística, equipamentos de última geração e há a perspectiva de longevidade da indústria naval em Rio Grande.”Ele afirma que as duas plataformas, licitadas e não iniciadas, geram cenário com inadimplência. “Fui a Brasília, participei de audiência pública. 

Quando o representante da Petrobras não confirmou as plataformas ao falar da importância da indústria naval, passamos a nos mobilizar com reuniões representantes de sindicatos, entidades, centro de indústrias, Furg, direção do arranjo produtivo e Câmara de Vereadores para que principalmente os trabalhadores não fossem atingidos”, destacou, lembrando que além dos empregos gerados, o Polo também se reflete em outros setores econômicos da cidade. 

Entre os trabalhadores que podem ser afetados está o caldeireiro montador Sandro Ramos Barros, de 38 anos. Ele saiu de Guaíba com a família em 2007 para trabalhar no Polo.“A cidade é boa, uma das melhores opções no Rio Grande do Sul para se viver. Se eu for para um lugar maior meu salário será mais baixo.” Pelo medo do desemprego, a esposa e as duas filhas voltaram para Guaíba. “Estavam todos muito bem adaptados, mas hoje eu trabalho, não se sabe o que pode ocorrer amanhã.”

O atual presidente da Câmara do Comércio da cidade, Torquato Ribeiro Fontes Neto, acredita que a situação é difícil, mas não impossível.“O clima é de insegurança, pela morosidade na negociação, mas positivo. Estamos pelo Polo Naval, insistindo com os envolvidos. Temos mão de obra formada na cidade, mas com a indefinição o município fica órfão.” O ex-presidente da Câmara do Comércio do Rio Grande e empresário Renan Guterres Lopes acredita que as investigações de desvios de dinheiro na Petrobras dificultaram para as empresas a busca de liberação de verbas e captação de investidores no mercado naval, o que refletiu na redução do número de empregos, que hoje está em 7,5 mil. 

Conforme o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande e São José do Norte, Benito Gonçalves, a entidade entregou em fevereiro dossiê sobre o Polo Naval para a presidente Dilma Rousseff, para o ministro Miguel Rossetto, representantes da Petrobras e da bancada gaúcha na Câmara e Assembleia. “A empregabilidade é questão do governo, mas achamos por bem entrar nesta batalha, até pela grande mudança de vida do trabalhador em função de uma promessa que teríamos 30 anos de obras.” 

Produção

O Polo Naval de Rio Grande começou a se desenvolver entre 2004 e 2005 e teve ápice em 2013 quando estavam sendo construídos sete cascos pela Ecovix, três navios sonda, e a Quip, atual QGI, estava fazendo três plataformas, a P-55, P-58 e P-63, que foram entregues no fim deste ano. Na época, na cidade havia 25 mil pessoas empregadas no Polo. Dois cascos da Ecovix foram entregues. Desde o início do Polo Naval, o índice de desenvolvimento humano da cidade duplicou duas vezes e meia chegando a 0.74.

Setor impulsionou investimentos

O Polo Naval vem contribuindo para o desenvolvimento da região de Rio Grande. A Fundação Universidade do Rio Grande (Furg) realizou estudo em que prevê que, graças ao setor, o município deve dobrar sua população em 20 anos. Também foi previsto que o Produto Interno Bruto poderá tornar-se o segundo maior do Estado. Foram realizados grandes investimentos em hotéis, alojamentos, empresas de transporte, restaurantes, táxis, chegando até mesmo a faltar imóveis para morar em Rio Grande, mesmo com o surgimento de novos hotéis e pousadas. Algumas famílias alugavam residências para trabalhadores. 


Com o Polo Naval, Rio Grande recebeu seu primeiro shopping center e o segundo está para ser entregue ainda em 2015, foi duplicada a BR 392 entre Rio Grande e Pelotas e está em obra a duplicação da BR 116 entre Pelotas e Porto Alegre. Negociações envolvendo imóveis foram valorizadas em função do Polo. “A minha empresa de transportes também cresceu. Antes tínhamos nove ônibus, agora são 90, mas com a indefinição estamos usando somente 30% da frota, assim como os hotéis e pousadas, que estão com 30% de sua ocupação”, lamenta o empresário Renan Lopes, que presta serviços para a Ecovix transportando trabalhadores de Pelotas e dentro de Rio Grande.

3 comentários:

Anônimo disse...

Dos estados com saldo migratório negativo (entre migrantes que chegam e partem é maior o somatório dos que partem...) o RS é o único estado não-nordestino deste grupo. Seguramente, o êxodo de gauchos não e' apenas na tentativa de buscar temperaturas mais amenas...O pessoal tem fugido do RS porque fomos incompetentes em criar uma economia dinâmica e competitiva, e os bons empregos / oportunidades estão escassos aqui. Já passou da hora da gaúchada parar de perder tempo com inutilidades / charlatões do tipo Olivio, Tarso, Rosário, Paim, etc, e trabalhar tornar este estado produtivo, eficiente e capaz. Um bom começo é largar todo peso morto do estado (CCs, Corag, EGR, Zôo, Irga, CEEE, Carris, etc) e ser competente naquilo que faz sentido.

Unknown disse...

Meu cunhado é funcionário da transpetro e comentou que esses mafiosos políticos acabaram com a empresa. Mesmo que vá todos para a cadeia, isso ainda deixará um legado negativo por que muitos chefes dele tem medo de assinar projetos para depois não serem acusados do que fez e do que não fez.

Por que quando a situação fica pesada, a corda só arrebenta para o lado mais fraco.

Anônimo disse...

A empresa, digamos, "detentora" do pólo naval de Rio Grande, ECOVIX = ENGEVIX, atualmente está pagando os salários de seus funcionários com atraso e paga parcelado.
Se um empregado seu, dá um "chute" na bunda do chefe, ele não é demitido, porque a empresa não tem dinheiro para pagar a indenização.
Seus fornecedores não estão sendo pagos, vale aquela máxima, "devo não nego e pago sei lá quando, se pagar.
Então, o término do pólo naval de Rio Grande é questão de dias.
Empresas que lá estão, só sobrevivem com os malditos "ADITIVOS DE CONTRATO" sem estes aditivos eles quebram. E tem que quebrarem mesmo!
Porque são empresas sanguessugas do dinheiro público!

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