Sartori, foto ao lado, está menos sorridente -
O governador José Ivo Sartori confundiu-se, apresentou
contradições e foi escapista ao falar esta manhã com experientes jornalistas da
Rádio Gaúcha, RBS. Eles não costumavam ser tão duros com o governador Tarso
Genro, poupado pelo grupo dos Sirotsky durante todo o seu desastroso mandato,
mas foram implacáveis com seu sucessor, que precisa se acostumar com cobranças
cada vez mais duras - e se preparar melhor. Os 100 dias de graça que costumam ser concedidos aos novos governos está se esgotando.
O novo governo tem sido poupado pelo PT, desmoralizado pelo governo desastroso de Tarso Genro e mergulhado até o pescoço na lama do Petrolão, mas boa parte da mídia e da opinião pública não parecem dispostas a esperar mais tempo por propostas claras de enfrentamento estrutural da crise de governança e das finanças públicas do Estado.
O Estado não quer mais do mesmo.
A entrevista foi para o programa Gaúcha Atualidade.
Ao ser confrontado com o teor das críticas que fazia a
Tarso por usar os depósitos judiciais (R$ 11 bilhões em quatro anos, mais do
que todos os outros governos juntos) e, agora, utilizar R$ 300 milhões para
cobrir despesas, Sartori negou por três vezes que tenha feito isto, mesmo que
seu secretário da Fazenda, Giovani Feltes, tenha passado esta informação de
público.
Mais tarde, em nota, o governador voltou atrás e avisou
que tinha entendido mal a pergunta, já que o saque foi usado para cobrir
pagamento da prestação da dívida com a União e não para pagar salários.
Seja como for, dinheiro do caixa único e dos depósitos
judiciais não são carimbados e fica complicado saber seu verdadeiro destino.
Ao ser indagado sobre a insegurança pública, o governador
também negou que a polícia esteja atuando menos, quando é evidente que está, o
que decorre de cortes na área. Ele chegou a se irritar com o jornalista Daniel
Scola, que insistiu com a questão. Por pouco não repetiu os "meu
queridos" de Dilma:
— Aí, meu filho, eu não vou discutir publicamente algumas
questões — encerrou.
Sartori também não quis adiantar se haverá atraso no
pagamento dos servidores públicos, que deveriam receber na próxima semana:
— Até a semana que vem tem muito tempo — disse.
Apesar do bom humor que tem demonstrado em suas aparições
públicas e até nas entrevistas, José Sartori parece cada vez mais encurralado
pela falta de dinheiro e sua necessidade de cobrir despesas impostergáveis,
como as que estão relacionadas com pagamento de pessoal, saúde, educação e
segurança, pelo menos.