A jornalista Ana Esteves, Jornal do Comércio desta sexta, publicou nesta sexta-feira uma entrevista muito consistente com o ex-ministro da Agricultura, Luiz Fernando Cirne Lima. Ele tem falado muito pouco. Vale a pena ler tudo com atenção:
Ex-ministro da Agricultura volta a Esteio após 20 anos e
destaca a evolução do agronegócio gaúcho
A pista de julgamento do gado Devon na Expointer voltou a
ter um brilho especial neste ano, com o retorno a Esteio de um dos maiores
mestres da pecuária do País: o ex-ministro da Agricultura do governo Médici
(1969 a 1973), fundador da Embrapa, agrônomo e professor Luiz Fernando Cirne
Lima. Ausente da mostra desde 1993, ele ressalta as grandes renovações
vivenciadas pelo setor primário gaúcho, principalmente pela mudança de perfil,
hoje com maior foco em gestão e menos na tradição. Em entrevista exclusiva para
o Jornal do Comércio, Cirne Lima fala sobre sua volta à maior mostra
agropecuária do Estado, a evolução da pecuária, da genética e do agronegócio
gaúcho.
(...)
JC – Como fundador da Embrapa, como o senhor vê a
entidade hoje, 40 anos depois de sua criação?
Cirne Lima - O agronegócio brasileiro começa com a
fundação da Embrapa. É um marco na história econômica da agricultura nacional.
Quando fui ministro, a primeira coisa que fiz foi elencar prioridades e a
número um era tecnologia agrícola. Naquela época, final da década de 1960,
havia apenas uma lavoura tecnificada no Rio Grande do Sul, o resto era muito
primitivo, e começavam a se esboçar as lavouras de fumo. Naquele tempo, o
Brasil exportava US$ 3 bilhões em produtos agrícolas, dos quais US$ 1,5 bilhão
só de café (em 2012, as exportações brasileiras do agronegócio chegaram a R$ 95
bilhões). Isso foi muito marcante. Era preciso investir em pesquisa para possibilitar
o crescimento da agricultura para o Centro-Oeste. Mas, para isso, era preciso
conhecer e saber como melhorar aqueles solos. A Embrapa deu esse start. Isso
prova que sem tecnologia agrícola não vamos a lugar nenhum.
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