Precisamos saber, perguntar, pesquisar, investigar - e
tentar comprar também - o que a presidente Dilma anda tomando, comendo,
fumando, aspirando no ar enquanto pedala, passando no cabelo como shampoo, até
para que possamos fazer o mesmo e nos acalmar de forma divertida diante dessa
loucura que assola o Brasil
O país todo à beira de um ataque de nervos. Seja quem
quer mudança; seja os que querem continuar atarracados - ouvidos moucos, olhos
cegos, esses que, coitados, também já não sabem mais o que fazer e como continuar
defendendo o indefensável - que a vida anda bem dura para eles, hein!
A espera é difícil e nós aqui esperando sambando na
zazueira que virou. Uma presidente atônita, com os seus atonitozinhos ao redor
fazendo trapalhadas, às vezes até nos fins de semana, no exterior. Até quando
calados nos dão notícias da situação ao vermos as suas fotos estampadas nos
jornais do dia seguinte. Aliás, neste momento, nada melhor e mais significativo
do que os registros fotográficos que vêm sendo feitos nas solenidades. Dizem
tudo para bons observadores.
O problema é que o negócio todo está ficando
esquizofrênico, cada dia mais. O que acaba nos levando no roldão, e creio que
nunca se vendeu tanto remédio antidepressivo, calmantes, chás de cidreira.
Outro dia, em uma reunião com pessoas da classe dos muitos "As" soube
de uma coisa surpreendente, explicada rapidamente por um alto executivo de
banco, presente na ocasião: "É a crise". O comentário era sobre o
número de pessoas que eles conhecem que ultimamente andam abertamente aderindo
ou se aproximando de religiões, digamos, mais do balacobaco, como umbanda e
candomblé. Bem que eu já tinha observado a volta de um número grande de
despachos nos cruzamentos e encruzilhadas dos bairros nobres, feitos com
esmero, frangos robustos depositados em bonitos alguidares de barro. É. É a
crise. E é também o desespero da busca por solução - como digo, manter a cabeça
fora da água e os pezinhos batendo para não se afogar.
Os humoristas vão acabar perdendo espaço para os
políticos, para os governantes, que já devem ter descoberto a poção da Dilma.
Cunha bota a mão na boca para conspirar não conspirando; tira, para negar o
dinheiro que tem, mas não tem, porque estava no nome dele, mas não é dele,
entende? O tucano daqui fica indignado em descobrir quase um ano depois que
"alguém" tinha trancado toda a documentação de transportes do Estado
numa cápsula do tempo, que só poderia ser aberta daqui a 25 anos. Já pensaram?
A gente andando de foguetinho nas vias aéreas, indo para a Lua, ou indo passear
em Marte, e aparecem papéis revelando coisas horríveis sobre um tal Metrô que
teria existido no final do século passado e começo deste.
Enquanto isso a presidente que fez de tudo para que suas
pedaladas reais fossem vistas de forma positiva, e se esgueira toda paramentada
passeando de bicicleta no meio dos carros em Brasília, demonstra que deve ter
batido a cabeça sem capacete e misturado o tico e o teco. Souberam do discurso
do vento que devemos estocar, feito na ONU? Não?
Ipsis Litteris, ela disse: "Até agora, a energia
hidrelétrica é a mais barata, em termos do que ela dura com a manutenção e
também pelo fato da água ser gratuita e da gente poder estocar. O vento podia
ser isso também, mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento.
Então, se a contribuição dos outros países, vamos supor que seja desenvolver
uma tecnologia que seja capaz de na eólica estocar, ter uma forma de você
estocar, porque o vento ele é diferente em horas do dia. Então, vamos supor que
vente mais à noite, como eu faria para estocar isso?" Disse. Disse sim.
Pois é. Ando bem preocupada com a gente e com ela. Semana
que vem chega de novo aquele desarranjo do horário de verão (tá, se você gosta,
tudo bem, mas eu discuto e vou discutir sempre ordens vindas de cima que mudam
nossas vidas), dizem que o calor vai fritar nossas resistências alguns graus a
mais por causa do fenômeno El Nino. O PMDB vai continuar mandando, os tucanos
tucanando, um monte de peixes caindo na Rede de Marina (que também acho que
toma algum chá de cipó), o Levy teimando em bater o pé, o Lula se intrometendo
para se safar, a gente batendo panela vazia. Embora tenha quem queira que
paguemos o pato, além de dar bom dia a cavalo e amarrar o burro, com estômago
de avestruz.
Mas, Dilma, com todo o respeito, os abraços de tamanduá
vão levá-la, quase que inevitavelmente, ao canto do cisne, com lágrimas de
crocodilo.
São Paulo, nariz tapado, 2015
Marli Gonçalves, jornalista -- - Uma brasileira que já
não está entendendo mais é nada. Como sempre, pergunto: será alguma coisa que
está vindo na água?