O juiz Brzuska, na época em que desmontou um motim no Central.
A ministra Maria do Rosário foi obrigada a interromper
suas férias em Porto Alegre, reassumindo rapidamente sua secretaria dos Direitos
Humanos, sob a alegação de que precisa ajudar o governo na batalha para
circunscrever o escândalo das desumanidades que ocorrem no Presídio das
Pedreiras, Maranhão.
. Sempre falante em outros casos, a ministra gaúcha não
tem sido eloquente quando aborda a situação deplorável do presídio maranhense e
nem quando
refere-se aos assassinatos na mesma prisão.
. Sobre o Presídio Central de Porto Alegre, objeto de
duras e inéditas interpelações da OEA, nem uma só palavra.
. No RS, o governo tirou uma nota evasiva sobre o
ultimado dado pela OEA, mas o governo brasileiro tem prazo até o dia 14 para
dizer o que o governo gaúcho do PT terá que anunciar para não ser objeto de
sanções. Os membros do Fórum da Questão Penitenciária aguardarão as respostas
para agir com mais força no Estado. O governador Tarso Genro desconsiderou o ultimato da OEA, mandou um sub do sub do sub responder e entrou de férias.
. Alega o Piratini que no RS não acontecem assassinatos
como no Maranhão. Eis o que disse a secretaria da Segurança:
- Desde 2011 não acontecem assassínios no Central.
. Isto não é verdade.
. O juiz Sidinei Brzuska, da Vara de Execuções Criminais
de Porto Alegre, falando nesta quarta-feira para o Correio do Povo, disse que
os assassínios são recorrentes no superlotado presídio de Porto Alegre.
. Acontece que os presos assassinados não são
decapitados. Os assassinos são mais refinados no RS, segundo conta o juiz:
- Os assassínios são cometidos por meio de overdose de
cocaína, associada a sufocamento, dando a impressão de que o detento foi vítima
de problema de saúde. Quando ele está morto ou morrendo, os presos batem na
galeria avisando que o sujeito está passando mal. Na contabilidade do governo,
ela não vai para a lista dos assassinados.