O prefeito de
Canoas, Jairo Jorge (PT) foi o convidado para o encontro desta 4ª feira do Clube de Editores e Jornalista de Opinião do RS, que se realizou no Hotel
Everest, em Porto Alegre.
Durante duas
horas, ele respondeu a perguntas de 20 jornalistas presentes, dando
opiniões fortes. Depois dessa conversa informal, ele que é jornalista por
formação, foi provocado o pelo colega José Antonio Vieira da Cunha
(Coletiva.net) que queria saber qual seria a manchete que ele colocaria numa matéria sobre o
encontro. A resposta é a sentença que vai de titulo desta nota: “Ou o PT muda,
ou acaba como utopia”.
Aliás,
opiniões e frases fortes, sem fugir da raia, foi a tônica da conversa que Jairo
Jorge fez com os jornalistas do Clube. Abaixo algumas delas:
- “O grande
erro de Lula foi não ter feito a Reforma Política, quando ele tinha tudo para
fazer e poderia ter feito”;
- “Eu não
aplaudi o João Vaccari no Congresso do partido, que mais parecia um bando de
avestruzes, com a cabeça enfiada na areia, deslocados da realidade” ;
- “Aqui na
Assembleia Legislativa, no caso da discussão do pacote do governador Sartori, o
PT agiu como se fosse o PSOL. Nós, que governamos o Estado por oito anos,
deveríamos ser propositivos, apresentar alternativas, e não, simplesmente,
sermos contra o pacote. Agimos como um genérico do PSOL”;
- “A
sociedade brasileira é permissiva. Temos que mudar a política, mas temos que
mudar, também, a sociedade”;
- “Sou
favorável ao fim do financiamento privado de campanhas. Isso vai ser bom pra
política. Temos que voltar à política de raiz, a da conversa direta com o
eleitor”;
- A
presidenta Dilma não tomou decisões estruturantes, em seu primeiro governo, não
fez uma única PPP, por exemplo. Perdemos uma grande oportunidade de modernizar
o Estado brasileiro”
- “O Brasil
era a bola da vez, se o governo tivesse pensado de forma estratégica, no
futuro, podíamos ter um novo País, uma realidade diferente”;
- A crise é
grave. A presidenta e sua equipe pensam que é uma crise meramente econômica.
Não, ela é uma crise institucional, política e ética, também”;
- “Sou a
favor do parlamentarismo e do voto distrital”;
- “Acho que a
presidenta não renuncia. Mas, ela tem que reagir, urgentemente. Uma saída seria
chamar as oposições e propor um governo de coalizão nacional, uma espécie de
parlamentarismo de fato”;
- “Existe o
risco real de impeachment, embora o PT ache que não”;
- “O
Mercadante é um autista político, criou um mundo próprio e vê a realidade sob
uma ótica pessoal. Uma parte do PT age igual, acreditando que a crise é apenas
uma marolinha”;
- “O PT tinha
que se abrir para a sociedade”;
- A Dilma não
está escutando o Lula. Ele seria mais afeito à ideia de um governo de coalizão”;
- “Vivemos a
maior crise de segurança pública da história do País”;
- “Sou
favorável à municipalização da Segurança Publica. Isso deve ser realidade num
futuro próximo”;
- “Na
sucessão em Canoas, existem três possibilidades: duas candidaturas de fora do
partido e uma candidatura própria. Acho que o PT tem que pensar em abrir mão da
cabeça de chapa. O partido tem que ter humildade, não pode querer sempre ser a
cabeça”;
- “Daqui a
quatro anos, não sei nem se o PT continuará existindo, no sentido de ainda
produzir impacto na sociedade” (respondendo se será candidato ao governo do
Estado pelo PT)
- “Tive duas
grandes decepções com o partido neste ano. A primeira foi o Congresso,
realizado em junho, quando se aplaudiu o Vaccari Neto e não se atentou para a
realidade do que estava acontecendo no País. E a segunda foi agora, neste
processo de aumento do ICMS proposto pelo governador Sartori. O PT deveria ser
propositivo e não apenas ser contra por ser contra”.