A ilustração é escolha do editor.
Leonel Brizola antecipou-se (em muito) às táticas e à terminologia dos marqueteiros políticos. Dizia –e praticava– que no debate eleitoral era necessário apontar “1 diabo” –1 tema ou personagem inimigo a quem se prometeria combate e que, nessa luta virtual, garantiria o que hoje se chama “o controle da narrativa“.
Faz parte da política, desde sempre e em todos os lugares. Collor com os marajás, o primeiro Lula com as elites, Bolsonaro contra o petismo, Trump contra quase todos. Enfim, cada um constrói seu diabo e torna-se sócio dele. Quanto melhor a escolha, maiores as vitórias.
O único problema é que estas narrativas geralmente colocam os debates na direção oposta ao que realmente interessa. E acabam, muitas vezes, prejudicando a análise e a solução do que prometem.
Caso emblemático é a decisão em curso no Supremo Tribunal Federal. Armou-se, de forma esquemática, a narrativa “garantias x impunidade“.
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