Neste artigo de Mariza Abreu (foto ao lado), ex-secretária estadual da educação, intitulado "Mais aprovação e menos aprendizagem", a educadora gaúcha dispara críticas oblíquas a práticas que já foram denunciadas ao editor várias vezes por leitores atentos. O próprio título do artigo publicado no jornal Zero Hora de hoje, "Mais aprovação e menos aprendizagem", remete ao nada investigado caso denunciado, ou seja, de que o atual governo aprova mais e ensina menos, entre outras razões para atender conceitos ideológicos reducionistas e também conseguir melhores resultados no Ideb.
. Leia:
O Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é calculado com um indicador de
rendimento, resultado da taxa de aprovação, e a nota média padronizada em
Português e Matemática, obtida no Saeb para o ensino fundamental privado e
médio público e privado e na Prova Brasil para o ensino fundamental público. Ao
criar o Ideb em 2007, o MEC fixou metas para a educação brasileira alcançar a
qualidade educacional dos países da OCDE em 2021. Fixou também metas
intermediárias e diferenciadas para o Brasil, Estados, Municípios, redes de
ensino e escolas.
Alcançadas em 2007, 2009 e 2011, em 2013 as metas
nacionais não foram atingidas nos anos finais do ensino fundamental e no médio.
Nos anos iniciais, o Brasil e a rede estadual do RS ultrapassaram as metas de
2013, com melhora constante da aprovação e aprendizagem. Porém, ao contrário do
esperado, melhores resultados no início da escolarização não têm se refletido
nos demais anos letivos.
Atingidas em 2007 e 2009, as metas do MEC para os anos
finais do ensino fundamental da rede estadual do RS não foram atingidas em 2011
e 2013, pois a aprendizagem dos alunos piorou nas duas últimas edições da Prova
Brasil.
No Brasil o Ideb do ensino médio não atingiu a meta de
2013. No RS a rede estadual só alcançou a meta do MEC em 2009. A aprendizagem,
que crescera de 2007 (4,83) para 2009 (5,16), caiu em 2011 (4,80) e 2013
(4,72). Mas a aprovação, que antes crescera um ou dois pontos (0,68 em 2005,
0,70 em 2007, 0,71 em 2009, 0,72 em 2011), cresceu seis pontos em 2013 (0,78).
Portanto, nos anos finais e no ensino médio, o Ideb da
rede estadual aumentou, mas não atingiu a meta do MEC e os alunos aprenderam
menos. É preciso aumentar a taxa de alunos aprovados no ensino gaúcho, mas não
por uma ação deliberada a qualquer custo. O Ideb do RS cresceu com mais
aprovação e menos aprendizagem.
No RS, o melhor aprendizado em 2009 pode ter decorrido do
uso dos resultados da avaliação estadual realizada de 2007 a 2010, com a mesma
metodologia do Saeb e Prova Brasil. Já em 2008, 50% dos professores declararam
ter usado os resultados de 2007. O Saers e as Lições do Rio Grande,
implementadas como apoio às escolas, foram substituídos pelo Ensino Médio
Politécnico, decidido de cima para baixo.
É hora de rever a política educacional, com mais uso dos
resultados das avaliações externas, definição da base nacional comum curricular
e ENEM com avaliações diferenciadas por áreas do currículo.