Saiba quem desenhou a atual marca do governo do RS

A marca atual do governo, que é muito boa, foi resultado de um braim storm coordenado pela própria Yeda. Fizeram parte da mesa as agências DCS, SLM e Novacentro.

Simon vai anunciar que o PMDB terá candidato próprio ao Piratini

Ao admitir que o PMDB poderá ceder o vice a Yeda em 2010 (com Mendes Filho), na reunião que teve sexta-feira com a governadora em Xangri-Lá, o senador Pedro Simon parecia ter renunciado à candidatura própria.

. Nada mais falso.

. A hipótese foi apenas uma das alternativas examinadas por Simon para o ano que vem. Além disto, Simon queria provocar o ex-governador Rigotto e o próprio Partido, esnucando-os com uma proposta irrealizável, mas possível.

. Depois de conversar com as principais lideranças do PMDB, dois dias depois, ainda em Xangri-Lá, o que ficou decidido é que Simon virá a público para anunciar que o Partido terá candidato a governador no ano que vem. A decisão foi unânime. Os mais decididos, surpreendentemente, foram o ex-governador Rigotto e o prefeito José Fogaça.

. O PMDB terá candidato próprio e ele sairá de uma lista de apenas dois nomes: Germano Rigotto ou José Fogaça.

. Todo o restante é conversa para desviar conversa.

Rigotto quer o PMDB fora do governo do RS

O ex-governador Germano Rigotto não perdoa uma só das estocadas que Yeda e seus secretários desferem contra o seu governo.

. Por ele, o PMDB não teria embarcado no governo e por ele o PMDB sairia agora mesmo do governo.

Saiba o que chateia o PTB no governo Yeda

A ida do vereador Eloy Guimarães para a secretaria da Administração (a data da posse ainda não foi marcada) foi uma decisão pessoal da governadora Yeda Cruius. É que Guimarães, que é suplente do senador Pedro Simon, ganhou a simpatia de Yeda quando integrou o chamado Gabinete de Transição no ano passado. O PTB foi comunicado sobre a escolha, mas posou como dono da indicação.

. Apesar das simpatias mútuas e juras de amor eterno, no final de semana as relações entre Guimarães e Yeda passaram por pequeno ruído. É que o novo secretário não pode escolher sequer seu adjunto.

. Como não pode reclamar diretamente ao bispo, o novo secretário e o seu Partido, o PTB, foram ao chefe da Casa Civil para dizer que na secretaria da Adnministração não existe lugar para o secretário e seu novo adjunto.

- O PTB está contrariado com o incidente porque já perdeu a metade das posições que lhe foram prometidas e entregues no início do governo. O combinado era de que algo como 11% de postos relevantes (secretarias, secretarias ajuntas, presidências e diretorias) iriam para o Partido, mas a fatia caiu para 6% e diminuiu. O PTB quer saber se o governo não o quer no governo.

Braskem inicia obras de nova unidade em Triunfo

A Braskem informou nesta segunda-feira (26) que iniciará as obras de sua nova planta para produção de polietileno verde, em Triunfo (RS). A unidade produzirá 200 mil toneladas de polietileno por ano e estará em operação no fim de 2010.

. O projeto é de R$ 500 milhões.

. A Licença de Instalação da planta foi concedida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) no início de janeiro.

Bovespa em alta de 1,67%; dólar é vendido a R$ 2,312

O Ibovespa firmou-se em território positivo e às 15h30 avançava 1,67%, aos 38.768,4 pontos seguindo o comportamento positivo das Bolsas norte-americanas. Na sessão anterior, o mercado de ações brasileiro encerrou o dia com avanço de 0,63%.

. Já o dólar comercial caía 1,15%, negociado a R$ 2,312 na venda.

PT e PDT, minoritários, anunciam que vão governar juntos à Assembléia

A bancada do PT na Assembléia do RS divulgou nota ainda há pouco onde avisa que fará um inédito compartilhamento de mando neste ano e no ano que vem, do qual foram afastados todos os demais Partidos. O PT tenta atrair o PDT para uma aliança com vistas às eleições do ano que vem para o governo do Estado e esta parceria pode ser o embrião de um entendimento.

. O anúncio será feito por Olívio Dutra e Bolzan Júnior, presidentes do PT e do PDT. Os dois Partidos andavam afastados desde que o próprio Olívio, no seu governo, atraiu o filho de Brizola, provocando as iras do ex-governador, já que ambos estavam rompidos. O incidente levou o PDT a sair do governo.

LEIA a surpreendente nota:

Nesta segunda-feira (26), às 14 horas, as lideranças do PT e do PDT na Assembleia Legislativa anunciam o processo de gestão compartilhada do Parlamento nos anos 2009 e 2010, em entrevista coletiva na Sala Salzano Vieira da Cunha, 3º andar do parlamento gaúcho. Este ano, a presidência será ocupada por Ivar Pavan (PT) e Giovani Cherini (PDT) será o primeiro secretário e presidente no próximo ano. Estarão presentes os presidentes dos partidos Olívio Dutra (PT) e Romildo Bolzan(PDT), além de deputados e assessores. "Algumas diretorias, coordenações e assessorias serão presididas pelo mesmo titular por dois anos para dar continuidade ao trabalho de fortalecer o Parlamento", informa Pavan.

A cartilha dos guerrilheiros do MST

A barbárie, embora não seja exatamente uma novidade na trajetória do MST, é um retrato muito atual do movimento, que festejou seu aniversário de 25 anos na semana passada. Suas ações recentes, repletas de explosão e fúria, já deixaram evidente que a organização não é mais o agrupamento romântico que invadia fazendas apenas para pressionar governos a repartir a terra. Agora, documentos internos do MST, apreendidos por autoridades gaúchas nos últimos seis anos e obtidos por VEJA, afastam definitivamente a hipótese de a selvageria ser obra apenas daquele tipo de catarse que, às vezes, animaliza as turbas. O modo de agir do MST, muito parecido com o de grupos terroristas, é uma estratégia. A papelada – cadernos, agendas e textos esparsos que somam mais de 400 páginas – é uma mistura de diário e manual da guerrilha. Parece até uma versão rural, porém rudimentar, do texto O Manual do Guerrilheiro Urbano, escrito por Carlos Marighella e bússola para os grupos que combateram o regime militar (1964-1985). Os documentos explicam por que as ações criminosas do movimento seguem sempre um mesmo padrão.

CLIQUE na imagem acima para ler a reportagem completa da revista Veja.

Porto Alegre tem a quarta maior inflação entre capitais

A inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC-S) registrou alta em cinco das sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) na passagem da segunda para a terceira semana de janeiro. Com a nova alta, Salvador registrou, pela segunda semana consecutiva, a maior taxa entre as capitais, de 1,35%.

. O indicador também acelerou-se em Belo Horizonte, onde passou de 0,94% para 1,16%; Brasília (de 0,75% para 0,90%); e Porto Alegre (de 0,28% para 0,61%). Em São Paulo, a taxa passou de 0,23% para 0,45%).

. Na ponta contrária, o IPC-S recuou no Recife, de 0,64% para 0,48%, e no Rio de Janeiro, de 1,24% para 1,16%.

Tarso Genro errou feio

O ministro da Justiça Tarso Genro confundiu refúgio com asilo político, e isso pode fazer o Supremo Tribunal Federal decretar a extradição do terrorista Cesare Battisti para a Itália.

. Segundo um ex-ministro do STF, Genro poderia ter concedido “asilo”, jamais “refúgio político”, como o fez. Asilo e refúgio são institutos jurídicos diferentes.

. Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos.

. A informação acima é do site de Claudio Humberto.

Wal-Mart adquire maior supermercadista do Chile

A Wal-Mart Stores adquiriu o uma 58,2% de participação da Distribución y Servicio D&S, assumindo assim o controle da maior rede de supermercados do Chile.

. A cadeia chilena detém 30% do mercado do país, com vendas anuais de mais de US%$ 3,8 bilhões e cerca de 35 mil empregados.

. A Wal-Mart, que adquiriu mais de 180 lojas, 10 shopping centers e 85 escritórios de serviços financeiros da D&S, está se expandindo nos mercados emergentes mais rápido do que nos Estados Unidos.

FMI: mundo pode crescer só 1% este ano

O Fundo Monetário Internacional reduzirá, de 2,2% para 1’% a 1,5%, a projeção de crescimento da economia mundial este ano. A desaceleração de emergentes como o Brasil pesou no corte.

Carla Bruni na RAI: "Jamais defendi Battisti".

Um membro do governo italiano acusou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e sua esposa, a franco-italiana Carla Bruni, de terem pressionado o Brasil a conceder o status de refugiado político ao ex-militante de extrema esquerda Cesare Battisti.

. Ontem mesmo, em entrevista à RAI, Carla Bruni chamou a acusação de "calúnia" e negou qualquer tipo de envolvimento no caso e com Battisti, condenado a prisão perpétua na Itália. "Não tive nenhum papel, absolutamente não, e estou muito surpresa com o modo como este boato cresceu. Jamais defendi Battisti e estou contente de poder responder a esta pergunta e poder dizer isso também aos familiares das vítimas", disse a primeira-dama, em programa difundido ontem na emissora de TV italiana.

. "A mulher de um presidente da República jamais conversaria com o presidente do Brasil sobre algo que não tem nada a ver com a França", concluiu Bruni.

Itamaraty vai construir Anexo de R$ 140 milhões

Apesar do enxugamento da participação brasileira nos organismos internacionais, o Anexo 3 do Palácio Itamaraty já teve R$ 70 milhões, 50% do seu valor total, aprovados no Orçamento de 2009.

, A obra tem assinatura do arquiteto Oscar Niemeyer. A previsão é que o edifício seja concluído em 2010.

. O comunista Oscar Niemeyer nunca ganhou tanto dinheiro na vida quanto agora no governo Lula.

Exigência dos bombeiros suspende inauguração do Camelódromo

A poucas horas da inauguração anunciada do Centro Popular de Compras, o Camelódromo de Porto Alegre, onde foram investidos R$ 25 milhões, a prefeitura resolveu adiar a cerimônia. É que além de uma ação judicial movida pelo Ministério Público Estadual, preocupado com a falta até mesmo do "Habite-se", neste sábado surgiram novas exigências do Corpo de Bombeiros. O que exigiram os bombeiros:

- um degrau que dá acesso à Avenida Mauá. Eles pedem que seja substituído por uma rampa.

- instalação de válvulas de gás coletivas em um local protegido e arejado.

. A Smic avisou que não há mais data marcada para a inauguração, mas os 830 camelôs selecionados para rabalhar no local já começaram suas mudanças e alguns deles abriram as portas.

País recuou da decisão de comprar menos gás da Bolívia.

O leitor Carlos Eduardo acaba de postar a nota a seguir, que transcreve uma reportagem que interessa ao RS, porque revela interesses dos governos do Brasil e da Argentina que se desdobram sobre a usina térmica da AES em Uruguaiana, cujo suprimento de gás foi interrompido há alguns anos por ordem do governo de Buenos Aires.

. É cada vez mais claro e evidente que as térmicas devem estar supridas de combustível para eventual solicitação do ONS. No caso da Usina de Uruguaiana é ainda mais importante pela localização no sistema elétrico brasileiro onde de certa forma equilibra a tensão e dá confiabilidade em caso de queda de linhas de 230KV que abasteçam o Oeste gaúcho.

Relatório do ONS justificou religar térmica, afirma governo
Autor(es): ELIANE CANTANHÊDE e HUMBERTO MEDINA
Folha de S. Paulo - 13/01/2009


CLIQUE aqui para ler a reportagem completa.

Investidores chineses desembarcam semana que vem no RS

Uma delegação de empresários e dirigentes chineses desembarcará em Porto Alegre na semana que vem para negociar investimentos no RS. Os chineses já definiram duas áreas onde pretendem investir:

- Um presídio de segurança máxima.

- Construção de estrutura rodoferroviária entre Porto Alegre e Pelotas, que dá acesso ao porto do Rio Grande.

- A articulação com o governo e os empresários chineses vem sendo feita pelo deputado Claudio Diaz, do PSDB do RS, que acaba de regressar de Pequim.

Exclusivo - Saiba como foi o duro debate sobre a marca do governo Yeda Crusius

A nova crise que ameaça se abater sobre o governo gaúcho em função da decisão da governadora Yeda Crusius de extinguir o seu Conselho de Comunicação Social, começou nesta quinta-feira ao final da apresentação de Luciano Deos, diretor-presidente do GAD – maior consultoria de branding e design do Brasil – no Centro de Treinamento da Procergs, na zona Sul de Porto Alegre. O dia foi dedicado pelo governo gaúcho à chamada "imersão". Participaram o 1º e 2º escalões, mais os chefes de gabinete e coordenadores das assessorias de imprensa do governo Yeda.

. GAD’ e o próprio Luciano Deos nunca se meteram com governo e sobretudo com o chamado marketing político. Não é o negócio deles. O que propuseram foram conceitos novos para o governo, que não tem problema de conceito, mas de comunicação, que precisa de centralização. Yeda tem errado muito na área, a começar por submeter tudo à secretaria Geral do governo, que não tem nada a ver com a história e nem teve e não tem titulares cuja expertise comprove conhecimento na área. Lula passou por equívos semelhantes, até criar um ministério para o jornalista Franklin Martins, dando-lhe autoridade única e poderes para agir.


. Depois de palestras repetitivas sobre ajuste fiscal e números relacionados à gestão promovida pelo governo Yeda, com intervalo para um cafezinho, Luciano Deos conduziu uma ginástica laboral, distensionando os nervos de todos para a sua apresentação da "nova marca" do governo gaúcho. "Marca", aqui, não se trata de uma nova logomarca ou slogan do governo (o atual é "Coragem pra fazer"). A sua empresa preparou um estudo sobre a "identidade" do governo Yeda. Por 40 minutos, Deos falou sobre as características que identificam a administração Yeda, que estaria fazendo um governo ousado, visionário e realizador, tendo como personalidade a transparência, a responsabilidade e a determinação.

. Em síntese, Deos defendeu a idéia de que a essência do governo Yeda é ser um governo "diferente".

- Como diferente é o Rio Grande do Sul e o povo gaúcho, que gosta de propagar isto aos quatro ventos, e diferente como é o mundo atualmente. Da essência de ser "diferente", nasce a "identidade" do governo Yeda e a sua missão administrativa na seguinte frase:

- Um governo que faz diferente, mais e melhor.


. Esta seria a marca do governo Yeda. Não se trata de um novo slogan nem uma nova logomarca do governo. Este conceito é a marca simbólica, o DNA, que deve orientar toda a equipe do governo. Segundo Deos, esta marca deve inspirar e mobilizar todos os integrantes do governo. Para finalizar, o consultor deixou uma espécie de "carta-compromisso" no telão, um texto-base que refletia este novo posicionamento do governo Yeda. O auditório repleto aplaudiu.

. Sem entusiasmo. Luciano Deos parecia ter falado como um executivo de marketing fala para um grupo que nada tem a ver com business.


Crusius desconstrói tese e ações propostas pelo GAD’

O secretário geral de Governo, Eric Camarano, que também comanda área de Comunicação, abriu o microfone para o público. Carlos Crusius foi o primeiro a se inscrever para falar. O "professor", como é chamado internamente no governo, pegou o microfone e começou uma fala sizuda e ácida, características incomuns de sua personalidade, sempre tido como pessoa afável, bem-humorada e conciliadora.

. A sua tese fundamental é de que tinha dúvidas sobre a conveniência deste novo posicionamento do governo Yeda. Sua fala foi curta e devastadoramente consistente:

- Há dois grandes perigos nesta mudança de rota. O primeiro é que a palavra "diferente" normalmente exclui e não inclui, como é o objetivo deste governo. Ser diferente é se colocar em outro patamar, talvez até num patamar arrogante, criando um distanciamento entre o governo e as pessoas. O segundo é que o novo posicionamento é inferior ao atual, não exprime o DNA deste governo, que, em suma, tem como maior mérito o fato de ter coragem para fazer. Somos diferentes como todos os outros governos foram. O Olívio foi diferente. O Britto. O Rigotto. Ser diferente não nos explica. A coragem para fazer, sim. Esta marca – a coragem de fazer – só está sendo percebida e assimilada pela população gaúcha agora, num processo crescente nos últimos 60 dias.

. O auditório silenciou. Quando voltou para a platéia, pelo corredor central, Carlos Crusius recebeu inúmeros cumprimentos, alguns entusiasmados, com abraço em pé, saudações de mãos e tudo o que caracteriza a aprovação ao que foi dito.

. O novo posicionamento encomendado pelo governo e feito pela consultoria GAD sofrera um golpe mortal.

. A intenção da governadora em sair da "imersão" e comunicar em entrevista coletiva o novo posicionamento do governo, caiu por terra, mas o governo teve coragem de colocar o assunto em discussão, aceitou o contraditório e soube recuar diante dos melhores argumentos.

Daniel e Eric confrontam Crusius, mas não convencem.

Rogério Porto, secretário de Irrigação, que foi o segundo a se inscrever, subiu ao palco e disse: "Depois de tudo que ouvi, não tenho mais nada a falar; só a pensar". E desceu.

. A reação contrária ao discurso do professor veio com o secretário Daniel Andrade, amigo de Deos e um dos responsáveis pela sua contratação, assim como Eric Camarano. Ele falou que discordaria pela primeira vez do "professor". E fez uma defesa apaixonada – e arrogante – do conceito "diferente".

- Somos diferentes de todos os outros governos sim, porque, para citar um exemplo, retomamos 120 obras de recuperação das estradas gaúchas, mas de um jeito diferente, sem atender os pedidos e as pressões de prefeitos e vereadores, enfim, sem fazer politicagem.

. Num auditório composto por 80% de políticos, seu pronunciamento acabou por reforçar ainda mais os questionamentos de Carlos Crusius. "É desta arrogância do diferente (a de Andrade e Eric), de se achar melhor do que os outros, que o professor se referia", comentou um chefe de gabinete de uma secretaria estadual.

. A polêmica se instalou. Vários secretários levantaram as mãos, pedindo espaço para falar. Quem subiu ao palco na sequência foi nada mais nada menos do que a filha da governadora, Tarcila Crusius. Em tom forte, contrariou a tese do seu pai e defendeu o posicionamento da GAD. Carlos Crusius saiu do fundo do auditório e pediu réplica. A governadora disse que ele não poderia falar mais.

- Vamos parar com isso, virou uma questão familiar, isso aqui tá parecendo nossos churrascos de domingo, em que os vizinhos acham que a gente vai se matar", interveio, provocando risadas na platéia. Carlos Crusius sentou na frente, com cara de poucos amigos.

. O chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, que estava ao lado de Yeda na primeira fila, pegou o microfone. "Eu tenho uma sugestão, porque não passamos a dizer que somos um governo que tem coragem pra fazer diferente?", perguntou. A proposta conciliadora recebeu apoio maciço de todos.

. Antes que a polêmica continuasse, a governadora interrompeu.:

- Agora chega ! A discussão continua lá em casa. Agora, quem vai falar sou eu.

Exclusivo - Conheça a fala franca de Yeda para o secretariado

Confira abaixo algumas frases ditas pela governadora Yeda Crusius nos seu pronunciamento final na reunião de imersão a que submeteu os 200 mais importantes membros do seu governo, quinta-feira, em Porto Alegre. Yeda deixou claro que o governo não acabou com a conquista do déficit zero (o objetivo deveria ser alcançado ao final de quatro anos, mas o resultado saiu já no segundo ano, produzindo letargia em quase todo o governo, que se considerou com missão cumprida). Nas entrelinhas, a governadora deixou claro que é candidata a um novo mandato.

. O discurso foi muito forte e é esclarecedor. LEIA os trechos mais importantes (este material é exclusivo e foi levantado pelo editor junto a pelo menos 5 dos participantes, todos de Partidos e tendências diferentes um do outro):


- Eu não fui eleita pra manter o mesmo. Eu vim pra fazer diferente. Diferente inclusive do que fiz nos dois primeiros anos de governo.

- Fizemos o ajuste fiscal e alcançamos o déficit zero um ano antes do prometido na campanha. Mas meu mandato não terminou. Não haverá outra eleição agora. Ainda tenho dois anos de governo. Temos muito mais a fazer. Na verdade, fizemos muito pouco. Eu quero mais. E melhor. E quatro anos é muito pouco pra fazer tudo que temos de fazer para o Rio Grande.

- Tanto sou diferente que nomeio, em plena democracia, um general para comandar a segurança do Estado. [Referindo-se a Edson de Oliveira Goulart.] E escolhi um vereador para ser secretário. O PTB acha que foram eles. Mas fui eu, que o conheci no Gabinete de Transição". [Referindo-se a Elói Guimarães, novo secretário de Administração].

- Sou diferente porque propus uma pauta moderna, a compra de um avião para o governo do Estado. Não é pra mim, é para o Estado. Quando este avião chegar, talvez eu já esteja longe. O que os gaúchos precisam decidir é se o governante deste Estado deve continuar andando de carroça ou se seria mais produtivo andar de jato, como fazem outros governadores.

- Temos que parar com esta síndrome de coitadismo. Esse pensamento pequeno que atinge parte da imprensa e de vocês mesmo. Vocês acham que não ouvi muito de vocês torcendo o nariz para a compra do avião. Ora, por quê? Coragem, vamos, coragem para fazer o que temos que fazer.

- Vocês morrem de medo de mim, que eu sei. Só não sei a razão[referindo-se aos secretários]

- A primeira coisa que o presidente Lula fez foi manter o controle da inflação do Fernando Henrique Cardoso. A segunda foi comprar um avião. Porque ele queria ser um líder mundial. E é. Porque tem um avião. Sem o avião novo, andando com o sucatão, certamente não seria.

- Falamos várias vezes para o Fernando Henrique trocar o sucatão, que não podia descer na Alemanha porque não tinha autorização do Ministério do Meio Ambiente de lá. E ele nos dizia, mas o que vão dizer? Faltou coragem para ele fazer o que tinha que fazer.

- Eu nunca apanhei tanto como no ano passado. Sem dó nem piedade. E isso que sou mulher. Por isso que sou a favor da Lei Maria da Penha. Mas me mantive firme e deixei que quem de direito pronunciasse a minha inocência.

- Nós estamos fazendo um governo diferente, percebido pelos adversários. Ou vocês acham que eles nos tiraram R$ 4 bilhões de investimento privado para duplicar as estradas gaúchas por quê? Por medo de que a gente faça mais e melhor.

- Não quero acomodação. Quem acha que estamos com o dever cumprido, deve sair. Temos mais dois anos pela frente e temos de fazer mais e melhor.


Yeda acaba com função exercida pelo marido Crusius. Governo nega crise.

Embora a maior parte dos agentes do governo não atendam o telefone neste sábado e o responsável pela área de comunicação, Joabel Pereira, desminta qualquer ruído que possa interferir nas ações do Piratini, o editor desta página pode confirmar que a governadora Yeda Crusius extinguiu mesmo o Conselho de Comunicação Social que estava entregue ao comando de Carlos Crusius. O governo alega que o Conselho tinha perdido sua razão de ser, até por sucessivas baixas na sua composição, e que Yeda quer mexer na área para obter melhores resultados.

. O jornal Correio do Povo deste sábado deu uma linha sobre o assunto, mas não entrou em detalhes.

. Com ruídos ou não, o fato é que a extinção do Conselho, com a consequente perda de função de Carlos Crusius, produziu uma cadeia de boatos sobre o que aconteceu, porque o ato foi assinado apenas um dia depois da reunião ampliada que Yeda fez na sede social da Procergs, na zona Sul de Porto Alegre, onde se produziram fortes discussões sobre a nova marca do governo, apresentada pela empresa Gad' Design, dirigida por Luciano Deos. A exposição de Deos não agradou quase ninguém e quando estava para ser aprovada apesar disto, foi Carlos Crusius quem se levantou e em apenas cinco minutos desconstruiu de modo inteligente, culto e consistente a proposta, que estava mais formatada para o caso de uma empresa privada do que para o governo. A fala de Crusius impediu a aprovação da proposta, mas resultou em áspera discussão entre Yeda, o marido Carlos e até mesmo a filha do casal, Tarsila, que ficou do lado do Gad'. Com bom humor, a governadora encerrou o debate com esta saída, depois de ter cassado a palavra de Carlos, que tentava a tréplica (Yeda alegou que ninguém falaria duas vezes): "Isto aqui não pode parecer os nossos churrascos de domingo".
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