Na foto, Brizola conversa com um desconhecido. Ao seu lado, os filhos José Vicente, João Otávio e Neusinha. Estão todos mortes, menos o desconhecido e João Otávio.
O título da reportagem sobre o livro de João Otávio Brizola sobre seu pai, Leonel Brizola, é este: 'Meu pai sempre preferiu ficar no
ostracismo a fazer composições'. A seguir, o editor disponibiliza na íntegra a entrevista de Dione Kuhn, que obteve a entrevista do único dos filhos de Brizola que nunca gostou de aparecer.
. A frase pinçada por Dione Kuhn não corresponde à verdade, porque Brizola cansou de fazer composições, antes, durante e depois da ditadura. São emblemáticas suas alianças com os galinha-verdes, fascistas, integralistas do PRP, que tentaram depor Getúlio pelas armas em 1937; mais o acordo para eleitores trabalhistas votarem em Brossar para o Senado (na ditadura) e acertar a chapa PDT-Arena, Aldo Pinto e Silverius Kist para o governo do RS. Ameaçado no Uruguai pelos militares durante seu exílio, fez um acordo com seus arqui-inimigos dos Estados Unidos, que ajudaram a derrubar o governo Goulart, exilar e vigiar Brizola, o ex-governador fez acordo com o governo americano e exilou-se em Nova Iorque durante algum tempo. Se não tivesse feito isto, teria sido assassinado no Uruguai.
. João Otávio não pode ignorar nada disto, mas preferiu apenas ficar com o mito, escamoteando a história.
. Leia tudo:
Em sua primeira entrevista, filho de Leonel Brizola falou
sobre a relação com o pai, os problemas da família e os erros e acertos do
político
O arquiteto João Otávio, 61 anos, é o único filho de
Leonel Brizola que sempre fugiu dos holofotes e da imprensa. Ao contrário de
seus dois irmãos, José Vicente — o mais velho, morto em 2013 — e Neuzinha — a
mais nova, morta em 2011 —, nunca brigou ou desafiou publicamente o pai. Era o
filho com quem Brizola, nos últimos anos de vida, vinha conversando,
reavaliando decisões políticas, como se estivesse fazendo um inventário de sua
trajetória pública e privada.
Brizola foi prefeito de Porto Alegre, deputado e
governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Morreu há 10 anos, em 21
de junho de 2004, aos 82 anos, vítima de infarto. Por ser testemunha
privilegiada de momentos cruciais da vida do pai, João Otávio decidiu escrever
um livro de memórias — ainda sem editor (confira um trecho abaixo).
Pai de João Eduardo, João Otávio vive hoje entre o Rio de
Janeiro e o Uruguai, onde administra a fazenda que era da família e uma
academia de ginástica. É incentivador da carreira política dos sobrinhos, a
deputada estadual gaúcha Juliana Brizola, o vereador do Rio Leonel Brizola Neto
e o ex-ministro Carlos Daudt Brizola (conhecido por Brizola Neto). Os três são
filhos de José Vicente.
Durante passagem por Porto Alegre, ele aceitou, pela
primeira vez, dar uma entrevista. Falou por duas horas com Zero Hora sobre a
relação com o pai, os problemas da família e os erros e acertos de Brizola.
Por que escrever um livro sobre seu pai?
Eu tinha uma história para contar. Não tem mais muitas
testemunhas vivas para falar de todos os períodos da vida de meu pai. Minha mãe
e meus irmãos (José Vicente e Neuzinha) já morreram. Resolvi contar do ponto de
vista da nossa relação.
CLIQUE AQUI para ler tudo.