Ao lado, o senador Cássio Cunha Lima, ontem, defendendo o impeachment - Com tudo que estamos sendo obrigados a ver há
aproximadamente 1 ano, ou mais precisamente, desde 17 de março de 2014, dia em
que teve início da operação Lava-Jato, se tornou impossível compreender as
“mentes” contrárias ao “impeachment” de Dilma Rousseff.
Começo a cogitar que as mesmas mentes defensoras da
Presidenta também culparão a operação Lava-Jato, como sendo a causa da crise
hídrica em São Paulo e no Rio de Janeiro, em razão do “elevado consumo de água”
que está sendo utilizado, para limpar este país. Não há de demorar muito, para
estas mesmas mentes iniciarem as previsões de estiagem completa do Lago
Paranoá, se o foco desta operação também vier a abranger Brasília-DF.
Mas a bem da verdade, a operação “Lava-Jato” desvelou até
mesmo aos brasileiros mais céticos, que a corrupção está mesmo,
lamentavelmente, no DNA do Brasil. Algo como caçar caranguejo fora de época no
manguezal: além de ilegal, muito se suja de lama e quando se pensa que pegou
apenas um, bata puxá-lo para superfície e perceber que está preso no outro.
Enquanto os veículos de comunicação divulgaram “a rodo”,
em 05 de fevereiro, que o PT recebeu, no mínimo, US$ 200 milhões, ou seja, R$
550 milhões, no "PeTrolão", houveram vozes roucas que ainda têm não
só a audácia, como o despeito de se posicionar contra o “impeachment”.
E como um dos expoentes destas vozes se autoproclama um
“homem simples”, não vemos mal algum de colher da sabedoria popular uma medida
que acena há muito tempo no seguinte sentido:
“Com o tempo as pessoas assumem as feições que realmente
têm”.
Ainda mais quando uma delas é a contradição. No caso, uma
contradição ululante.
Não imaginem os leitores a minha tristeza ao constatar
que errei feio no meu artigo anterior, quando cogitei haver uma espécie de
Oráculo de Delfos a ser reconhecido no RS. De fato, não há. Não há porque o
Oráculo é completamente contraditório. E quando estamos a falar de contradição,
não precisa ser muito iluminado, para desvendá-la, basta lançar-se a tarefa
lúdico-pedagógica de “ligar os pontinhos”. Senão vejamos:
Primeiro pontinho:
Em 05 de janeiro o “colunista” a que me refiro se
posicionou no Jornal da Zero Hora dizendo-se, em primeira pessoa, ipsis
literis, “Eu faço parte da imprensa burguesa. É legal. Todo dia 5 recebo meu
salário direitinho e não dependo de financiamento oficial. Quer dizer: não
preciso ficar elogiando o governo. Já pensou ter de elogiar, por exemplo, a
nomeação de Aldo Rebelo como ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação?”.
Segundo pontinho:
Em 09 de janeiro o google acena que o pensador gaudério
se declarou eleitor do PT.
Terceiro pontinho:
Em 23 de janeiro, uma busca no google sugere a
constatação de que o “colunista” define como um “homem simples” (ou seria melhor
simplista, diante do que escreveu naquela ocasião?).
Quarto pontinho:
Em 06 de fevereiro o “colunista” posiciona-se
contrariamente ao “impeachment”, fundamentalmente, porque, ipsis literis,
"o impeachment de Dilma só poderia ser cogitado se houvesse prova concreta
de sua participação na corrupção, o que duvido que haja. Ou de seu conhecimento
da corrupção, o que provavelmente havia, mas que dificilmente pode-se
provar."
Não tenho absolutamente nada contra quem se posiciona
contra o impeachment, na medida em que o pensar livre é um direito
constitucional. Mas, minha tolerância, encontra seu fim quando percebo que há
uma gigantesca contradição com o que se vive, o que se diz e o que se escreve.
Façamos a tarefa de ligar os pontinhos:
Diante de tudo o que se vê na operação Lava-Jato e no
PeTrolão, temos um membro da elite burguesa, que é declarado eleitor do PT,
autoproclamado de um homem simples, que por sua vez é contra à indicação de
Aldo Rebelo como Ministro de Ciência Tecnologia e Inovação e, pasmem, que é
contrário ao “impeachment”.
É isto mesmo? Sim é isto.
Bastou ligar 4 simples pontinhos, para se ver tamanha
contradição.
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