O editor passa a seguir uma série de respostas a indagações feitas por leitores gaúchos, todos interessados em compreender melhor a natureza do apagão desta sgunda-feira no Brasil, inclusive RS, bem como buscar orientação a respeito do que pode ocorrer daqui para a frente:
Quantos consumidores do RS foram atingidos ?
O "corte" de energia foi da ordem de 500 MW
para uma demanda no Estado, às 14h37min, de 6283 MW, portanto de
aproximadamente 8%, quando a ordem alegada do ONS foi de corte de 5% na carga
do País.
Quantas cidades e de que regiões?
Atingiu 11 estados brasileiros e o Distrito Federal. No
RS, foram 359 mil clientes em mais de 50 cidades nas áreas de concessão da AES
Sul, CEEE-D e RGE.
Durante quanto tempo ?
Aproximadamente 45 minutos, entre 15 e 16h desta
segunda-feira, 19 de janeiro.
É possível quantificar prejuízos?
Até o momento as distribuidoras não contabilizaram os
prejuízos alegados pelos seus clientes.
A que se deve o apagão ?
O sistema no limite de operação e sem possibilidade de
isolamento de defeitos e nem de remanejo de carga, ficou instável e teve perda
de frequência. Para evitar o colapso, o ONS solicitou às empresas que cortassem
carga.
Há novos riscos ?
O sistema continua no limite e os reservatórios estão com
baixa capacidade. O ano de 1953 tinha sido o ano mais grave para o sistema
hídrico brasileiro de geração de energia, superado agora por dois anos
consecutivos, 2013 e 2014, de forte estiagem. Já a primeira quinzena de 2015, o cenário apresentou baixa ocorrência de chuvas no País, comparada com a primeira
quinzena de 2014, sinalizando assim outro período seco. As eólicas tem sido o
motor dos últimos leilões e não conseguem assumir esta carga. Estas térmicas
que atendem o mercado, vão ter que entrar em manutenção eventualmente. É uma
receita para crise energética. Tudo isto com um crescimento pífio da economia. O governo precisa torcer para que a recessão continue.
Por que razão térmicas como a de Uruguaiana não entram em
operação para fornecer mais energia ao sistema ? Em outros Estados, usinas
semelhantes estão sem acionamento.
O caso de Uruguaiana é diferente, porque o contrato de
fornecimento de gás foi rompido e a usina está lá se depreciando sem
combustível. Todas as usinas possíveis de serem despachadas estão fazendo isto, mas
como as hidrelétricas estão com os reservatórios na ordem de 19% de sua
capacidade, enquanto o sinal de alerta para o nível mínimo é 40%, são as
térmicas que estão em operação desde o início do ano passado, para atender o
mercado, mas estão no seu limite da capacidade de atendimento.
O RS investe pouco em geração.
55% de tudo
vem do sistema interligado.
O que se investe no RS ou se pensa investir para gerar
mais?
No último leilão de 2014, para fornecimento em 2019,
temos duas usinas previstas, uma a gás de 1.200 MW em Rio Grande e outra de 600
MW em Bagé, ambas da iniciativa privada.
O RS produz quanto da energia que consome e qual o total
consumido ? De onde vem nossa energia ?
O RS produz aproximadamente 55% da energia que consome, o
resto vem do sistema interligado através de linhas de transmissão, mas a origem
não se pode precisar, pois o sistema é interligado, mas o Sudeste é uma região
exportadora da mesma forma o sistema Norte/Nordeste.
A curto prazo, a solução é apagão ou redução de consumo ?
É importante salientar que no curto prazo, só a redução
no consumo poderá evitar novos cortes de energia. Até o final do verão,
espera-se para os meses de fevereiro e março, que são meses chuvosos no Brasil,
reversão do delicado nível de água nos reservatórios. A situação que vivemos
hoje reitera a falta de planejamento do governo federal com sistema elétrico
nacional.