Marido, mulher, companheiro ou companheira de cama, Miranda (à direita) ajudou o repórter inglês como "mula" de dados secretos furtados de governo estrangeiro e que podem servir ao terrorismo.
O texto a seguir é do jornalista REinaldo Azevedo, Veja de hoje. A edição é do editor, inclusive cortes. O governo brasileiro, hoje, está mais comedido nos seus protestos contra os ingleses, o que demonstra que pode ter agido com precipitação num caso de evidente espionagem, tráfico de dados secretos roubados de governo estrangeiro e auxílio ao terrorismo.
Pessoas que têm alguma noção do que vai pelo mundo sabem
que gays americanos e ingleses, por exemplo, se referem às pessoas com quem
vivem como “maridos” — e as lésbicas, como “mulheres”. Tentar criar caso porque
chamei David Miranda de “marido” de Glenn Greenwald, apontando um suposto traço
de “homofobia”, como fez um sujeito aí, é mesmo o último estágio de uma
miserável decadência. Prestar-se a esse papel, alugando a pena, no ocaso da
carreira, deve ser melancólico.
(...)
Chego a sentir certa vergonha da qualidade do debate que
se faz no país sobre o caso Edward Snowden-Glenn Greenwald-David Miranda. Ainda
que o ex-agente americano fosse um teólogo da democracia e do respeito aos
direitos individuais, o fato inquestionável é que ele roubou documentos que
dizem respeito à segurança dos EUA e, em certa medida, de países ocidentais.
“Roubou”? Sim, cabe essa palavra, que foi empregada pelo
governo do Reino Unido. Ainda que Snowden tivesse acesso àquela documentação,
ela era de circulação restrita. O eventual bem, se é que existe, que possa ter
feito ao denunciar supostas operações ilegais não anula aquele crime.
David Miranda, o marido de Greenwald (“parceiro” é para
jogar vôlei na praia), circulava, confessadamente, com documentos surrupiados
por Snowden, fruto de uma conduta tipificada como criminosa nos EUA e no Reino
Unido.
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