- Luciano Coutinho, presidente do BNDES, facilitará ainda mais a liberação de dinheiro para obras na América Latina, em detrimento de obras no Brasil, como é o caso do metrô de Porto Alegre, preterido pelo metrô de Caracas.
O editor falou por telefone, Skype e e-mail com conexões
que possui em Washington e Londres, onde já repercute a decisão do governo do
PT de criar uma diretoria para América Latina, Caribe e África no BNDES. Em vez de botar todo seu dinheiro no Brasil, o BNDES financia empresas brasileiras no exterior. A presença do banco na América Latina, defendida e realizada pelo governo Lula, já conduziu a um fenômeno estranhíssimo: o BID praticamente não financia mais nada na região, porque o BNDES empresta a rodo sem exigências de licitações, enquanto o banco de desenvolvimento brasileiro não exige nada disso.
. A partir de agora os megaempresários nem precisarão aguardar agenda do presidente Luciano Coutinho, porque terão uma diretoria apenas para eles.
. Segundo informação publicada na última segunda-feira no
Diário Oficial da União (D.O.), o objetivo da nova diretoria, criada por
decreto presidencial, é cuidar de assuntos relacionados a esse grupo de países.
Também foi publicado no D.O. a nomeação de João Carlos Ferraz como diretor do
Banco. Ferraz era vice-presidente do BNDES, mas foi substituído por Wagner
Bittencourt, ex-ministro da Secretaria de Aviação Civil.
. A criação da nova diretoria coincide com duas
ocorrências distintas, mas que se uniram para justificar a mudança:
1) O ex-presidente Lula faz lobby com cada vez mais
desenvoltura para dar cobertura a negócios de grandes grupos empresariais no
exterior (OAS na Costa Rica ou Odebrecht na Nigéria, por exemplo).
2) A desistência do BNDES de insistir com a política de
criação das “campeãs nacionais”, que incentivou a formação de grandes
companhias brasileiras com o objetivo de disputar o mercado internacional. Isso
ocorreu com empresas dos setores de telefonia, petroquímica, frigorífico e
celulose. Parece que a estratégia falhou e, agora, busca-se essa nova
alternativa, que é interessante , pois amplia o leque para que mais companhias
sejam beneficiadas com os financiamentos do banco.
. Em 2012, os desembolsos a empresas brasileiras com
projetos em países da África (Angola e Moçambique) somaram US$ 681,9 milhões,
valor 46% maior que os US$ 466 milhões de 2011. Já na América Latina, houve recuo nos desembolsos. Em 2012, o valor
chegou a US$ 1,1 bilhão, 34% menor que os US$ 1,6 bilhão. Em 2012, houve
negócios brasileiros na Argentina, Venezuela, República Dominicana, Equador,
Cuba, Chile, México e Paraguai.
- O BNDES já financia até o metrô de Caracas, como também
financia o porto de Mariel, sendo que nesta visita de quinta à Argentina,
poderá aprovar R$ 3 bilhões para uma nova highway. A Argentina é o terceiro
maior parceiro comercial do Brasil e o principal destino das manufaturas
brasileiras. De 2003 a 2012, o comércio bilateral passou de US$ 9,24 bilhões
para US$ 34,4 bilhões.