* Clipping www.veja.com.br, by Reinaldo Azevedo.
Ontem, li nos sites dos grandes portais que o Grupo Gay
da Bahia, chefiado por Luiz Mott, resolveu conferir o troféu, atenção para o
nome!, “Pau de Sebo” para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para o
ex-governador José Serra e para o ministro da Educação Aloizio Mercadante. Eles
foram considerados “inimigos dos homossexuais” porque teriam se oposto ao
chamado kit gay nas escolas. É uma vigarice intelectual, uma trapaça, uma
safadeza — ou os gays estariam imunes a esses males? Nenhum dos três, é
evidente, é “inimigo dos homossexuais”. Haddad e Mercadante podem ter muitos
defeitos — este, que se saiba, não! Incluir Serra na lista, então, evidencia mais
uma vez o rigor intelectual com que opera o tal Mott, professor de antropologia
da Universidade Federal da Bahia. Em outras circunstâncias, ele já teve a
chance de demonstrar que, como intelectual, é um excelente candidato a animador
de auditório… É uma vergonha!
Haddad, longe de ser “inimigo dos homossexuais”, poder
ser considerado até mais do que um “amigo”: é um verdadeiro “gayzista”. Foi na
sua gestão que se criaram os famigerados kits gays para ser distribuídos nas
escolas — a crianças do Ensino Fundamental também. Entre as pérolas que lá
estavam, vocês devem se lembrar, havia um filminho que declarava a
superioridade da bissexualidade sobre a heterossexualidade porque a pessoa
aumentaria em 50% a chance de ter com quem sair no fim de semana.
(...)
O troféu conferido a Serra evidencia a cegueira dessa
militância. O ex-ministro da Saúde merecia ser considerado, isto sim, quase um
herói — não exatamente da causa gay, mas, se me permitem, de uma causa
humanista de especial interesse para os gays. Quando o mundo praticamente não
olhava para o problema, ele foi à luta, enfrentou resistências internas, a
indústria farmacêutica, uma série de preconceitos e quebrou a patente de
remédios que compõem o chamado “coquetel anti-AIDS”. Estruturou aquele que foi
considerado pela ONU o maior e mais eficaz programa de prevenção e combate à
doença. Milhares de gays — e também de héteros e de hemofílicos — se salvaram
em razão desse programa, que, de outro modo, não teria essa extensão. Quando
governador de São Paulo, Serra criou o Ambulatório de Saúde Integral para
Travestis e Transexuais, um grupo que tem particularidade e que requer
tratamento específico.
Por que ele seria, então, “inimigo dos homossexuais”? Ah,
porque ele se opôs ao kit gay! Aí se evidencia a essência totalitária
disso que chamo “sindicalismo gay”.
(...)
- É evidente que essa é a versão, digamos, “de família”.
Não é preciso ser muito sagaz para desconfiar que, para a plateia de Mott, a
graça do “pau” e do “sebo” do título está na ambiguidade… Asqueroso! Reitero:
se Serra jamais tivesse movido uma palha em favor da quebra de patentes e da
distribuição do coquetel; se jamais tivesse criado qualquer centro de
referência de tratamento de homossexuais, se jamais tivesse salvado uma vida,
mas se dissesse favorável ao kit, então ele ganharia um “Triângulo Rosa”, que é
o troféu que o grupo confere aos “amigos dos gays”.
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