Artigo, Maria Cristina Fernandes, Valor - A plataforma Jobim

- Maria Cristina costuma assumir posições que se aproximam muito do lulopetismo, mas muitas vezes consegue superar este complexo de viralata e produz artigos de bastante lucidez, como é o caso. Leia:

Coluna foi suspensa para preservar convocação

Os leitores do "Zero Hora", de Porto Alegre, estão há duas semanas sem um dos seus principais colunistas. A seção fixa que o advogado Nelson Jobim mantinha no jornal às segundas-feiras foi descontinuada por tempo indeterminado. A suspensão de suas colunas coincidiu com a ascensão do ex-ministro de três governos, ex-ministro de dois tribunais superiores (STF e TSE) e sócio de André Esteves no BTG-Pactual, como o nome mais suprapartidário para o colégio eleitoral que pode vir a ser convocado para a escolha de um eventual substituto do presidente Michel Temer.

No seu escritório de advocacia, informa-se que a suspensão temporária se deu em função do momento político do país. O ministro temia ser mal interpretado em seus contundentes artigos. Entre seus leitores mais atentos, e não apenas dentro das fronteiras gaúchas, a suspensão das colunas foi vista como uma iniciativa de Jobim para se preservar da percepção de que poderia vir a ser o coveiro da Lava-Jato. O colunista tem o destemido mérito de cultivar a tese, cada vez mais impopular, de que não há saída fora da política. A leitura dos textos sugere que a suspeita sobre sua licença procede.


Seis dias depois da divulgação da delação dos executivos da Odebrecht, Jobim publicou coluna intitulada "A crise". Dedicou-se, no texto, a desautorizar, com seis pontos de exclamação, a validação, como prova, daquilo que fora dito pelos delatores: "Aqueles que visaram a vantagens com suas delações passaram a ser fonte da verdade absoluta (!!!). (Os corruptores passaram a ser fonte de certeza (!!!))".

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