O deputado Marcel Van Hatten ficou particularmente zangado com o trabalho ao lado. Ao vestir os macacões ligados por um tubo de borracha (cordão umbilical), crianças, uma menina e um menina, escolares de escolas públicas gaúchas, mas também homem e criança, puderam usar os zíperes para manipularem seus sexos, sem se enxergarem. Um dos zípires foi colocado na altura das nádegas e outro na altura dos seios. Marcel quer que o MPE investigue o caso.
Foram apresentados 264 trabalhos de 85 artistas em Queermuseu –
Cartografias da Diferença na Arte Brasileira. Um deles, O Eu e o Tu – Série
Roupa-Corpo-Roupa (1967), de Lygia Clark (1920–1988), consiste em dois macacões
feitos com tecido espesso e plastificado, tendo seu interior forrado com
diversos materiais (saco plástico com água, espuma, palha de aço, borracha
etc.). As duas peças são conectadas por um tubo de borracha, simulando um
cordão umbilical. Dois capuzes são usados para cobrir os olhos e os ouvidos de
quem as veste, o que faz com que os macacões possam ser vestidos por pessoas de
identidades de gênero distintas.
Eis como o jornal Zero Hora, RBS, explicou a "brincadeira":
As roupas permitem acesso ao corpo do outro por meio de
seis zíperes. Ao vesti-las, os participantes identificam as aberturas e,
introduzindo as mãos nelas, tocam-se, identificando sensações que alteram as
percepções de gênero e permitem experimentar características que não se
conformam com aspectos do feminino e do masculino. Certas noções de gênero e
sexualidade são suspensas, e a normatividade passa a residir em uma condição
provisional da psique.