Nesta edição que já está nas bancas, a revista Veja dedica-se a analisar o desmonte do orgulho gaúcho, tudo em função do estado miserável em que se encontram as finanças do governo estadual, incapaz de assegurar sequer a ordem pública.
A reportagem, assinada por Augusto Nunes, que foi diretor de Redação do jornal Zero Hora e morou longos anos em Porto Alegre, é dura ao descrever o que o jornalista enxergou nas comemorações do 20 de setembro:
A declaração de amor à autonomia político-administrativa,
reafirmada a cada 20 de setembro, colidiu neste ano com evidências contundentes
de que o Rio Grande do Sul que combateu a bala a dependência do poder central
hoje precisa mais do que nunca de socorros federais. Reflexos da dramática
mudança são visíveis a olho nu sobretudo em Porto Alegre. Na terça-feira, por
exemplo, cavaleiros, prendas e trovadores em trajes típicos comemoraram os
incontáveis entreveros com tropas do Exército imperial sob o olhar protetor da
tropa da Força Nacional de Segurança enviada pelo presidente Michel Temer, no
fim de agosto, a pedido do governador José Ivo Sartori, do PMDB. Há mais de
três semanas 120 soldados dividem com a Brigada Militar o policiamento
preventivo da capital assustada com a escalada da criminalidade, que vai
contagiando os grandes centros urbanos do Rio Grande do Sul.
Em seguida, cona Veja o que sucede de terrível na vida dos gaúchos neste momento, cujas famílias estão retidas dentro de casa e do escritório, correndo o risco de morte ao saírem nas ruas:
Os 1 418 homicídios dolosos ocorridos no estado em 2006
saltaram para 2 405 em 2015 e, só no primeiro semestre de 2016, bateram em
1 276. Os 351 assassinatos registrados em Porto Alegre entre janeiro e junho
deste ano já ultrapassaram os 283 de 2006.
Veja debocha do governador Ivo Sartori, que continua tentando justificar o injustificável:
“O que acontece por aqui não é muito
diferente do que se vê em outros lugares do país”, ressalva Sartori, um
desbocado descendente de italianos formado em filosofia que, aos 68 anos,
parece ter transferido para o bigode espesso os fios que povoavam a região
central do crânio. É o tipo de consolo que garante a insônia. Com a taxa de
34,73 homicídios por 100 000 habitantes, Porto Alegre ocupou em 2014 o 15º
lugar no ranking da criminalidade nas capitais, a uma distância amazônica da
líder Fortaleza (60,77). O mesmo índice, contudo, garantiu à metrópole gaúcha a
43ª posição no ranking das cidades mais violentas do mundo.
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