O editor passou boa parte desta quinta-feira em São Leopoldo, RS, onde conversou com o prefeito em exercício, Daniel Daudt (o prefeito Aníbal Moacir está na Feira Industrial de Hannover) e com secretários municipais, fazendo também visitas a empreendimentos das áreas da saúde e de obras públicas.
Ontem foi um dia tenso na cidade de 220 mil habitantes, meia hora de Porto Alegre, porque um locaute da SL Ambiental (grupo Solvi) estava sendo debelada através de outra empresa de recolhimento do lixo da cidade.
O prefeito Aníbal Moacir foi eleito numa coligação liderada pelo PSDB, derrotando o velho cacique local do PT, Ronaldo Zulke, que na época era deputado federal e tinha o apoio do prefeito Ary Vannazi, que estava concluindo seu segundo mandato.
O PT foi derrotado de cabo a rabo, perdendo a prefeitura e as vagas que tinha na Câmara dos Deputados e na Assembléia.
A cidade não aguentava mais a administração do PT, que passou adiante uma herança maldita (dívida) de R$ 360 milhões, não pagava as contas de luz do Hospital Centenário, o maior hospital público municipal do RS, e implementou uma gestão populista, caótica e ineficiente. Deixou também uma máquina inchada, corporativista e clientelista, que começou com 2.600 e terminou com 5.600 funcionários públicos.
O orçamento local do ano passado foi de R$ 780 milhões.
O prefeito Anibal Moacir, que é médico e sabe fazer política (seu irmão, Alexandre Machado, foi deputado federal), promoveu amplo leque de alianças para ter maioria na Câmara e com isto teve tranquilidade para reescalonar as dívidas, tirar a prefeitura do Cadin, introduzir mudanças profundas na gestão e retomar investimentos. De cara, reduziu de 27 para 20 o número de secretarias, cortou o número de CCs para a metade (239), recadastrou os servidores em parceria com a Caixa, retomou a jornada de 8 horas diárias (Vannazi tinha reduzido tudo para 6 horas), cortou horas extras e o uso de estagiários (20%), introduzindo até mesmo os pontos biométricos nas repartições.
O ponto biométrico causou tremores e reações, mas foi implantado.
Produção e produtividade ainda não são medidas, sequer a correta alocação de servidores. Aliás, o editor não conhece local algum do Brasil onde isto aconteça.
O projeto de modernização da gestão pública vai saindo, o que resultou em melhoria do resultado primário em R$ 10,3 milhões só nos primeiros 12 meses de execução do projeto. Um Grupo Integrado de Planejamento já desenha sua macroestratégia para 2030.
Com apenas dois anos de mandato, nem de longe é possível imaginar que o caso de São Leopoldo não seja de cinto mais do que apertado.
O desate do nó deixado por Vannazi e pelo PT é caso para uma década.
É como arar o mar.
A cidade foi asfixiada pela vanguarda do atraso e não se livrará tão cedo dos problemas terríveis que ela produziu nas finanças e na gestão de São Leopoldo. abatendo os ânimos das pessoas e asfixiando investimentos dos setores públicos e privados.
- O editor visitou durante uma hora e meia o Hospital Centenário, o grande problema da prefeitura de São Leopoldo (o Hospital consome R$ 96 milhões dos R$ 150 milhões gastos com saúde no município e é o maior do gênero no RS) e constatou que o cenário deixado pelo PT mudou radicalmente. O novo presidente da Fundação Hospital Centenário é o próprio ex-secretário da Fazenda do prefeito Aníbal Moacir, Gilso Gotardo, graduado em Ciências Contábeis e Adminsitração de Empresas. Além de recuperar o hospital, criado em 1930, que registrou 70 mil atendimentos em urgência e emergência, além de 12 mil internações no ano passado, ele toca com Unisinos e Hospital Mãe de Deus um ambicioso projeto que implementará na área um poderoso complexo hospitalar, destinado a tornar auto-sustentável todo o empreendimento.