A estranha operação da Refinaria de Pasadena, se tudo o
que se fala estiver correto, deu prejuízo de pouco mais de um bilhão de
dólares. Coisa pequena: o Fundo Soberano do Brasil é mais caprichado, custou
muito mais caro.
Fundo Soberano é um fundo de investimentos controlado por
Governos nacionais, para aplicar em países estrangeiros. Seu objetivo é
aproveitar sobras de recursos e, com os rendimentos, garantir projetos futuros.
A Noruega, por exemplo, criou um Fundo Soberano para aplicar a renda do petróleo,
com o objetivo de fortalecer a Previdência Social (com o envelhecimento da
população, há mais gente para receber e menos para pagar) e garantir a
prosperidade do país quando não houver mais rendimentos das jazidas
petrolíferas do Mar do Norte.
O Brasil criou nosso Fundo Soberano em 2008, quando
começou a crise da bolha imobiliária americana. Objetivo declarado pelo
ministro da Fazenda, Guido Mantega: financiar empresas brasileiras que
investissem no Exterior. E como foi usado até agora? Um bom exemplo: o Fundo
Soberano do Brasil comprou R$ 12 bilhões em ações da Petrobras. Pagou R$ 29,65
pelas ações ordinárias, com direito a voto, e R$ 26,30 pelas preferenciais, sem
direito a voto. As ações despencaram - azares de mercado. Mas, no momento em
que atingiram seu nível mais baixo, dois anos depois, o Fundo Soberano vendeu
tudo. Comprou na alta, vendeu na baixa e perdeu R$ 4,5 bilhões. Do seu, do meu,
do nosso dinheiro.
É prejuízo de uns dois bilhões de dólares. De deixar
Pasadena com vergonha.
Quem fez
O Fundo Soberano é chefiado por Arno Augustin, secretário
do Tesouro. Sempre que a pressão para tirar Guido Mantega aumenta, surgem
informações de que seu substituto será Augustin. Imediatamente Mantega passa a
ser ótimo.


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