André Gerdau, o presidente, foi levado coercitivamente para depor na Polícia Federal.
Entre os alvos, estão dirigentes da siderúrgica,
advogados e conselheiros do Carf, ligado ao Ministério da Fazenda; eles devem
responder por corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência
A Polícia Federal indiciou dezenove pessoas por corrupção
ativa e passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência, no inquérito da
Operação Zelotes que apura o envolvimento da siderúrgica Gerdau no esquema.
Entre os alvos, estão membros da diretoria da empresa, advogados e conselheiros
e ex-conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Os
nomes não foram divulgados. Os indiciamentos constam do relatório final da 6ª
fase da Zelotes, que foi encaminhado à Justiça na última sexta-feira.
Os investigadores suspeitam que a empresa tenha tentado
sonegar até 1,5 bilhão de reais por meio de lobistas que pagavam propina no
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Em fevereiro deste ano,
quando a 6ª etapa foi deflagrada, o CEO do grupo, André Bier Gerdau
Johannpeter, filho do empresário Jorge Gerdau, chegou a ser levado
coercitivamente para depor na Polícia e escritórios da empresa foram alvo de
mandados de busca e apreensão.
Ao autorizar os mandados, o juiz Vallisney de Souza Oliveira,
da 10ª Vara Federal em Brasília, afirmou que a Gerdau teve diversos julgamentos
favoráveis no Carf, entre 2012 e 2014.
Segundo a PF, o relatório tem 176 páginas e está
"fartamente documentado" com material apreendido durante o
cumprimento dos mandados na empresa. A polícia também apontou que os envolvidos
continuaram praticando os crimes, mesmo após a deflagração da Zelotes, em março
de 2015.
Em maio deste ano, a Justiça condenou nove
réus da Zelotes no âmbito do inquérito que apura a compra de Medidas
Provisórias no Congresso para beneficiar montadoras automobilísticas.