Artigo, Marta Szfredo, Zero Hora - Dias Toffoli se esforça para justificar impeachment no STF

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Desde a segunda fase da operação Compliance Zero, que apura suspeita de fraude no banco Master, Dias Toffoli retomou sua atuação exótica no caso. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que computadores e celulares apreendidos fossem levados à suprema corte. O procedimento padrão é enviar o material à Polícia Federal, que tem peritos e equipamentos para extrair dados. 

Diante do consenso jurídico de que se tratava de medida indevida, cedeu a guarda à Procuradoria-Geral da União (PGU). Nova reação quase unânime de estranhamento. Então o ministro escolheu, sem consulta prévia, apenas quatro peritos da PF que  poderão coletar informações no material apreendido.

Foi tudo tão estranho que, na quinta-feira (15), a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) afirmou, em nota, que a demora e análise do material fora das unidades oficiais de criminalística "pode levar a perda de vestígios relevantes para a persecução penal" (confira aqui).  

Ainda antes dos mais recentes exotismos, Dias Toffoli havia sido alvo de um pedido de impeachment feito por senadores da oposição. Foi um movimento político, mas quando um ministro do STF contraria as regras mais elementares de investigação, dá argumentos a ações que, em situação normal, seriam injustificáveis. 

Nesta sexta-feira (16), o jornal O Estado de S.Paulo publicou reportagem segundo a qual Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master, participou da compra de parte da fatia de dois irmãos e um primo de Dias Toffoli em um resort no interior do Paraná, avaliada em R$ 6,6 milhões. Há documentos financeiros que comprovariam a operação.

Conforme a investigação, Zettel era cotista único do fundo Leal, por sua vez único cotista do fundo Arleem, que fez a aquisição do Tayayá Resort. Ambos eram administrados pela Reag Trust, investigada tanto pela participação nas supostas fraudes do Master quanto por lavagem de dinheiro do PCC. Com sua atuação exótica em um caso tão perto de seus interesses e com tantos desdobramentos políticos e econômicos, o ministro se esforça para justificar o pedido de impeachment.

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