JBS pagava propina de 4% para obter empréstimos do BNDES durante os governos Lula e Dilma, diz delação de Joesley Batista

Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES.

De acordo com depoimento do empresário, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atuava para ajudar a JBS no banco de fomento; dinheiro teria financiado campanhas políticas.

O frigorífico JBS exercia influência no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, PT, de acordo com depoimento de Joesley Batista. O empresário conta que pagava para o PT, como propina, uma taxa de 4% do valor de cada contrato aprovado no BNDES, assim como dos aportes financeiros feitos por meio da BNDESpar, o braço do banco que investe em participações de empresas e é acionista da JBS.

A JBS se tornou a maior empresa de carnes do mundo com o apoio do BNDES. O faturamento da companhia saltou de R$ 4 bilhões para R$ 170 bilhões entre 2006 e 2016, impulsionado por aquisições, como a compra do frigorífico Bertin e das empresas americanas Swift e Pilgrim’s Pride, financiadas pelo BNDES.

Joesley Batista disse que abriu uma conta no exterior para fazer os depósitos referentes à propina de Mantega e que mostrava extratos para o ex-ministro da Fazenda. Mantega teria pedido a Joesley para abrir uma conta diferente quando mudou o governo de Lula para Dilma.

Joesley disse que teve reuniões com os ex-presidentes Lula e Dilma para alertar que o volume de doações estava elevado e chamaria atenção.