Ao criticar os banqueiros, Lula não mirava o BMG e o Banco Rural, mas o Itaú Unibanco

O discurso de Lula em Paris, quarta-feira, no evento promovido pelo Instituto Lula, o ex-presidente passou duas informações que demonstram o modo autista com que encara o que acontece neste momento no Brasil:

1) Posso ser candidato novamente, sim.
2) A mídia está me atacando deste modo, porque vocês sabem que os banqueiros pagam as propagandas que ela veicula.

. Ora, o maior anunciante do País é o próprio governo, dono do Banco do Brasil, Caixa Federal e Petrobrás.

. Os amigos de Lula e do PT avisaram que o discurso mirou nos Setúbal e nos Moreira Salles, Itaú Unibanco, mas não se referia ao BMG e ao Banco Rural, laranjas do Mensalão.

- O Instituto Lula não informou quem paga as despesas milionárias do Fórum promovido pela entidade em Paris. 

3 comentários:

Anônimo disse...

Do Diário do Centro do Mundo

Sobre o retorno de Marcos Valério


Até quando será tolerado no Brasil que a mídia publique acusações graves sem nenhuma prova?

E lá vem ele de novo, Marcos Valério.

Pobre leitor.

Mais uma vez, o que é apresentado – a título de “revelações” – é um blablablá conspiratório e repetitivo em que não existe uma única e escassa evidência.

Tudo se resume às palavras de Marcos Valério. Jornalisticamente, isso é suficiente para você publicar acusações graves?

Lula já não é apenas o maior corrupto da história da humanidade. Está também, de alguma forma, envolvido num assassinato. Chamemos Hercule Poirot.

Se você pode publicar acusações graves sem provas, a maior vítima é a sociedade. Não se trata de proteger alguém especificamente. Mas sim de oferecer proteção à sociedade como um todo.

Imagine, apenas por hipótese, que Marcos Valério, ou quem for, acusasse você, leitor. Sem provas. Numa sociedade avançada, você está defendido pela legislação. A palavra de Valério, ou de quem for, vale exatamente o que palavras valem, nada – a não ser que haja provas.

Já falei algumas vezes de um caso que demonstra isso brilhantemente. Paulo Francis acusou diretores da Petrobras de corrupção. Como as acusações – não “revelações” – foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, a Petrobras pôde processar Francis nos Estados Unidos.

No Brasil, o processo daria em nada, evidentemente. Mas nos Estados Unidos a justiça pediu a Francis provas. Ele tinha apenas palavras. Não era suficiente. Francis teria morrido do pavor de ser condenado a pagar uma indenização que o quebraria financeira e moralmente.

Os amigos de Francis ficaram com raiva da Petrobras. Mas evidentemente Francis foi vítima de si mesmo e de seu jornalismo inconsequente.

Por que nos Estados Unidos você tem que apresentar provas quando faz acusações graves, e no Brasil bastam palavras?

Por uma razão simples: a justiça brasileira é atrasada e facilmente influenciável pela mídia. Se Francis fosse processado no Brasil, haveria uma série interminável de artigos dizendo que a liberdade de imprensa estava em jogo e outras pataquadas do gênero.

Nos Estados Unidos, simplesmente pediram provas a Paulo Francis.

O que existe hoje no Brasil é um sistema que incentiva a leviandade, o sensacionalismo e a tendenciosidade na divulgação e no uso de ‘informações’.

A vîtima maior é a sociedade, que se desinforma e pode ser facilmente manipulada. O problema só não é maior porque a internet acabou se transformando num contrapeso e num fiscal informal da grande mídia.

Um episódio recente conta muito: foi amplamente noticiado que teriam sido interceptadas 122 ligações ‘comprometedoras’ entre Lula e Rose. No calor, o jornalista Ricardo Setti publicou em seu blog na Veja até uma fotomontagem em que Lula aparecia festivamente entre Rose e Mariza. (Depois, apanhado em erro, pediu triunfalmente desculpas, num tom de quem parecia desejar mandar às favas os fatos.)

Bem, as tais 122 ligações foram cabalmente desmentidas. A procuradora Suzana Fairbanks afirmou a jornalistas:”Conversa dela [Rose]com o Lula não existe. Nem conversa, nem áudio e nem e-mail. Não sei de onde saiu isso. Vocês podem virar de ponta cabeça o inquérito”.

Tudo bem publicar, antes, as ’122 ligações’ sem evidências? Faça isso nos Estados Unidos, e você saberá, na prática, o tormento pelo qual passou Francis.

Uma justiça mais moderna forçaria, no Brasil, a imprensa a ser mais responsável na publicação de escândalos atrás dos quais muitas vezes a razão primária é a necessidade de vender mais e repercutir mais.

Provas são fundamentais em acusações. Quando isso estiver consolidado na rotina do jornalismo e da justiça brasileira, a sociedade estará mais bem defendida do que está hoje.

Anônimo disse...

OS PETISTAS ESTÃO PEGANDO GOSTO POR PARIS.
PORQUE NÃO PROMOVEM FÓRUM EM CUBA, COREIA DO NORTE, BOLIVIA, VENEZUELA, IRÃ ?????

Anônimo disse...

Manual para entender a manipulação de notícias:

Independentemente de motivações políticas, ideológicas ou meramente de mercados, existem consensos sobre alguns aspectos tanto do jornalismo quanto da investigação criminal:

1. Jornalismo declaratório - aquele que se baseia apenas nas declarações de fontes - é lixo. É o mesmo que publicar a pauta. Em qualquer jornalismo sério, feclarações de fontes servem como ponto de partida para investigações. Depois, tem que embasar a reportagem em documentos, provas substantivas. Tanto assim, que na maior reportagem investigativa do século passado, Watergate, declarações de fontes, antes de serem utilizadas, eram checadas com pelo menos duas outras fontes. No máximo, aceitam-se declarações de fontes de ilibada reputação. Nenhum jornal sério de país desenvolvido abriria manchetes com o tal depoimento de Marcos Valério.

2. Jornalismo declaratório de fonte em off é o lixo do lixo. Isso é do conhecimento de qualquer aluno de curso de jornalismo. Nenhum jornal sério do mundo se vale desse recurso. Indague de qualquer professor de jornalismo ou jornalista experiente, qual o primeiro indício de jornalismo sem seriedade e eles responderão: praticar jornalismo declaratório em cima de fontes em off.

3. Jornalismo declaratório de fonte em off, com informações inverossímeis, só é aproveitado por tablóides. Típico episódio é a história dos dólares cubanos que teriam sido mandados para a sede do PT em São Paulo dentro de garrafas de aguardente - um dos "furos" que Carlinhos Cachoeira passou para Veja.

4. O jogo do junta os pontos. No meu livro "O jornalismo dos anos 90" relato inúmeras jogadas de "esquentamento" ou de manipulação de reportagens. Junte alguns pontos verdadeiros (por exemplo, Rosemary Noronha adquiriu um apartamento no endereço ypisilone, de valor xis, do fulano de tal). Em cima disso, junte uma declaração de fonte em off e preencha os pontos de acordo com o desenho que quiser dar.

Aí vai para vocês o PDF do livro - lançado em 2002 em cima de colunas escritas nos anos 90. Especialmente o capítulo que explica as diversas formas de manipulação da notícia.

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