Artigo, Francisco Rudiger, Correio do Povo - Moralidade em tempos líquidos.

Ignácio de Loyola Brandão usou a expressão “Não verás país nenhum” para, indiretamente, responder a Stefan Zweig, que falara do Brasil como o “país do futuro”. Talvez não seja o caso, haja exagero. Somos muitos a pensar que, na vida, só importam os negócios e negociatas. Nesse sentido, estão, por certo, abertas imensas possibilidades à nossa nação. Quem quer que se preocupe seriamente com moralidade pública e virtude cívica terá, contudo, motivos para dar razão ao romancista brasileiro: não há futuro promissor à vista. 

Sabe-se pela história que a ética é um invento cuja prática varia, e o sentido é, em geral, visto de modo contraditório. (...)

Capítulo à parte , a corrupção, via as revelações da chamada Lava Jato, ultrapassou a condição de costume tolerado para catapultar-se muito rápido a de agenda masoquista de todo um povo, teste de resistência psíquica da nossa capacidade de conviver com uma podridão política e empresarial cuja existência jamais foi motivo de dúvida por quem sabe alguma coisa a respeito do Brasil. (...)

Em resumo, poucos serão condenados; os que forem, o serão de modo anódino; e os que cumprirem pena não ficarão muito tempo encarcerados, para o alcance dos crimes que cometeram. Exceto a turma do andar de baixo, os figurões seguirão suas vidas em alto astral.

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