Artigo, Marta Sfredo, Zero Hora - É preciso acender a luz sobre a CEEE

Agora que não resta dúvida de que o governo do Estado pretende aprovar a dispensa de plebiscito para privatizar ou federalizar a CEEE na Assembleia, é preciso acender as luzes sobre a empresa. Só com esclarecimento amplo os gaúchos – tanto deputados quanto eleitores – poderão construir sua posição informada e consciente.

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Quem sugere que a empresa deve continuar pública destaca o fato de nunca ter recebido aporte do governo do Estado, apesar dos sucessivos prejuízos. Se houve tempo em que esse argumento era aceitável, já passou. Um poder que não tem recursos para pagar em dia o salário dos servidores tampouco terá para reforçar uma empresa combalida, em um setor que não considera ser típico de Estado. Também acenam com a possibilidade de receitas extras futuras, como a que no ano passado, ao menos para fins contábeis, permitiu que a companhia registrasse lucro de R$ 396,6 milhões.

A delicada situação financeira da CEEE estava clara para o atual governo desde a posse, em 2015 – para muitos gaúchos, desde muito antes, mas a data vale para fazer um corte histórico e de responsabilidades. Em mais de dois anos, pouco foi feito para enfrentar, de fato, a precariedade do caixa.

No ano passado, houve quase duas dezenas de demissões, mas o projeto de ajuste avançou pouco além disso. A falta de plano, disposição ou vontade de enfrentar o problema não é deste governo: a situação se arrasta quase sem alterações há pelo menos quatro mandatos. É hora de decidir.