Artigo, Suely Caldas, Estadão - A vez dos sindicatos

A falta de uma reforma sindical é a maior lacuna no texto da reforma trabalhista aprovada na Câmara.

O foco maior da reforma trabalhista, aprovada pela Câmara dos Deputados, foi atualizar regras na relação capital x trabalho e regulamentar o que já
era praticado sem regra alguma (o trabalho em casa, por exemplo). Como seria impossível fazer isso mudando a retalhada e septuagenária Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a saída encontrada foi submeter a legislação aos acordos negociados entre patrões e empregados, representados por seus respectivos sindicatos. O texto aprovado que segue, agora, para o Senado tem méritos e lacunas.

O mérito maior foi acabar com a contribuição sindical, que virou um cobiçado negócio lucrativo para dirigentes de sindicatos e obstáculo à verdadeira defesa dos direitos dos trabalhadores, sobretudo os mais humildes, que desconhecem seus direitos e nem sequer sabem que descontam um dia de salário para financiar quem não os defende. O fim da contribuição vai obrigar esses dirigentes a caçar filiados, incentivar sua participação, reuni-los em assembleias massivas, provar que realmente os representam e buscar acordos de trabalho satisfatórios para eles. Por isso, longe de enfraquecer, como apregoam sindicalistas, os sindicatos serão fortalecidos, não do ponto de vista dos dirigentes, mas de seus trabalhadores.

A lacuna maior é a falta de uma reforma sindical, que a trabalhista tornou inevitável.

CLIQUE AQUI para ler mais.

5 comentários:

Nereu disse...

Simples: sem contribuição sindical obrigatória, a reforma será feita automaticamente, pois irão procurar uma forma de compensar as perdas e com isso, vão ajustar as regras...

Anônimo disse...

O fim da contribuição sindical obrigatória vai atrapalhar a vida mansa dos sindicalistas pelegos. Terão que atrás da grana e isso significa trabalhar.

Anônimo disse...

Com o acréscimo de que os sindicalistas doravante terão de angariar adeptos
e ir à luta.Acabou a moleza.
Quanto a reforma dos sindicatos,a livre contribuição,já é um início de reforma dos sindicatos,pois eles não servem para nada.
Só para enriquecer os dirigentes.

Anônimo disse...

O fim da contribuição sindical obrigatória vai desequilibrar a relação CAPITAL/TRABALHO, entregando a cabeça do TRABALHADOR BRASILEIRO para os tubarões da FIESP e congêneres.

Anônimo disse...

O mérito maior e único talvez dessa pretensa reforma trabalhista foi extinguir a contribuição sindical. De resto não preencheu as expectativas. Uma reforma que preste tem que diminuir o custo do trabalhador. Um trabalhador custa quase o dobro do seu salário nominal para o empregador. Uma empresa que fatura milhões por ano nunca teve problemas de pagar esse absurdo. Mas a microempresa do seu José não tem. A "reforma" não mudou nada. Milhões de trabalhadores vão continuar na informalidade.