Carta aberta do funcionário estadual Oscar Bessi Filho: "Nós não somos vadias"

A ilustração ao lado mostra uma escola estadual fechada para os alunos. Casos como este levaram o deputado a afirmar que alguns servidores são vadios. - 


A carta aberta a seguir é de se intitula "Não somos vadios", reação a declarações do líder do PMDB na Assembléia, segundo o qual alguns servidores estaduais são vadios e não trabalham. 

O texto está disponibilizado no site do jornal Correio do Povo.

Leia:

Vou me permitir a dispensa desses pronomes de tratamento pomposos, comuns quando nós, do povão, precisamos que nos dirigir aos nossos empregados mais “elevados” (afinal, nós que os pagamos para que trabalhem para nós, não?). Até porque o senhor me ofendeu, o que automaticamente implica numa dispensa de respeito da minha parte. Que não se preocupe, não usarei. Não costumo ofender pessoas que nem conheço. E eu não o conheço.

Antes, vou explicar: sou escritor. Não vadio. Mas escritor não é profissão no Brasil, então na verdade sou Policial Militar, o único que, como escritor, tem a honra de escrever para um grande jornal em nosso país. Sou mais um soldado do povo. Não sou dado à vadiagem.

Tudo o que já escrevi na minha vida, todos os livros que publiquei, artigos, crônicas, poemas e prêmios literários que recebi, foram produtos de minhas horas de folga. Pois nem nestes momentos costumo vadiar: escrevo, leio, cuido dos meus filhos, cuidei muito tempo dos meus pais doentes, faço palestras para estudantes – caso se interesse pelo conteúdo, visite meu site (www.oscarbessi.com.br)-, associações comunitárias, igrejas, empresas ou quem mais estiver a fim de saber sobre cidadania e instrumentos de humanização para que possamos diminuir a violência cotidiana. Uma intersecção que me motiva. Enfim: o que escrevo aqui no Correio do Povo, embora eu não saiba se o tens o hábito de ler.

Hoje estou doente. Preferia, de coração, não estar, mas pago o preço de trabalhos quadriplicados e alguns senões de sobrecargas particulares. Acumulei todas as funções administrativas e operacionais de um batalhão e o autorizo a ver meu histórico policial, (sério, não me importo). Se não cansar de ler, saiba que ali verá menos de 5% de minha atuação nas ruas, ao lado dos meus soldados, algo que sempre priorizei (penso que nosso povo paga impostos para isto), mesmo sabendo que minhas atribuições burocráticas eram consideradas mais importantes. Certo, ninguém me mandou escolher esta profissão. Tampouco tolerar, passivo e obediente, o resultado histórico da falta de estrutura das corporações de segurança pública, assim como se costuma fazer na saúde, educação e outras áreas. Competência que não falta ao se dar ágil guarida a inúteis – e me questionei isto, com todo respeito, ao ler sobre a quantidade de assessores demitidos após uma crise pessoal do Deputado Jardel. Que utilidade teria tanta gente, com tão belo salário, num único gabinete? Cabem naquele espaço? Sim, estou doente e é de uma forma séria. Como outros servidores, arco com os custos dos meus remédios e tratamento, já que os médicos correm do IPE e, desamparados, temos que correr para qualquer lado. Após 25 anos e 7 meses na ativa, não pensei que passaria por uma situação assim e não aprecio vivê-la. Rogo estar bom logo, pois tenho saudade das ruas, dos meus colegas de farda, das escolas, das comunidades.

A sorte que sigo atuando em eventos como escritor, onde a arma e o conflito não estão presentes e, assim, não coloco em risco quem jurei defender. E a literatura, além de evitar um crescimento da minha doença, serve como terapia. Sim, escrevo por instinto de cidadania, mas também para me curar. E não me sinto vadio.

Perdoe por explicações pessoais. Como é carta aberta, preciso me deixar transparente. E fiquei ofendido com a afirmação sobre os vadios, pois me ela inclui de forma direta. Servi na zona norte de Porto Alegre, em Alvorada, em Canoas, além de cidades do interior. Lugares onde coisas nada fáceis foram vividas – mas que são do cotidiano policial, eu sei, como ser quase morto com um tiro no rosto, ou ver um colega morrer ao teu lado em confronto. Normal. Mas vivi momentos ímpares de felicidade em meu ofício. Quando resolvi dedicar quatro anos de minha juventude para obter meu diploma, tendo apenas alguns finais de semana para ir para casa, ou quando cheguei a trabalhar 36h ininterruptas numa viatura do 11º BPM, na capital, ou quando passei com minha equipe por cinco noites a fio enfiado no mato, em cerco de assalto a banco, não me senti vadio. Estou chateado por ser chamado assim.

Tenho colegas de farda fantásticos. Conheci professores maravilhosos. Gente que, mesmo tratados com desrespeito e descaso, seguem na luta de uma causa. Querem um mundo melhor. E não apenas para os seus filhos, mas para os filhos de todos. Essa gente batalhadora que, como eu, já frequentou tantas vezes as listas negras dos que devem na praça, essa gente que se obriga a jornadas alucinadas e triplicadas de trabalho para garantir um mínimo de sustento e uma vida decente aos seus. Essa gente, deputado, não é vadia. Um professor de 60h, que trabalha manhã, tarde e noite, que fora destes horários ainda precisar ler, planejar aulas, estudar, corrigir provas e trabalhos, não é vadio. Um soldado que leva um tiro e fica paraplégico, ao enfrentar assaltantes, não é vadio. Mas os chamaste assim.

Muitos desses servidores ainda dedicam suas horas de folga para realizar trabalhos voluntários em suas comunidades. Para mudar a vida das pessoas que o estado esqueceu. Sei disto, pois me orgulho de também participar, deputado, em algumas frentes, e tenho muitos parceiros nesta luta. Nenhum vadio.

Não somos vadios quando ficamos doentes de não suportar mais, por tantos anos sem trégua, a sobrecarga de trabalho para tentar corrigir as falhas de um estado mal administrado. Sim, mal administrado. E não posso usar outro argumento se temos Superporto, temos Pólo Petroquímico, temos REFAP, temos grandes indústrias, temos invejosa produção agro-pecuária. Aí vejo o Acre. O que tem o Acre? Por que o pobre Acre, que não tem nada disso, está melhor do que nós?

Só sei que não é por causa destes que o deputado chama de vadios. Ganhamos muito pouco para quebrar um estado tão potente. Não somos perfeitos, todo grupo humano tem seus bons e maus integrantes. Mas a explicação desta quebradeira, se é que há quebradeira, está em outras mãos, literalmente.

Não fomos nós, servidores comuns do estado, nestas lidas básicas de atender o povo nos campos e cidades deste pampa, que fizemos farras com combustíveis, diárias e por aí vai. Nem nos concedemos gordos aumentos (como aconteceu já duas vezes, em poucos anos, com os deputados estaduais), embora até precisássemos, e muito. Nós pegamos um ou mais ônibus lotados ainda na madrugada, ou pagamos combustível do nosso bolso, para ir ao trabalho. Não temos carro, gasolina e motoristas custeados pelos impostos dos cidadãos. Somos apenas cidadãos comuns, deputado.

Não somos vadios.

Espero, sinceramente, que peça desculpas aos policiais que arriscam sua vida todos os dias e noites, aos professores que são a única porta de esperança de tantos excluídos pelo próprio estado, a todos os servidores que se entregam para atender o povo gaúcho e, que por tanta dedicação sem ao menos uma nesga de respeito como recompensa, adoecem, ou têm a necessidade de parar um pouco para não morrer. Os que, hoje, precisam levar até papel higiênico ao seu local de trabalho para que um mínimo de decência sobreviva.

Minha manifestação não traz raiva. É apenas um lamento que brota desse resquício de dignidade que insistimos em carregar conosco. E sua declaração praticamente anula o efeito do todos os remédios que tomo.

Torcerei para que se desculpe. Nem com palavras, com ações. Preferimos. Um olhar mais atento e humano respeitaria quem não merece ser chamado assim.

Não somos vadios, deputado.


Nunca seremos.

19 comentários:

Anônimo disse...

De acordo com o parlamentar, boa parte do funcionalismo "não corresponde e, depois que está no cargo há tempos quer mandar mais que deputados". Ele foi especialmente crítico aos profissionais do ensino.(polibiobraga)

Pela declaração acima "querem mandar mais que os deputados" se nota perfeitamente que o mais importante é o poder, é o mando.

Deve ter "tirado" esta declaração de alguma reunião do partido.

Anônimo disse...

Nem todos os funcionários públicos são iguais. mas a verdade é que há muito funcionário público parasita mesmo.

Lfc disse...

A maioria é vadio sim...

Anônimo disse...


Este deputado demonstrou que é ignorante de marca maior. Mal sabe falar.
Como é que elegem um tipo destes ?
A resposta dos indignados foi muito branda e educada.
Este animal merecia ouvir palavras bem mais ásperas para deixar de ser ignorante.

Anônimo disse...

A declaração deste deputado com certeza apressou o governo federal em decretar de imediato o bloqueio das contas do estado.

Rio Grande esta sem representantes a altura de um estado que já foi próspero.

Anônimo disse...

Concorrente a tiririca do sul com o Sartori este deputado boca suja.

Anônimo disse...

Deputado tá certo!!!

Anônimo disse...

Políbio,

Esta mais do que na hora do Sartori dar um "soco na mesa" e mandar os barnabés ideologizados a pqp.

Os sucessivos governos gaúcho, nas últimas décadas, sofreram com greves agressivas(menos o Olívio e o Tarso) por parte do CPERS, Polícia e etc...

Os INATIVOS da Polícia Civil e Brigada Militar SUGAM o caixa do Tesouro após conseguirem aprovar, governo pós governo, LEIS VANTAJOSAS e aposentadoria em 25 anos(mesmo atrás de uma escrivaninha).

Dos professores nem vou falar, pois a indústria dos atestados médicos e licenças é PORNOGRÁFICO, os PÓS-GRADUAÇÕES FAJUTOS para subir de nível e aposentadoria com apenas 25 anos de trabalho.

Resultado: quebraram o Rio Grande do Sul.

O resto é mimimi de barnabé criado a pão-de-ló e que achava que a TETA NUNCA SECARIA. SECOU!!!!

JulioK

Justiniano disse...

Algo que chama a atenção no caso das escolas é não haver nenhum movimento das associações de pais e mestres em ser solidários aos professores, fornecendo até viveres alimentícios. Porque você passa na frente do Julinho é tem monte de carrão importado pegando os filhinhos e esses não abrem mão de receber de graça o ensino, mas nunca abrem a mão para ajudar a escola (papel A4, papel higiênico, material de limpeza) que dirá agora. Esse é pensamento dessas pessoas que sempre alegam ser dever do estado fornecer.

A solução do educação no RS é fazer todo o ensino fundamental ser transferido para os municípios e ficar somente o ensino médio com o estado. Isto está até estabelecido na constituição de 88 e isso esvaziava imediatamente esse movimento ideológico que permeia os professores estaduais.

Quando a escola é do município a comunidade colabora mais e pode cobrar mais rapidamente soluções. Tem colégio estadual que está a dois anos esperando resolver problemas de telhados e outros de sanitários em banheiro, se fosse no município isso se resolveria rapidamente.







João Paulo da Fontoura disse...


Duvido, mas duvido mesmo, que este escritorzinho petista de meia-tigela, este folicular de meio pacatão tenha, alguma vez na sua vida, conjugado o verbo TRABALHAR! Nunca! Concordo que deve haver mais recato de uma autoridade pública, nunca generalizar, mas que 50% dos servidores vicem em doce ócio, disso, ninguém tem dúvida! Quero, já, produtividade no serviço público.

João Paulo da Fontoura disse...

Todo mundo, cidadão comum, jornalista, professor, funcionário público, agarrador de lingote quente na Gerdau, pode ofender à rodo um deputado. Aí, pode! Mas, se numa crise de sinceridade ele, o deputado, afirmar aquilo que todo mundo sabe - que nossa produtividade no serviço beira ao zero, que, no mínimo, 50% não conjugam o verba trabalhar, o mundo cai! Quanto cinismo. Me admirar muito a imprensa dar bola a isso! Vão trabalhar! Se não tiver legal, peçam demissão!

Anônimo disse...

O mais triste é ver que algumas pessoas que leem esta coluna são extremamente desinformadas. Acham que os servidores públicos do executivo são na maioria vadios e ganham como marajás. Culpam os mesmos pela penúria do Estado, livrando de culpa todos aqueles que governaram o RS(executivo e legislativo) nos últimos 50 anos. Estes sim, "servidores públicos" bem remunerados, que nunca tem os salários parcelados e que fizeram o RS ser o Estado mais endividado do país. É muito fácil culpar uma categoria de trabalhadores onde 73% ganham menos de R$ 2.150,00. Pouca inteligência tem aqueles que não conseguem enxergar a estratégia do Governador para aumentar impostos, fechar alguns órgãos públicos (que eu particularmente acho necessário) e privatizar o que restou de patrimônio público (que eu também acho que tem que vender mesmo, inclusive o Banrisul).
Só acho que a culpa dessa "MERDA" toda, não é do servidor público é do povo gaúcho, que sempre escolhe mal s seus governantes.

Anônimo disse...

"NADA COMO UM DIA DEPOIS DO OUTRO"

Um PMDBista no Governo sofrendo as consequências da maior criação de seu partido, a CF/1988.

Pois é, Sartori, apoiastes a dita "Constituição Cidadã", não sei se fostes constituinte, agora chora os efeitos dela!

Anônimo disse...

Kkkkkk, tbem acho que a maioria além de vadio e ineficiente...

Anônimo disse...

E sabe porque este mimimi todo, só porque não podem ser demitidos, vamos acabar com isso..

Anônimo disse...

MAIS UMA DEMAGOGIA DO PMDB...reajusta salarial para si de 50%..não comparece à assembléia legislativa...cobra trabalho de concursado e além generaliza que a maioria é vadio...
A maioria dos deputados gaúchos também é incompetente...fiscalizou mal as contas públicas ...
a diferença é que os “vadios“ da educação e segurança ..ganham 10% que ganham os vadios da Assembléia Legislativa.

Anônimo disse...

QUEM É ESTE DEPUTADO PARA CHAMAR FUNCIONÁRIOS DE VADIOS, QUANDO ELE É UM TREMENDO CORRUPTO. E SÓ CONTINUA NA ASSEMBLEIA POR DOIS MOTIVOS: CORPORATIVISMO E O SEU COMPORTAMENTO É BEM PARECIDO COM VÁRIOS DE SEUS PARES.

MELHOR SER VADIO DO QUE CORRUPTO.

VEJAM A NOTÍCIA PUBLICADA EM JULHO NA IMPRENSA GAÚCHA:



Assembleia Legislativa08/07/2015 | 16h02


Assessora de deputado em Carlos Barbosa ficava em casa durante o expediente
Alguns colegas de gabinete não sabiam que ela estava a serviço do parlamentar



Durante quase um ano, uma assessora do líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa teve passe livre para ficar em casa no horário de expediente ou nem mesmo comparecer no gabinete parlamentar em Porto Alegre para marcar presença.




Depois de ser procurada pela reportagem, a universitária Milena Darsie Baldasso, 19 anos, contratada como CC para assessorar o deputado estadual Álvaro Boessio (PMDB), fixou moradia em Porto Alegre e cumpre expediente.

Leia também: "O horário dela é livre", diz deputado sobre assessora de Carlos Barbosa que ficava em casa.

Desde maio de 2014, a jovem exerce o cargo de assessora nível 1 em Porto Alegre e em Carlos Barbosa, segunda cidade onde o parlamentar mais ganhou votos na última eleição. Boessio obteve mais votos em sua terra natal, Farroupilha.

Apesar de a CC estar há um ano a serviço do deputado, até 20 dias atrás nem colegas de gabinete na Capital, nem a direção do PMDB em Carlos Barbosa indicaram à reportagem o nome da estudante como referência para demandas do parlamentar na cidade ou região. Pelo contrário, a sugestão foi entregar pedidos para uma vereadora da região ou encaminhar a demanda diretamente ao e-mail do gabinete. O deputado não mantém escritório em Carlos Barbosa.

Em alguns momentos, o nome da moça chegou a ser considerado desconhecido entre algumas pessoas que trabalham no gabinete de Boessio, conforme gravações de telefone obtidas nos últimos meses.

Confira áudios de algumas tentativas de contato com a CC da Assembleia

Embora nomeada CC da Assembleia, Milena encontrou tempo para trabalhar durante cerca de 30 dias em uma loja de Barbosa, no final do ano passado. De fevereiro a junho deste ano, dedicou três dias por semana para estudar em São Leopoldo, em turnos diferentes da manhã, tarde ou noite.

Em dias da semana, sem aula, durante o horário de funcionamento da Assembleia, a jovem postou em redes sociais que estava em casa.

No período, jamais mencionou qualquer atividade ou serviço prestado ao deputado farroupilhense. Pelo contrário, Milena ressaltava o ócio aos seguidores na internet. Os comentários dela citavam planos de ficar debaixo das cobertas e dormir em pleno horário de expediente.

A própria estudante admitiu o descompromisso com a função de assessora de Boessio e nem se reconhecia como tal. Numa mensagem postada no Twitter em fevereiro, a jovem foi enfática para mostrar a insatisfação de ter que dedicar o tempo para os trabalhos de aula:

"Só não reclamo mais pq pelo menos eu não trabalho e posso fazer os trabalhos durante a semana", escreveu.

Milena está na Assembleia porque substituiu um familiar na função, afastado em 2014, no mandato anterior de Boessio. Anteriormente, em 2012, o mesmo cargo era ocupado por outra parente da estudante. O pai da jovem é amigo pessoal de Boessio, também já foi assessor dele e o apoiou na campanha eleitoral.

O salário para a função é R$ 2.838,72 mensais (incluindo benefícios).

Anônimo disse...

QUEM É ESTE DEPUTADO PARA CHAMAR FUNCIONÁRIOS DE VADIOS, QUANDO ELE É UM TREMENDO CORRUPTO. E SÓ CONTINUA NA ASSEMBLEIA POR DOIS MOTIVOS: CORPORATIVISMO E O SEU COMPORTAMENTO É BEM PARECIDO COM VÁRIOS DE SEUS PARES.

MELHOR SER VADIO DO QUE CORRUPTO.

VEJAM A NOTÍCIA PUBLICADA EM JULHO NA IMPRENSA GAÚCHA:



Assembleia Legislativa08/07/2015 | 16h02


Assessora de deputado em Carlos Barbosa ficava em casa durante o expediente
Alguns colegas de gabinete não sabiam que ela estava a serviço do parlamentar



Durante quase um ano, uma assessora do líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa teve passe livre para ficar em casa no horário de expediente ou nem mesmo comparecer no gabinete parlamentar em Porto Alegre para marcar presença.




Depois de ser procurada pela reportagem, a universitária Milena Darsie Baldasso, 19 anos, contratada como CC para assessorar o deputado estadual Álvaro Boessio (PMDB), fixou moradia em Porto Alegre e cumpre expediente.

Leia também: "O horário dela é livre", diz deputado sobre assessora de Carlos Barbosa que ficava em casa.

Desde maio de 2014, a jovem exerce o cargo de assessora nível 1 em Porto Alegre e em Carlos Barbosa, segunda cidade onde o parlamentar mais ganhou votos na última eleição. Boessio obteve mais votos em sua terra natal, Farroupilha.

Apesar de a CC estar há um ano a serviço do deputado, até 20 dias atrás nem colegas de gabinete na Capital, nem a direção do PMDB em Carlos Barbosa indicaram à reportagem o nome da estudante como referência para demandas do parlamentar na cidade ou região. Pelo contrário, a sugestão foi entregar pedidos para uma vereadora da região ou encaminhar a demanda diretamente ao e-mail do gabinete. O deputado não mantém escritório em Carlos Barbosa.

Em alguns momentos, o nome da moça chegou a ser considerado desconhecido entre algumas pessoas que trabalham no gabinete de Boessio, conforme gravações de telefone obtidas nos últimos meses.

Confira áudios de algumas tentativas de contato com a CC da Assembleia

Embora nomeada CC da Assembleia, Milena encontrou tempo para trabalhar durante cerca de 30 dias em uma loja de Barbosa, no final do ano passado. De fevereiro a junho deste ano, dedicou três dias por semana para estudar em São Leopoldo, em turnos diferentes da manhã, tarde ou noite.

Em dias da semana, sem aula, durante o horário de funcionamento da Assembleia, a jovem postou em redes sociais que estava em casa.

No período, jamais mencionou qualquer atividade ou serviço prestado ao deputado farroupilhense. Pelo contrário, Milena ressaltava o ócio aos seguidores na internet. Os comentários dela citavam planos de ficar debaixo das cobertas e dormir em pleno horário de expediente.

A própria estudante admitiu o descompromisso com a função de assessora de Boessio e nem se reconhecia como tal. Numa mensagem postada no Twitter em fevereiro, a jovem foi enfática para mostrar a insatisfação de ter que dedicar o tempo para os trabalhos de aula:

"Só não reclamo mais pq pelo menos eu não trabalho e posso fazer os trabalhos durante a semana", escreveu.

Milena está na Assembleia porque substituiu um familiar na função, afastado em 2014, no mandato anterior de Boessio. Anteriormente, em 2012, o mesmo cargo era ocupado por outra parente da estudante. O pai da jovem é amigo pessoal de Boessio, também já foi assessor dele e o apoiou na campanha eleitoral.

O salário para a função é R$ 2.838,72 mensais (incluindo benefícios).

Janaína Bellé Registros disse...

Querido, será que consegue se colocar no lugar do trabalhador e sobreviver com um salário humilhante de R$600,00? Pagar as despesas da sua humilde residência? Consegue alimentar a sua família? Consegue se aculturar pelo menos minimamente com parte desse salário? Troca de sandálias, vamos ver qual é o discurso conveniente...
Antes de abrir a boca, um leigo precisa, pelo menos, de leituras mínimas sobre o seu discurso.
A ignorância presenteia com prejuízos na alma, no bolso...

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