Artigo, João Ubaldo Ribeiro - A culpa não é da imprensa

- O artigo a seguir é de João Ubaldo Ribeiro, conforme publicado no Caderno 2, página D3 deste domingo.
(...)
Num aparente acesso de onipotência, decidiram que sórdidas práticas velhas, como a compra de apoio e de votos, nas mãos deles de alguma forma não apenas se justificavam, mas quase se legitimavam. Montaram um esquema cujos riscos não avaliaram e que talvez desmoronasse inevitavelmente, mesmo que não houvesse sido ruidosamente delatado - havia gente demais envolvida e buracos demais; o vazamento era sempre uma possibilidade. Não me refiro a deslizes éticos ou ações criminosas, mas a barbeiragens motivadas pelo excesso de confiança e pelo desdém pela inteligência alheia. Espertos demais, com as cabeças envoltas pelas nuvens do poder e da glória, erraram nas manobras e não por culpa da imprensa ou de ninguém, mas da própria inépcia, que redundou em ações incompetentes. O que previram, naturalmente, também se revelou errado. Em certo momento do desenrolar da história, pareceu até que o ex-presidente Lula achava que os ministros do Supremo por ele indicados eram ocupantes de cargos em comissão. Nomeados por ele deviam votar com ele, não foi para isso que os nomeou, onde já se viu uma aberração dessas? Por que não é possível demiti-los por quebra de confiança?

Em suma, alçados ao poder, ainda rodeados da aura ética e ideologicamente definida que publicamente os caracterizava, consagrados por uma votação expressiva e imersos numa onda de popularidade incontestável, os novos governantes e estrategistas avaliaram mal a situação, superestimaram a si mesmos e, paralelamente, subestimaram os obstáculos que enfrentariam. Viam-se talvez como praticantes sagazes e habilidosos de uma eficiente Realpolitik e seus planos para a obtenção da sempre lembrada governabilidade. Claro que, como disse Kennedy uma vez, a vitória tem muitos pais, mas a derrota é órfã. Ninguém entre os atingidos deve desejar ser o pai dessa grande derrota. Mas os pais são eles mesmos. Armaram um esquema cheio de si, acreditaram nos falsos indícios que às vezes entontecem os poderosos e quebraram a cara. Pois, afinal, as condenações são a demonstração de que o esquema armado para governar, em vez de sabido, era burro e que os novos generais engendraram e puseram em ação um plano gravemente equivocado e desastroso.

A culpa não é da imprensa, nem de ninguém, a não ser dos autores e agentes da estratégia. Supondo-se malandros, demonstraram-se otários. 
 
CLIQUE AQUI para ler tudo.

Artigo, Carlos Heitor Cony - Não sabiam de nada

- O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony é ordinariamente alinhado com o PT e os governos do PT, mas diante das verdades que jorram a cada dia no julgamento do Mensalão, ele não parece ter alternativa e faz críticas cada vez mais severas aos bandidos que integraram a organização criminosa. O editor trabalhou com Cony no Correio da Manhã, Rio, nos idos de 1964, quando ele alimentou a esperança de milhões de brasileiros subjugados pela ditadura militar. Seu artigo "A revolução dos carangueijos" foi marcado da época. Leia o que ele escreveu neste sábado na Folha, página E12 (o texto disponibilizado aqui é publicado sob comando do editor, mas a versão completa está no link):
(...)
Na base de "que nada sabiam", o processo foi batizado de Ação Penal 470, contrariando o deputado Miro Teixeira que, salvo engano meu, foi o primeiro a falar em mensalão, termo negado veementemente pelos já citados suspeitos.
(...)
Lembro que o argumento brandido pelos chefes que sobreviveram ao nazismo, era o mesmo: não sabiam de nada. A culpa pelo assassinato de milhões de pessoas foi atribuída a dois suicidas, Hitler e Himmler, este último o responsável historicamente pela "Solução Final" e aprovada com entusiasmo pelo seu chefe máximo. Diante da alegada negação dos piores crimes da Humanidade, inclusive do Holocausto, o juiz que presidia o julgamento fez exibir no plenário alguns documentários que até hoje nos horrorizam e frequentemente são exibidos nos cinemas e nas televisões de todo o mundo.
(...)
Mesmo assim, um dos réus principais, o todo-poderoso Göring, que depois de Hitler era o personagem mais importante daquele regime, negou a realidade das monstruosas cenas documentadas, dizendo que qualquer fotógrafo ou cinegrafista podia registrar cadáveres anônimos em diversos lugares do mundo.
(...)
Numa palavra: tal como os réus do mensalão, eles não sabiam de nada, nunca tinham ouvido falar em campos de concentração e crematórios. O próprio Hermann Göring suicidou-se em sua cela, horas antes de ser enforcado.
(...)
Somente um réu admitiu sua culpa no maior massacre da história. Foi o arquiteto oficial do regime, Albert Speer, amigo pessoal de Hitler, que escapou da forca mas foi condenado a 20 anos de prisão por ter aceito o cargo de ministro dos Armamentos, já no fim do regime.
(...)
. Mas o escândalo político-financeiro que o STF escancarou para todos nós, pode ser o primeiro sinal de que o mesmo Senhor, que abriu as torneiras para as águas do Dilúvio e providenciou o fogo para destruir Sodoma e Gomorra, decida mudar de nacionalidade e resolva ser cidadão das ilhas Papua.

CLIQUE AQUI para ler o artigo completo.

Tucano Arthur Virgilio sai com 62% dos votos válidos. Candidata lulo-petista e comunista Vanessa Grazziotin só tem 32%.

Saiu a primeira pesquisa de intenções de votos em Manaus, capital do Amazonas. Ela mostra o ex-senador Arthur Virgilio ponteando a disputa com 68% dos votos válidos, seguido da senadora Vanessa Graziottin, PCdoB, apoiada fortemente pelo PT, por Lula e pelo governo Dilma, com 32% dos votos válidos. Brancos e nulos perfazem 8% e indecisos somam 3%. A pesquisa é da empresa Perspectiva e foi registrada no TSE. A disputa em Manaus é emblemática, porque reúne de um lado o ex-líder do governo FHC de um lado, tendo por contendora a representante das forças lulo-petistas, no caso a comunista Graziottin.


Recuo da economia e o baixo crescimento do PIB estão reduzindo seu interesse pelo Brasil.

Em janeiro de 2011, quando Dilma assumiu, o investimento externo líquido em ações e títulos de dívida acumulado em 12 meses era de 1,8% do PIB, segundo cálculos da Quest Investimentos.

. Esse número foi caindo gradativamente até chegar a 0,3% do PIB em agosto de 2012. Os investimentos de estrangeiros em ações e dívida do governo e privada, entradas menos saídas, recuaram 80% de janeiro de 2001 a agosto deste ano, quando ficaram em US$ 13 bilhões no acumulados em 12 meses.


. Esses números transmitem melhor o humor dos investidores, porque são mais voláteis do que investimento estrangeiro direto e menos influenciados por uma única grande operação.

CLIQUE AQUI para ler tudo.

Marroni, PT, usa velhice para dar combate ao jovem Eduardo Leite em Pelotas

Foi agendado para as 13h deste domingo o terceiro programa de TV da atual campanha eleitoral do segundo turno de Pelotas, RS. Os dois candidatos, Fernando Marroni, PT, e Eduardo leite, PSDB, usam 10 minutos cada um, as 13h e depois as 20h30m.

. Desta vez, rádio e TV disponibilizarão os horários todos os dias, até o dia 25.

. Eduardo Leite, apoiado por forte coligação, incluindo PP, PDT e PTB (são nove Partidos), venceu o primeiro turno.

. Nos programas de estreia, sábado ao meio dia, o deputado Fernando Marroni fez uma espécie de mea culpa pela sua gestão anterior e disse que está mais experiente, tentando tirar Partido da idade, comparativamente ao jovem Eduardo Leite, 27 anos.

. A campanha de Fernando Marroni apresenta Dilma Roussef na TV. Ele também recebeu o reforço da mulher, Miriam Marroni, deputada estadual, que se licenciou da secretaria Geral do governo de Tarso para apoiar o marido. A família toda, que vive da política, está em campanha. Esta é a quinta candidatura de Marroni a prefeito. Ele só se elegeu uma vez. Em três ocasiões foi derrotado respectivamente por Fetter Júnior, o atual prefeito, que apoia Leite, e por Bernardo Souza, de quem Leite foi chefe de gabinete, e Anselmo Rodrigues, PDT, que apoia Leite. 

Lula e Haddad são confrontados em comício em SP: "Lula, renovação com o Mensalão ?:"


* Clipping www.uol.com.br

SÃO PAULO - O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram constrangidos por um protesto durante plenária com estudantes bolsistas do ProUni no auditório da Uninove, universidade particular localizada na Barra Funda, zona oeste da capital, na noite desta quinta-feira, 27.

. No momento em que Lula e Haddad sentaram no palco, um estudante levantou com um cartaz apontando incoerência entre a proposta do partido para São Paulo de eleger um "homem novo" e o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. "Lula, renovação com mensalão?", dizia o cartaz. Após gritar a frase por alguns segundos, o jovem, não identificado, foi retirado do auditório pelos presentes.

. Antes do início da palestra, cerca de dez militantes do PSOL também organizaram um protesto do lado de fora da universidade. Eles planejavam realizar um protesto dentro do auditório, mas teriam sido identificados, na entrada, por petistas e acabaram impedidos de participar do evento. Segundo militantes do PSOL, o jovem que ergueu o cartaz é um estudante da Uninove, não ligado ao partido, que pegou voluntariamente um cartaz confeccionado pelo PSOL e entrou no auditório. Um estudante de geografia da USP de 21 anos, militante do PSOL, que pediu para não ser identificado, foi ameaçado por um homem que descobriu que ele levava um cartaz escondido em uma bolsa. Esse homem, não identificado, o conduziu para fora do prédio, ameaçando-o de agressões físicas. As ameaças foram gravadas em um vídeo, ao qual a reportagem teve acesso.

. Ao final do evento, Lula disse não ter se incomodado com o protesto. 

Alba faz caminhada de sete horas até Santuário de Padre Reus para comemorar eleição em Gravataí

O prefeito recém-eleito de Gravataí Marco Alba realiza na manhã deste domingo, 14, uma caminhada de 28 quilômetros até o Santuário de Padre Reus, no bairro Cristo Rei, em São Leopoldo. Acompanhado por familiares, amigos e assessores, Alba saiu às 6h da frente do comitê da coligação Gravataí Mais Humana e Mais Moderna, na avenida Dorival Cândido de Oliveira, 2169, na parada 75, em Gravataí. Segundo o futuro prefeito, o objetivo é “agradecer pelas coisas boas que aconteceram em 2012”. O grupo estima que completará o percurso em torno de sete horas, por volta das 14h.

. O deputado do PMDB elegeu-se contra o deputado Daniel Bordignon, do PT, que durante 16 anos dominou a prefeitura de Gravataí, sede da GM no RS. Sua vitória foi a mais emblemática das disputas eleitorais entre PMDB e PT no RS. Daniel Bordignon é líder do Partido na Assembleia.

O julgamento do Mensalão permeará e influenciará os debates durante todo o segundo turno

- Durante todo o segundo turno, o julgamento do Mensalão permeará os debates eleitorais. Sua influência nos casos de confrontos do PT com outros Partidos é inegável. No RS, a quase totalidade dos adversários poupou os petistas no primeiro turno. O deputado Luciano Azevedo foi uma exceção. Em Passo Fundo, ele desequibrou a eleição no último debate, ao levantar as ligações do candidato do PT com o Partido do Mensalão - e venceu. Em SP, Serra melhorou de posição quando fez o mesmo.

* Clipping O Globo, Carolina Brígido
O processo do mensalão vai entrar na reta final com o julgamento da última parte da acusação previsto para as vésperas do segundo turno das eleições municipais. Brasileiros de 50 cidades voltarão às urnas no dia 28 deste mês. Na semana que antecede o pleito municipal, o Supremo Tribunal Federal vai decidir se o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e os principais pagadores de propina formavam uma quadrilha.
. Até agora, a Corte referendou a maior parte da denúncia do Ministério Público Federal e, com isso, derrubou mitos criados ao longo dos últimos anos — o principal deles, o de que não haveria provas para condenar integrantes da cúpula do governo Lula e do PT.
. O primeiro turno ocorreu no auge do julgamento, quando o tribunal já havia sinalizado a condenação de Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares por corrupção. Na semana seguinte ao primeiro turno, as condenações se consumaram.
Para o cientista político Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília (UnB), o julgamento tem poderes para influenciar o comportamento do eleitor em prejuízo do PT:
— Tem um impacto. Que este impacto existe, é inegável. A TV está mostrando o julgamento.
CLIQUE AQUI para ler tudo.

Serra responde ao candidato do PT: "Não troco meu vice por seis Haddads"

* Clipping www.terra.com.br , material de Marina Novaes

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, defendeu seu vice, o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider (PSD), da acusação de que ele estaria sendo investigado por improbidade administrativa, e afirmou que não trocaria Schneider "por seis Haddad". Em visita a um shopping na zona sul da capital paulista, neste sábado, o tucano rebateu o adversário do PT, Fernando Haddad, que mais cedo citou Schneider como um dos secretários investigados por suspeita de irregularidade durante a gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

. O candidato do PSDB também lembrou os problemas ocorridos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2009, quando ocorreu o vazamento da prova, para afirmar que o adversário "desmoralizou" o exame em sua gestão como ministro da Educação.

. "O Fernando Haddad fica a cada dia mais parecido com o Zé Dirceu (ex-ministro da Casa Civil na gestão do governo Lula). Está agora no meio de um escândalo que envolveu o Enem. A gente sabe que na gestão do Fernando Haddad o Enem foi desmoralizado. Ele não conseguiu fazer esse exame direito. Mais ainda, as empresas que ganharam a concorrência para fazer a segurança do Enem fraudaram. Tem uma dupla sertaneja de Minas Gerais que apareceu como laranja para ganhar a concorrência. Ele está no meio de um grande escândalo. Então o que ele faz? Em vez de se defender, em vez de mostrar que é inocente, ele ataca. É o padrão Zé Dirceu. Eu não troco um Schneider por seis Fernando Haddad em matéria de honestidade e de competência", declarou, em entrevista após o corpo-a-corpo com eleitores.

CLIQUE AQUI para ler Mensalão, política e eleição, de Gaudêncio Torquato, Estadão, página A2 deste domingo.