Dagoberto Lima Godoy é escritor, advogado e engenheiro, também ex-presidente da Fiergs.
Levantamento da Confederação Nacional do Comércio estimou que já em 2024 o varejo deixou de faturar R$ 103 bilhões em 2024 em razão do deslocamento de recursos das famílias para as apostas online. Trata-se de dinheiro que antes circularia no comércio, nos serviços, na alimentação, no vestuário, no lazer familiar e nas pequenas despesas do cotidiano, mas que passou a migrar para plataformas digitais de aposta.
Esse movimento coincide com um quadro grave de endividamento das famílias. Em março de 2026, pesquisas da mesma CNC indicavam que cerca de quatro em cada cinco famílias brasileiras estavam endividadas, com índice de 80,4%, patamar apontado como recorde. Não se pode atribuir toda essa crise às apostas, evidentemente; juros altos, perda de renda, crédito caro e inflação acumulada também pesam. Mas seria ingenuidade ignorar que as bets passaram a disputar, de modo agressivo, a renda disponível de famílias já financeiramente fragilizadas.
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