A RBS é a primeira das 12
grandes empresas na mira da Operação Zelotes, acusadas de subornar conselheiros
da Receita e só agora, três dias depois do vazamento das primeiras informações, começou a reagir.
O neto do fundador e presidente do grupo,
Duda Sirotsky disse, na primeira versão, que não sabia de nada; agora
terceirizou a responsabilidade, passando o problema para um escritório contratado para resolver pendências com o fisco.
A RBS está na mira da Operação Zelotes, acusadas de subornar
conselheiros da Receita Federal.
Nos primeiros dias, o grupo tentou manter uma posição olímpica em relação às acusações, não deixando sequer de noticiar os acontecimentos, mas sempre em cima de reportagens anteriores dos jornais Folha e Estadão. Esconder o jogo seria pior. Os jornais, rádios e TVs que disputam mercado com a RBS em SC e RS, tratam o caso com extraordinário cuidado, tentando poupar o confrade. Na RBS, o clima entre os jornalistas é de constrangimento, mas a maioria está solidária com a empresa.
Políticos, governantes, jornalistas, empresários, publicitários, auditores, contadores, advogados, inclusive suas entidades de classe, evitam tocar no assunto com medo de represália ou por solidariedade e cautela. Nem mesmo tradicionais articulistas da cena gaúcha atrevem-se a dizer qualquer coisa.
O silêncio obsequioso é total.
Só blogs e sites tentam furar o bloqueio, que é de total autocensura.
A PF deixou vazar o envolvimento da empresa na mega fraude fiscal descoberta esta semana. A RBS
devia R$ 672 milhões.
Quando a Operação Zelotes foi deflagrada, a empresa
publicou em seu site, no dia 28 de março: "A RBS desconhece a investigação
e nega qualquer irregularidade em suas relações com a Receita Federal".
Agora o grupo muda a versão e adota uma nova posição oficial perante as fraudes
que somam R$ 19 bilhões, de acordo com as investigações da PF. Agora, o neto do fundador e presidente do grupo, Duda Sirotsky, afirmou para seus
colegas de profissão em Florianópolis que "a Receita Federal deve estar
falando de uma operação que fizemos com a Telefonica", supostamente em
2011 - a RBS e a empresa de telefonia espanhola foram associadas.
Duda deu a seguinte explicação aos seus subordinados:
"Nós apenas contratamos, inadvertidamente, um dos escritórios de advocacia
hoje identificado como sendo de lobistas que subornavam conselheiros do
CARF". A contratação teria dado margem às acusações contra a RBS.