A que interesses ocultos responde a decisão do governo federal de não investir mais na extensão da pista do Salgado Filho ? As melhores respostas correm por conta de falta de dinheiro federal, sujeição aos interesses da indústria da construção civil, pressa na privatização do aeroporto e criação de argumentos para o novo aeroporto 20 de setembro. O Salgado Filho é o terceiro maior aeroporto de viagens aéreas internacionais e no ano passado movimentou 10 milhões de passageiros, além de 35 mil toneladas de cargas.
O que mais impressionou na reunião de ontem do ministro
Eliseu Padilha com o prefeito José Fortunati nem foi a declaração do ministro
de que o governo federal não completará as obras de ampliação do aeroporto
Salgado Filho em mais um quilômetro, mas a passividade e conformismo do prefeito,
que aceitou tudo como se fosse a coisa mais natural do mundo, quando o caso é de
gravidade enorme para Porto Alegre e para o Estado, prejudicando seus interesses logísticos mais
vitais.
. A decisão do governo federal é inaceitável.
. Na reunião, aliás, faltou a presença de representante do governo estadual, até mais interessado do que Porto Alegre no caso.
. Prefeitura, governos federal e estadual são parceiros nas obras de ampliação do Salgado Filho, sobretudo no caso da extensão da pista.
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. O ministro Padilha partiu da premissa errada de que a
ampliação da pista não é necessária porque no ano passado só saíram 35 mil
toneladas de carga pelo aeroporto, o que corresponde a 54% da sua capacidade
atual. É exatamente o contrário, porque a pista atual não permite pousos e
decolagens de aviões de grande porte, o que faz com que todos os anos o Estado
perca US$ 3,3 bilhões em cargas aéreas.
. São 100 toneladas de cargas de produtos de empresas
gaúchas que semanalmente entopem as rodovias com cargas aéreas destinadas a
Guarulhos e Viracopos, sem considerar o que desembarca nos dois aeroportos e
seguem por estrada até o RS.
. Carga não é a úncia razão para a extensão da pista, como se percebe pelos aviões sucateados que a American manda para o RS por falta de condições de pouso e decolagem.