Palácio do Planalto sinaliza com sanção sem vetos da Lei
do Motorista, congelamento do preço do diesel por meio ano e prorrogação de financiamentos do BNDES, mas não cede nos fretes, diesel, PIS/Cofins, Cide e pedágios. As medidas foram consideradas
insuficientes, muito embora sejam importantes a médio e longo prazo. Neste aspecto, o governo não se emenda. Passou quatro anos segurando
artificialmente preços e deu no que deu. Agora, no desespero, volta a tirar da
cartola a fórmula barata – e ineficaz – do populismo, mas não resolve o problema da mão para a boca, que é a defasagem entre os valores dos fretes atuais e os custos atuais para rodar, com ênfase para diesel e pedágios.
O governo iniciou nesta quarta-feira com enorme atraso e lentidão as negociações
para chegar num acordo com os caminhoneiros, que promovem paralisações em
diversas rodovias brasileiras. Apesar do início de um diálogo com a categoria,
pouco se avançou na pauta de reivindicações dos trabalhadores. O Palácio do
Planalto ofereceu a sanção integral da nova Lei do Motorista (PL 4246/2012), de
autoria do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), e a prorrogação dos
financiamentos contratados junto ao BNDES. “São medidas importantes, mas
consideradas insuficientes, por não atacarem o alto custo do transporte”, disse o próprio Goergen ao editor.
Durante entrevista concedida na Bahia, a presidente Dilma
Rousseff descartou baixar o preço do óleo diesel. Para Jerônimo, o
governo deveria suspender a cobrança da CIDE e do PIS/Cofins. “Isso
representaria R$ 0,22 a menos no preço do combustível. Este valor não está sendo
usado para salvar a Petrobras. É um recurso que cai diretamente no caixa da
União”, destacou Jerônimo. Ele disse ainda que o Palácio do Planalto não tem
solução para o baixo preço do frete, outro item prioritário para os
caminhoneiros.
A manifestação dos caminhoneiros nas rodovias foi tema de
reuniões paralelas em pelo menos três ministérios. As tratativas foram
discutidas nas pastas dos Transportes, Agricultura e Secretaria-Geral da
Presidência da República. A paralisação dos caminhoneiros já atingiu 12
estados. São eles: PA, CE, BA, ES, SP, GO, MG, MS, MT, PR, RS e SC. A greve
chegou ao sétimo dia e provoca reflexos negativos na economia brasileira.
Coordenador Institucional da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Jerônimo
considera que o governo brasileiro subestimou a força do transportador logo no
início das manifestações e agora deve arcar com as consequências da demora de
sua atuação. "Infelizmente falta habilidade a nossa presidente em lidar
com o atual cenário brasileiro", finalizou.


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