TSE aprova registro do Partido de Marina, a Rede

O TSE aprovou o registro da Rede, o Partido de Marina Silva.

Assembleia aprova por 27 x 26 aumento do ICMS para telecomunicações, TV a Cabo e bebidas

O governo do Estado conseguiu sua principal vitória na Assembleia Legislativa nesta terça-feira. Por 27 votos a 26, o parlamento estadual aprovou a primeira parte do reajuste no ICMS dentro do programa chamado Ampara/RS. O projeto cria o Fundo de Proteção e Amparo Social do RS para utilização dos recursos extras arrecadados.

Com a aprovação, os índices do imposto sobem de 25% para 27% em operações internas com cerveja; de 18% para 20% em operações com refrigerantes. Também foram afetados os serviços de comunicação; de 25% para 30%, na alíquota básica do ICMS.


Ainda devem ser apreciados, na sessão desta terça, outra parte do pacote de reajuste de impostos e o projeto que eleva o limite de uso dos depósitos judiciais de 85% para 95%; o texto do Judiciário que baixa o volume de juros a ser pago por esses saques.

Vitória por 34 x 18 no projeto do IPVA, é preview da votação do novo ICMS

A aprovação do projeto que altera o calendário de pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e reduz o desconto para o bom motorista, esta noite, é prévia importante para a decisão da principal proposta do ajuste fiscal e reforma do Estado, o novo ICMS, o que ocorrerá esta noite.

O projeto do IPVA foi aprovado pela Assembleia Legislativa, pelo placar de 34 votos favoráveis e 18 contrários.

Mantida esta diferença, a vitória de Sartori será bem maior do que se esperava. 

Venina diz na CPI da Petrobrás que o petista Gabrielli também é corrupto

A ex-gerente executiva da área de Abastecimento da Petrobras Venina Velosa da Fonseca repetiu, em depoimento à CPI da Petrobras, denúncias de que a direção da estatal sabia de irregularidades em contratos e acusou o ex-presidente da empresa José Sérgio Gabrielli de conivente.

Venina foi acusada, por uma investigação interna, de responsabilidade em quatro irregularidades. 

Ela negou que o ex-presidente Lula tivesse conhecimento da corrupção na Petrobras

PSB vai para a oposição e também adere ao impeachment imediato de Dilma Roussef

Encontro da bancada do PSB realizado nesta terça-feira, que contou com a presença dos governadores Rodrigo Rollemberg, do Distrito Federal, Paulo Câmara, de Pernambuco, e Ricardo Coutinho, da Paraíba, anunciou a nova posição do partido: em vez de manter independência em relação ao governo da presidente Dilma, o PSB agora é oposição.

O ex-deputado gaúcho Beto Albuquerque estava na mesa dos trabalhos, conforme foto ao lado. 

 “Entendemos que é um governo moribundo, temos que encontrar um meio de o país não sangrar por muito tempo”, disse o presidente da legenda, Carlos Siqueira.

Mais do que isso, o PSB também anunciou apoio ao impeachment contra a presidente>]

- Há uma tendência bastante forte de que se o impeachment chegar ao plenário da Câmara ele será aprovado também pela nossa bancada.

Supremo autoriza inquérito contra ministro da Casa Civil de Dilma, Aloisio Mercadante

Resta saber se os líderes do PT no Congresso e os dirigentes do Partido, a exemplo do que fizeram com Eduardo Cunha, mais seus aliados do PSOL e do PCdoB, também assinarão abaixo assinado para pedir o afastamento imediato do ministro de Dilma.- 

A reportagem a seguir é do site www.veja.com.br desta noite:

O governo Dilma Rousseff tem a partir de hoje um ministro investigado formalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta terça-feira, o ministro Celso de Mello autorizou a abertura de inquérito contra o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. O decano da Corte também liberou a investigação contra o senador de oposição Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Os dois são alvo de inquérito por suspeitas de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Os pedidos de inquérito foram feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em consequência do depoimento prestado pelo dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, o chefe do chamado Clube do Bilhão. Para Janot, a riqueza de detalhes do empreiteiro na descrição do caixa dois utilizado pela UTC para abastecer campanhas políticas indicam que, se os dois políticos não atuaram diretamente na arrecadação dos recursos ilegais, pelo menos "assentiram na solicitação por intermédio de seus representantes de campanhas. Em acordo de delação premiada, o empresário disse que repassou dinheiro de caixa dois para as campanhas de Mercadante e Aloysio nas eleições de 2010. Na versão de Pessoa, Mercadante estava presente em uma reunião em que foi discutido o repasse, via caixa dois, de 250.000 reais para a campanha dele - naquele ano, o petista disputou o governo de São Paulo. Os dois negam as denúncias.
O caso foi distribuído ao ministro Celso de Mello, e não ao relator da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki, porque as denúncias não têm conexão direta com o propinoduto da Petrobras.
Em nota, o senador tucano afirmou que "a investigação é bem-vinda para afastar qualquer dúvida quanto à correção da prestação de contas da campanha de 2010 que, aliás, já foram aprovadas pela Justiça Eleitoral".

Além de autorizar a aberura de inquérito, o ministro Celso de Mello também determinou o desmembramento e envio para a primeira instância das investigações em relação a outras autoridades citadas pelo delator Ricardo Pessoa, como a ex-tesoureiro das campanhas de 2006 e 2010 do PT, José de Fillipi Junior, e ex-deputado e mensaleiro Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e o ex-senador e ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB).

Fator Dilma: dólar fecha a R$ 4,05, maior cotação desde o início do real

A desconfiança em relação ao governo Dilma Roussef, PT, contamina e derrete o real, que perde valor a olhos vistos.

A cotação de hoje jamais foi alcançada antes, desde o governo Itamar, quando foi lançada a nova moeda, o real.

STF a um passo de melar a Operação Lava Jato. Saiba o que acontece na obscuridade do Supremo.

Desde as 17h o editor tenta confirmar a informação que vai abaixo, mas não conseguiu nada com a assessoria de imprensa do STF. O editor também conversou com deputados federais conhecidos para tentar saber algo, mas Darcísio Perondi, PMDB, está em missão na Suiça, e Jerônimo Gorgen, PP, estava conversando com o presidente do TCU a respeito do pedido de auditoria na dívida do governo do RS com a União.

A nota a seguir é do blog O Antagonista.

Ela tem tudo a ver com decisão anterior do ministro Teori Zavascki e advertência, ontem, do MPF do Paraná, segundo a qual o fatiamento da Lava Jato visa tirar o caso das mãos do juiz Sérgio Moro, do MPF e da PF do Paraná.

Leia a nota do blog:

Antagonista informa em primeira mão que a votação pelo fatiamento da Lava Jato teve apoio quase unânime na segunda turma. Dias Tóffoli, como era de se esperar, votou pelo desmembramento do caso de Gleisi Hoffmann (Pixuleco II) com envio dos autos para São Paulo.

Teori Zavascki e Carmen Lúcia se posicionaram a favor. Gilmar Mendes pediu vista, alegando que os crimes, embora distintos, foram cometidos pela mesma organização criminosa.

Diante do impasse, Carmen pediu que o caso vá a plenário. Agora o fatiamento da Lava Jato será discutido aos olhos da sociedade, mas a tendência dos ministros é perigosamente favorável à tese da redistribuição.


Será que o resto da imprensa vai cobrir o assunto?

Deputado André Vargas, o corrupto petista que tentou humilhar Joaquim Barbosa, acaba de tomar 14 anos de cadeia

Nas redes sociais, a tentativa do corrupto líder do PT, que quis constranger Barbosa, mereceu registro bem humorado. - 


Este tipo desprezível, deputado cassado do PT, prestigiadissimo pelo Partido, a ponto de ser guindado a vice-presidência da Câmara, foi condenado a 14 anos e 4 meses de prisão


É a primeira condenação do ex-vice-presidente da Câmara, considerado culpado de corrupção e lavagem. Na mesma ação, também foram sentenciados seu irmão Leon e o publicitário Ricardo Hoffmann.

Corrupto e corruptor 

Esta é a primeira condenação do ex-deputado, cassado por suas relações espúrias com o doleiro Alberto Youssef. Ele responde a outra ação penal decorrente da Operação Lava Jato e sua pena, portanto, pode ser ampliada. Ex-1º vice-presidente da Câmara dos Deputados, Vargas foi denunciado nesta ação por receber ilegalmente dinheiro em contratos de publicidade com a Caixa Econômica e com o Ministério da Saúde.
De acordo com as investigações dos procuradores que atuam na Lava Jato, o publicitário Ricardo Hoffman, ex-dirigente da agência de propaganda Borghi/Lowe pegou propina a Vargas para que a empresa fosse contratada para atuar na Caixa e na Saúde. Em troca, a agência de publicidade teria atuado para recolher dinheiro para as empresas de fachada LSI Solução e Limiar Consultoria, controladas por Vargas e por seus irmãos. Ao todo, teria sido pago cerca de 1,1 milhão de reais em propina de 2010 a 2014 às empresas do ex-petista. Depoimentos recolhidos nos inquéritos comprovam que a LSI e a Limiar não prestaram qualquer serviço e que os depósitos de propina foram feitos por solicitação da Borghi/Lowe.
Ao definir a pena para o ex-petista, o juiz Sergio Moro declarou que ele tem "culpabilidade elevada" porque recebeu propina não só no exercício do mandato de deputado federal, mas também da função de 1º Vice-Presidente da Câmara dos Deputados. "A responsabilidade de um vice-presidente da Câmara é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes", disse o magistrado, que relembrou, na sentença, o gesto de afronta de Vargas ao então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. De punho em riste, o então deputado protestou, ao lado de Barbosa, contra a condenação de próceres petistas no julgamento do mensalão.
"Protestar contra o julgamento do plenário do Supremo Tribunal Federal na ação penal 470 é algo que pode e poderia ter sido feito por ele ou por qualquer um, muito embora aquela Suprema Corte tenha agido com o costumeiro acerto. Entretanto, retrospectivamente, constata-se que o condenado, ao tempo do gesto, recebia concomitantemente propina em contratos públicos por intermédio da Borghi/Lowe", relatou o juiz, que continuou: "O gesto de protesto não passa de hipocrisia e mostra-se retrospectivamente revelador de uma personalidade não só permeável ao crime, mas também desrespeitosa às instituições da Justiça".

Dilma acaba de enviar ao Congresso a PEC que recria a CPMF, o Imposto sobre o Cheque

O governo Dilma acaba de enviar um pacote de aumento de impostos, inclusive a CPMF, mais medidas de ajuste fiscal. O envio da mensagem à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal foi publicado em edição extra do "Diário Oficial da União" e inclui a recriação da CPMF por meio de uma PEC (proposta de emenda constitucional). O governo prevê arrecadar R$ 32 bilhões por ano.

Outra PEC acaba com o chamado abono de permanência de servidores aposentados, que pode ter impacto de R$ 1,2 bilhão sobre os gastos. Há ainda um projeto de lei que disciplina o teto de remuneração do setor público, medida com impacto estimado em R$ 800 milhões.

Também foi publicada medida provisória que altera o Imposto de Renda sobre ganhos de capital. Atualmente, a tributação é de 15%. Agora, ela será gradativa, entre 15% e 30%.

Não foram enviadas as mudanças no Sistema S, que afeta a indústria. O governo federal pretende usar parte da contribuição recolhida das empresas e repassada hoje a essas entidades para cobrir o rombo da Previdência Social.
Também ficaram de fora as mudanças propostas em relação ao Minha Casa Minha Vida e às emendas parlamentares.

Diretor executivo da SIM2 chega em Porto Alegre nesta quinta.

Quem chega em Porto Alegre nesta quinta feira dia 24 é Massimo Zecchin, diretor executivo da SIM2 Multimídia. Com sede em Pordenone na Itália a SIM2 é um dos principais fabricantes de projetores para Home Theater e cinemas digitais com tecnologia LED e DLP e líder no fornecimento de soluções profissionais de nível hi-end para o mercado varejista, de grandes ambientes corporativos. 

Também conhecida como a única marca de projetores que não são fabricados na China, no decorrer de sua história a SIM2 conquistou uma invejável reputação por atender às demandas da indústria por novas tecnologias emergentes, oferecendo alta qualidade, design inovador e soluções eficazes, confiáveis e intuitivas, para atender às exigências de seus clientes em qualquer tipo de aplicação. As políticas de marketing da SIM 2 são orientadas para o mercado mundial com uma presença direta na Itália (matriz), Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos. 

Sua seleta distribuição em mais de 45 países é realizada através de parcerias com revenderes altamente qualificados, todos oferecendo excelentes padrões de suporte ao cliente proporcionados pela própria matriz da SIM2. Massimo visita sua revenda no Estado, a Smartb, empresa de tecnologia residencial que faz parte do seleto grupo de revebndas SIM2 em todo o Brasil. 

Mais detalhes sobre a SIM2 no site www.smartb.com.br - PUBLICIDADE


Sartori fecha acordo com PDT e sela vitória do novo ICMS na Assembléia

As 15h32min a sessão já tinha começado, examinando três projetos antes do novo ICMS. 19 projetos estão aptos a decisões. - 

O governo acaba de fechar acordo com a bancada do PDT e com isto a proposta do novo ICMS não implicará mais em vigência do aumento por tempo indeterminado, mas por três anos, o período de mandato do governador Ivo Sartori.

O acordo permitirá que os oito deputados trabalhistas votem com o governo. São oito deputados.

Com o apoio da bancada do PDT, Sartori obtém maioria para aprovar sua proposta, que precisa de maioria simples do total de deputados presentes na sessão desta tarde.

A partir de janeiro, o Piratini contará com mais R$ 2,8 bilhões anuais ao total da sua receita.

O novo ICMS terá alíquotas equivalentes ao leque que já vigora na maioria dos outros Estados.

Câmara dirá nesta quinta como será o rito de tramitação do pedido de impeachment contra Dilma

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, anunciou há pouco que na quinta-feira vai ler a resposta à questão de ordem apresentada pela oposição, no último dia 15, sobre o rito de tramitação de um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Cunha recebeu o estudo prévio da assessoria jurídica da Casa, nessa segunda-feira, mas pediu ajustes e correções no parecer, que vai servir de base para que ele defina, oficialmente, sobre a tramitação de um eventual pedido de impeachment da presidente da República, apontando as regras sobre requisitos para aceitação, recursos, prazos, emendas e rito de tramitação."Trouxeram um esboço, mas ficaram de corrigir até amanhã", disse.

Segundo Cunha, o tempo será suficiente para que, antes de ler em plenário, distribua cópias para todos os parlamentares que quiserem acesso ao documento. "É melhor, para que ninguém seja pego de surpresa", afirmou. O peemedebista já havia dito que só decidiria quando estivesse "seguro" sobre a questão.

Desta decisão, depende ainda o posicionamento que Cunha adotará diante do pedido assinado e protocolado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale, e alguns movimentos sociais críticos do atual governo.

Venina da Fonsêca fala, agora, na CPI da Petrobrás

De Brasília, via WhatsApp

Começou há pouco na CPI da Câmara o depoimento de Venina da Fonseca, ex-gerente executiva da Petrobrás. Ao fundo, na mesa, Venina. Em primeiro plano, o deputado gaúcho Onyx Lorenzoni, de volta à CPI, depois de recuperado, preparando-se para falar.

A seguir, recupere informações de Venina do dia 4 de fevereiro deste ano ao Bom Dia Brasil, Rede Globo, que mostra a enorme importância do depoimento da ex-gerente:

Venina Velosa diz que Petrobras foi avisada que empreiteiras faziam cartel
Ex-gerente da Petrobras foi uma das testemunhas que falaram à Justiça. Nesta quarta-feira, mais cinco pessoas depõem na Operação Lava Jato.

Nesta quarta-feira(04) tem mais cinco depoimentos de testemunhas de acusação na Operação Lava Jato, que investiga as denúncias de corrupção na Petrobras.
As cinco pessoas que vão falar nesta quarta-feira (04) já foram ouvidas nos outros dois dias.  Como a contadora do doleiro Alberto Youssef Meire Poza. Ela falou nesta terça-feira (03) no processo que envolve a construtora Engevix. Nesta quarta-feira (04), o processo é contra a construtora OAS. São nove réus nesse processo, incluindo o presidente da empreiteira, José Aldemar Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro. Todos são acusados de crimes como corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documento falso.
Nesta terça-feira (03), entre as testemunhas que falaram à Justiça Federal estava a ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca. Ela disse que a Petrobras sabia que as empreiteiras estavam em cartel.
A ex-gerente da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, contou no depoimento à Justiça Federal como funcionavam as licitações da Petrobras e disse que o então diretor de serviços Renato Duque assumiu parte da fiscalização das obras da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco. A construção da refinaria teve o custo elevado de R$ 2 bilhões para R$ 18 bilhões segundo o Tribunal de Contas da União.
“O diretor da área de serviços, o diretor Duque, tomou para ele a questão do cronograma e da execução ficando para a área de negócios realmente a questão do acompanhamento orçamentário”, disse no Venina Velosa no depoimento.
A ex-gerente disse também que em 2009 um gerente jurídico da estatal alertou um superior dele sobre a escalada de preços em Abreu e Lima. Segundo Venina, o gerente pediu que os aditivos fossem fetos de forma mais clara e organizada. “Os pedidos vinham de forma confusa e ficava difícil analisar”, afirma a ex-gerente da Petrobras.
Ela afirmou que o alerta foi desconsiderado. Segundo Venina, o gerente jurídico também tinha provas da existência de cartel em obras da Petrobras.
Procurador: Essa documentação que ele reuniu seria cartel nas obras de refinaria?
Venina: Era. Ele tinha um conjunto de documentos que levavam a isso.
Outras quatro pessoas foram ouvidas nesta terça-feira (03) como testemunhas de acusação no processo relacionado à Engevix, uma das seis empreiteiras investigadas na sétima fase da Operação Lava Jato. Meire Poza, a contadora de Alberto Youssef, confirmou que as empresas dele eram usadas para lavar dinheiro.
Meire Pozza disse que nas contas da GFD, uma das empresas de Youssef, entrou dinheiro das empreiteiras. E que notas frias foram emitidas para justificar as transferências bancárias. No caso da Engevix, R$ 2 milhões.
“De fato, o tipo de serviços que foram descritos nas notas emitidas para as empreiteiras não foram prestados”, diz Meire Pozza.
Três executivos e um ex-diretor da Engevix são réus no processo, acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos. Eles também são acusados de corrupção, por pagar propina a Paulo Roberto Costa e a Renato Duque, ex-diretores da Petrobras.
O advogado dos empresários nega o envolvimento deles em irregularidades. “Está cada vez mais comprovado que eles não tinham nenhum vínculo com os fatos que estão sendo apurados nessa ação penal”, defende o advogado da Engevix Fábio Tofic.
Os depoimentos não são sigilosos, mas são feitos em uma sala fechada, sem acesso da imprensa. Nas audiências de segunda-feira (02), o executivo Augusto Mendonça, da Toyo Setal, confirmou informações do acordo de delação premiada que fez com a Justiça. Ele disse que parte da propina combinada com o ex-diretor Renato Duque foi paga através de doação de campanha, a pedido do próprio Duque. Segundo Augusto Mendonça, os pagamentos aconteceram em 2008 e 2011.
Augusto Mendonça: Uma época o diretor Duque me pediu que fizesse algumas contribuições oficiais ao PT e eu as fiz.
Figueredo Basto: Mas isso decorrente do pagamento de propina?
Augusto Mendonça: Decorrente da comissão que eu havia combinado com ele.
O PT disse que todas as doações ao partido foram feitas dentro da lei e declaradas à Justiça Eleitoral.
O consultor da Toyo Setal Julio Camargo, que também fez acordo de delação premiada, disse que a empresa pagou R$ 12 milhões de propina a Renato Duque e ao ex-gerente de serviços da Petrobras Pedro Barusco. Barusco também fez acordo de delação e já aceitou devolver R$ 250 milhões desviados da estatal.
Julio Camargo afirmou no depoimento que a corrupção na Petrobras era institucionalizada. “Chegou um determinado momento que essa conversa não era mais necessária, era a regra do jogo”, afirmou em depoimento.

A advogada de Pedro Barusco disse que não pode se manifestar por conta do sigilo do acordo de delação premiada. O advogado do ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, não retornou as ligações. Sobre o alerta citado por Venina da Fonseca no depoimento, a Petrobras não quis se pronunciar.

Freire no InfoMoney: "Se votarmos o impeachment de Dilma, governo que vier é responsabilidade nossa"

Uma das vozes no coro pró-impeachment, Roberto Freire está otimista com uma possível gestão Michel Temer e diz que a missão de garantir a governabilidade seria responsabilidade de todos que derrubaram Dilma

Por Marcos Mortari  

SÃO PAULO - De umas semanas para cá, as conversas nos corredores de Brasília sobre um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff se intensificaram e as tensões políticas cresceram ainda mais na capital Federal. O ingresso de um dos fundadores do PT, Hélio Bicudo, no grupo dos que desejam ver a sucessora de Lula fora do Planalto engrossou o tom dos opositores, que avaliam que a saída presidencial talvez seja questão de tempo. Sem apoio para governar, Dilma sofre de um isolamento político e luta para se manter no cargo ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade de um ajuste que não consegue implementar.

Uma das vozes ativas nesse coro e com larga experiência de atuação no Legislativo, o deputado federal e presidente nacional do PPS Roberto Freire (SP) tem um ponto de vista mais otimista com um possível governo comandado pelo vice Michel Temer e diz que a missão de garantir a governabilidade seria uma responsabilidade de todos que votarem o impeachment de Dilma. Se votarmos o impeachment, o governo que vier é responsabilidade nossa – coisa que o PT não entendeu e era o que dizíamos a eles [na época da saída de Collor]. Não é responsabilidade nem da sociedade, que não escolheu. Nós é que temos que dar sustentação. Se não quiser assumir responsabilidade, não derrube o governo que aí está", disse durante visita à redação do InfoMoney.

Em seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados - sendo o terceiro pelo PPS -, Freire foi líder do governo Itamar Franco na casa, logo após o impeachment de Fernando Collor de Mello. Crítico das gestões de Lula e Dilma, o parlamentar culpa decisões equivocadas na política econômica e escândalos de corrupção que vieram à superfície como ingredientes de destaque para o descarrilhamento da economia brasileira nos últimos anos. Para ele, é urgente um choque de credibilidade e ajustes que reaqueçam os motores da economia para novos ciclos de crescimento com maior sustentação e a atual presidente não conta com força política para liderar tais processos. Acompanhe os melhores momentos da entrevista:

InfoMoney - O que diferencia Dilma de Collor?
Roberto Freire - De qualquer forma, ela não é um outside isolado como era Collor. Hoje, não tem mais muito quem a defenda, mas ela ainda tem alguns que não trabalham pelo impeachment. É o caso de algumas entidades como CNBB e OAB, que se envolveram pelo impeachment de Collor. Mas é um governo que começa a ter problemas graves. Os agentes econômicos estão com muito medo do que está por vir e, por isso, acabam dando certo apoio ao que está. Mas é algo muito frágil. As pessoas têm muito medo de mudança. Porém, chega um momento que é inexorável, tem que mudar. Não se governa mais. Alguém imaginar que essa Agenda Brasil é alguma coisa séria para enfrentar a crise é brincadeira.

IM - Mas ela tem conquistado uma base mínima no Senado, melhor do que a posição que tem na Câmara neste momento.
RF - Não conquistou nada. Sem saber direito o que era, você teve declarações de Lula e Dilma dizendo que era uma maravilha. Conseguiram, inclusive, a ridicularia de tirar um dos pontos, que era contra tudo que qualquer pessoa de bom senso pensava: acabar com o SUS e começar cobrar pela área de saúde no Brasil. Que brincadeira é essa? Até os Estados Unidos estão querendo sair disso e aqui queremos voltar...

IM – Também se cogitou o fim do Mercosul. O senhor que se engaja na discussão de questões de política internacional no Senado, que visão tem sobre isso?
RF – Serra é um adepto de que o Mercosul atrapalha o Brasil. Esse governo não: ao contrário. O governo usou o mercado exatamente ao inverso de qualquer coisa que ele fazia. O governo usou o Mercosul para expulsar Paraguai, para colocar Venezuela. Foi instrumento de sua política externa. É uma coisa estranha. É cabelo para náufrago.

IM - Foi pretexto para um acordo de curto prazo então?
RF - Claro. Então não vai resolver. O problema não é de acerto palaciano. Isso já não resolve mais. Dá um oxigênio, mas o ajuste fiscal proposto lá atrás pelo Levy já não vale nada, se esfarelou completamente. O governo não governa. Não há mais governo.

IM - Aproveitando seu gancho na economia: qual é a sua visão sobre o que foi feito, o que precisa ser feito e o que se deixou de fazer?
RF - As oposições, durante a campanha, apresentaram algumas alternativas. O quadro grave, mas ali já tínhamos uma demonstração de que era necessário fazer ajustes. Lembro mais uma vez Collor. Fui líder do governo Itamar. Uma das primeiras medidas que tomamos para aplicar um ajuste duríssimo foi a criação do IPMF provisoriamente. Não era contribuição para ficar no governo Federal, era um imposto que iria também ser transferido para Estados e municípios, já que a crise era geral. Veja a diferença para este governo, que quer que eles entrem pelo cano. Rio Grande do Sul que se lasque.

IM - Foi o caso na decisão de se elevar a CSLL, um imposto que vai todo para os cofres da União?
RF - Mas é claro. Esse comportamento vem de muito tempo. Já na segunda fornada de IPMF, ele não veio mais como imposto, mas contribuição na área da saúde, vinculando ao governo Federal, sem transferir para Estados e municípios. Para enfrentar a crise, um ajuste tem que ser feito. Estou mostrando algumas diferenças. Teve até um detalhe: no nosso caso, todos tiveram que pagar. Inclusive, quebramos na proposta de emenda constitucional da criação a imunidade de igrejas, sindicatos e outros.
Mas sabe quem não pagava? – na verdade pagava, mas tinha sua despesa reposta. Aposentados e pensionistas. Isso foi para mostrar a necessidade do ajuste, aliado à preocupação com Estados e municípios, aposentados e pensionistas, diferentemente desse governo que faz algo paradoxal e perverso. Com a crise de desemprego, o que ele faz? Mexe no seguro-desemprego para piorá-lo, retirando a capacidade de atendimento.
Dou outro exemplo: não tem por que um ajuste no país não tenha que ser feito no setor financeiro também. É preciso uma negociação para a dívida interna brasileira com os bancos. Não pode o Brasil continuar fazendo uma política de toda a poupança interna ser utilizada para pagar juros bancários.

IM - Seria uma espécie de auditoria?
RF - Não é bem auditoria. Como com todos os setores da economia, vamos ter que fazer uma negociação. A poupança nacional, em sua quase totalidade, é para rolar dívida de um governo que não tem um mínimo projeto para resolver seus problemas. É uma sangria que não pode continuar. Nada contra o mercado, mas o país não pode apenas viver para pagamento de juros. Seja o governo com um plano concreto de austeridade na máquina, mas ao mesmo tempo enfrentando aquilo que é fundamental. Não é tirando dinheiro de trabalhador que vai se resolver um problema que drena há muito tempo a poupança nacional.
A oposição tem que levar em consideração tudo isso. Vai ter que fazer um ajuste. A carga tributária brasileira altíssima já não aguenta mais. Não é por aí que temos que resolver. E o governo não mexe em nada em sua estrutura, continua irresponsável. Fala, mas nada de concreto é feito.

IM - Como reduzir o número de ministérios com um sistema de coalizão tão saturado e difícil de se manter uma base aliada por tanto tempo?
RF - Fui líder do governo Itamar e meu partido tinha três deputados. Não fizemos nenhum grande acordo, não foi entregue ministério a nenhum partido para fazer parte de coalizão. Se tiver um governo sério, você pode encontrar seriedade na Câmara. Costumo dizer que nenhum deputado tem chave do cofre ou caneta do Diário Oficial, não nomeia diretor de nenhuma estatal.
Conseguimos derrotar a imunidade das igrejas, mas é evidente que fomos derrotados em algumas negociatas. Como não somos parlamentaristas, podemos até perder algumas votações e continuar. Se fosse esse o modelo, poderia haver maior desconfiança – o que seria bom, até porque Dilma já estaria em há muito tempo fora.

IM - Circula em Brasília, principalmente depois que saiu a denúncia contra Eduardo Cunha, o questionamento sobre sua legitimidade para conduzir um eventual processo de impeachment. O que o senhor, que tem se posicionado de maneira favorável à saída da presidente Dilma Rousseff do cargo, pensa a respeito?
RF - O Congresso não é o poder representado por uma pessoa, diferentemente do Executivo, que, sem o presidente da República, deixa de existir, há um vazio. Todos os titulares têm suplentes. Por si só isso já mostra que é um poder que, mesmo que seja preciso cortar na pele, continua existindo e com a mesma legitimidade. Já vi presidentes sendo cassados mesmo após cassarem o presidente da República. Isso já aconteceu. Recentemente se cassou um presidente recém-eleito: Severino Cavalcanti. E o poder continuou sem nenhuma preocupação. O Congresso é que vai resolver a crise, com maior problema ou sem problema. Porque tem um ou outro denunciado, o Congresso não vai deixar de cumprir com suas atribuições.

IM - Se houvesse alguma alteração na presidência da Câmara, como alguns defendem na casa, quem o senhor acredita que largaria na frente?
RF - Depende. Quando esse momento chegar, Dilma estará na presidência? Enquanto você não for réu, não há nada que se fazer. No momento em que se transformar réu, respondendo inquérito, podemos discutir se cabe licença. Até porque pode ser absolvido mesmo assim.

IM - Qual é a posição do senhor?
RF - Não gostaria que estivesse na presidência alguém com uma espada em cima, porque isso diminui a capacidade de o poder Legislativo ter um papel mais ativo. Mas vai precisar ter, porque não há aonde ir. Ninguém quer chamar bispo, que não resolve, e general, que, quando se mete para resolver, é pior ainda. Termos que tratar com as instituições republicanas. Aquilo que é do Judiciário tem tido uma boa presença. Sérgio Moro é um exemplo disso. Pela primeira vez na República, estamos vendo príncipes da economia presos. Agora está entrando o STF, que já teve papel de relevo na questão do Mensalão e vai continuar tendo.
A sociedade percebe. Quem vota o impeachment? Alguém vai dizer que não pode haver impeachment porque há alguns parlamentares denunciados? E, se a Câmara votar e ele for condenado, ele também será cassado. Não há problema.

IM - Uma das leituras que têm surgido apontam para a possibilidade de Cunha pedir o arquivamento de um processo de impeachment defendido pela oposição, que exigiria recurso em Plenário. Com maioria simples, abrir-se-ia o processo contra a presidente na casa. O senhor acredita que esse caminho seria viável e razoável?
RF - Ter maioria simples não importa muito. Se quisermos o impeachment, temos que ter maioria qualificada.

IM - Mas abriria o processo.
RF - Mas eu não quero abrir o processo, eu quero o impeachment.

IM - O impeachment é consequência desse processo.
RF - Mas não estou preocupado se tem maioria ou minoria. É preciso ter a decisão política de se entrar com o processo de impeachment. Até porque, do ponto de vista jurídico, costumo dizer que temos uma frota de Fiat Elba da Dilma montada. O problema é político.

IM - Qual seria essa frota de Fiat Elba?
RF - Pedalada fiscal é um. Doação de recursos para campanha é outro. Presidente do Conselho da Petrobras... É preciso acabar com esse problema de que tem que ser algo durante o mandato dela. O quadro é caótico de irresponsabilidade da presidente da República. Essa ideia de que ela era honesta ficou meio diluída. Ela surgiu um pouco porque Lula é evidentemente tão mais corrupto que ela. Corrupção no governo está aí. Essa é a suprema desmoralização do Brasil.
O que não falta é isso. Claro que é preciso analisar, estudar. Mas temos que enfrentar. Senão a oposição se desmoraliza. O que veio da opinião pública brasileira é claramente a ideia de não estar aguentando esse governo, querem uma alternativa ao que aí está. E você tem também surpresas que podem vir da Lava Jato. O que vai ser do TSE quando se comprovar que recursos que vieram de propina e do exterior patrocinaram a campanha dela.

IM - Mas os mesmos grupos doam para diversos candidatos.
RF - Doar é uma coisa. Você não está vendo ninguém levantar doação de empresa a candidato. O que se está discutindo são recursos que podem ter sido legalizados, mas que a origem vem da propina. Estão levando em consideração que algumas dessas doações vieram por caminhos tortuosos. Pode até ser registrado como legal, mas não era legalizado. Vinha da propina. Ricardo Pessoa falou isso. Até lavar no TSE fizeram. Tem outras formas, como a origem do dinheiro para pagar gráficas que não existem. Não é da doação. Se isso fosse investigado, não sei quem ficaria imune.

IM - Recentemente, temos visto cada vez mais efeitos políticos sobre os movimentos das ações na Bolsa.
RF - O Brasil não pode continuar com isso. No momento em que tivermos um novo governo, teremos a continuidade das investigações da Lava Jato, mas também teremos uma gestão com capacidade de governar. Um governo como o de Dilma não tem nenhuma capacidade de discutir repatriação de recursos, por exemplo. Quem acredita que esses recursos não têm nada a ver com a roubalheira do governo dela? A opinião pública não aceita. O governo dela não tem moral nenhuma para propor nada nesse sentido. Outro governo terá essa condição. A sociedade, de imediato – eu vi isso com Itamar –, passa a levar em consideração. Com Dilma, não se leva mais nada em consideração. Ela não consegue aglutinar nenhuma pauta que possa ser chamada de bomba ou não bomba, porque é incapaz de ter a condição de ter maioria.
E ainda faz um discurso cobrando de nós como se nós fôssemos salvar o governo. Não adianta pedir para a oposição. O que a oposição tem que pedir é que eles vão embora. Chegou um momento em que não é mais aquela crise em que a oposição pode discutir o enfrentamento conjunto com capacidade de diálogo. Esse governo não merece nenhum respeito. Imagine a oposição dizer que vai ajudar Dilma. O que? Para também morrer junto? Estão cobrando demais. Não sou nenhum radical louco, não, mas é preciso, neste momento, a oposição dizer à sociedade que esse governo não pode continuar. É importante que se tenha esse momento. Senão, você não está cumprindo o papel; não está sendo responsável. Se nem o governo ela consegue controlar, é a oposição que vai resolver?

IM - O que se observa nesse momento de crise é que existe praticamente um foco maior em evitar o impeachment, se manter no governo. Há um imobilismo muito grande.
RF - Tem razão Serra: a única agenda do governo é se manter no poder. E agora é pior: como evitar o impeachment. Tudo é válido. Até se segurar nessa Agenda Brasil, que é algo evidentemente inócuo para enfrentar qualquer crise.

IM - E vai de encontro com muita coisa que ele próprio pregou inicialmente.
RF - E não é apenas contra o que o governo falou, mas contra a sociedade. O Mercosul é uma coisa impressionante, porque o PT segurou o bloco como um grande instrumento de sua política externa. Na oposição ainda havia alguma discussão, porque Serra sugere que o Mercosul é um atraso para o Brasil, nos termos que está.

IM - Também há terceirização na pauta, um assunto muito caro para o PT, levando em consideração o discurso do partido.
RF - Eu não diria que seja, porque o PT apoia qualquer coisa. O partido falava contra privatizações e fez... Ele não merece nenhum respeito mais. Mas a questão da terceirização foi algo que CUT e PT transformaram em cavalo de batalha para tentar ofuscar, naquele momento, aquelas duas medidas provisórias que eram contra os trabalhadores e eles não se opuseram – o governo conseguiu colocar goela abaixo. Foi uma boia que lançaram e eles se seguraram para poder fazer manifestação a favor da classe trabalhadora, embora de forma parcial, porque os terceirizados são trabalhadores também.

IM - Com relação a impeachment, o senhor defende Temer na presidência ou outra opção, como a realização de novas eleições?
RF - Institucionalmente, quem assume é o vice. Impeachment é crime individual, não coletivo. Constitucionalmente, o parlamento pode decretar o impeachment de um presidente. Isso é o que cabe fazer. Se não houver condições de fazê-lo, ela renuncia se quiser. Eu vou fazer pressão contra o governo, mas não dá para sair imaginando que eu tenha algo a fazer com relação a uma possível renúncia. Da mesma forma, a convocação de eleições gerais é responsabilidade do poder Judiciário. Como também não teve nenhum Tribunal de Contas para iniciarmos o impeachment contra Collor. Aquilo pode ajudar, mas não nos submetemos a TCU para fazer. Nós não temos que esperá-los. Minha posição é que temos que discutir o que podemos fazer.

IM - Temer teria condições de pegar esse abacaxi?
RF - Tem porque não é sozinho. Não vou comparar Temer a Itamar. Mas, avaliando situações, podemos dizer que um governo que surge na raiz do impeachment tem uma legitimidade dada pelas forças que o realizaram. Para fazê-lo, articula-se uma força amplamente majoritária seja na sociedade ou no parlamento, que vai governar. No momento em que houver impeachment, o novo governo não tem nada a ver com aquele que foi impedido. Ele pode até fazer uma coalizão maior e trazer alguns que defendiam o governo, mas que podem ajudar. Normalmente isso não acontece. Por exemplo: o PDT não participou muito efetivamente do impeachment de Collor. De imediato, ele foi fazer oposição ao governo Itamar.
Todas as forças que fizeram o impeachment participaram do governo, à exceção do PT que não quis. Mesmo assim Erundina foi para o ministério, mas foi embora. O partido participou, por exemplo, da reunião que tivemos com Itamar para formação de governo enquanto estavam votando no Senado o impeachment de Collor. Lula não indicou ninguém do PT, em um momento de oportunismo, imaginando que, com um fracasso do governo Itamar, seria o presidente da República. Como não houve fracasso... Pelo contrário, tirou Fernando Henrique Cardoso de certo isolamento político, que não imaginava ser candidato a nada, e, por conta do Plano Real, virou candidato e presidente da República, derrotando Lula em primeiro turno. Ele não entendeu nada. Até porque, se tivesse entrado no governo, muito provavelmente sairia uma coalizão de PT e PSDB para a presidência da República. E nós trabalhamos por isso. Teve um artigo meu e do Plínio, que na época era do PT, dizendo que, José Dirceu não saísse candidato em São Paulo e apoiasse Mário Covas, e fosse feita, em nível nacional, candidatura de Lula com PSDB entrando de vice. Não entenderam nada. Quando foram entender, foi através da carta aos banqueiros de 2002.

IM - Qual seria sua disposição como opositor em um eventual governo de Michel Temer? Haveria disposição para o diálogo?
RF - Total. Se votarmos o impeachment, o governo que vier é responsabilidade nossa – coisa que o PT não entendeu e era o que dizíamos a eles. Não é responsabilidade nem da sociedade, que não escolheu. Nós é que temos que dar sustentação. Se não quiser assumir responsabilidade, não derrube o governo que aí está. Dentro do PPS, essa discussão não passa.

IM - O Legislativo está mais forte do que nunca neste mandato?
RF - Talvez esse seja o mérito de Eduardo Cunha, embora isso já tivesse começado com o próprio Henrique Eduardo Alves. A eleição do PMDB trouxe ao Congresso, de imediato, a ruptura de uma correia de transmissão do Legislativo ao Executivo. O Legislativo vivia em função do que o Executivo determinava. Com Henrique, isso foi quebrado. Um dos episódios mais ilustrativos foi o do Código Florestal, que gerou uma polêmica muito grande na sociedade. Aquilo ocorreu porque o PMDB quis, não por causa do governo. O governo não sabia o que queria, porque sua base era totalmente dividida no assunto. Com Eduardo Cunha, isso ficou mais evidente também pela política de o governo querer derrotá-lo.

IM - Desde o ano passado, com a consolidação do blocão, quando o Cunha era líder do partido na casa, não?
RF - Sim, mas neste caso não era o PMDB como liderança, era o partido no poder. Claro que o poder tinha também essa força, mas não existia blocão, não. O que havia era um partido de vez em quando com posições mais independentes, e o governo não conseguindo ter maioria. Quando o PMDB vinha, a oposição se fortalecia um pouco. E olha que éramos muito frágeis. A representação no parlamento das oposições que veio de 2010 era talvez uma das menores de toda a história republicana. Essa agora, não. Em 2014, a oposição já ganhou mais forte e agora já é razoável, com a vinda de dois partidos que não estavam: PSC e Solidariedade. O Congresso adquiriu um poder interessante. A Câmara começou a ter um protagonismo que muitas vezes não depende só dele. Ainda bem, porque pode resolver mesmo com um presidente baleado. É o que resta.
Estamos vivendo uma crise muito grande. E não adianta o mercado pensar que isso vai ser resolvido com acordos palacianos, querendo ver a miragem em uma Agenda Brasil para enfrentar uma crise. Não vai enfrentar nada. Aquilo não é uma coisa séria. A sustentação desse acordo está datada. A qualquer momento, você pode ter uma nova crise.


Renan adia votação dos vetos de Dilma

Com receio de perder no voto, a presidente Dilma Roussef pediu e Renan Calheiros decidiu há poucos minutos adiar a votação dos vetos. O problema é que, como a sessão conjunta do Congresso já está convocada, ele terá que encontrar algum furo no regimento interno para violar o que está ali. 

Fator Dilma: nas casas de câmbio, dólar já é encontrado a R$ 4,54

Dólar turismo é mais caro do que o comercial por embutir no preço custos administrativos e financeiros; cotação da moeda já é maior do que a euro comercial.

Mercados começam a temer pela saúde dos bancos brasileiros

De Londres, via WhatsAPP, agora, 11h42min

Há boataria forte nos mercados sobre o derretimento do real e o provável rebaixamento das notas elaboradas pelas agências Fich e Moody's.

Parece que o mercado já precifica isto.

A preocupação também diz respeito com a saúde do sistema bancário brasileiro no médio prazo.

Neste momento, a aversão ao risco Brasil é total, porque não há convicção de que o ajuste fiscal emergencial passe no Congresso. O mercado vê o governo sem eixo, imobilizado, só focado em aumentar tributos.

Mercados operam em queda na Europa e EUA

De Londres, via WhatsApp, agora, 13h39min

Mesmo com a manutenção da taxa de juros do FED, as Bolsas caem forte, hoje, em função de uma sensação de que haja bolha de preços nos pregões.

A Bolsa de Londres, ao meio dia, quase no fechamento, opera em queda de 2,83%. Nos EUA, Nova Iorque, Dow Jones recua 1,57%.

O petróleo, objeto de inquietações feitas pelo editor, o que se percebe é que no mercado spot o barril vale neste momento US$ 48,08, em queda de 0,16%.


Shangai fechou em alta de 0,92% no pregão de hoje

Lonres, via WhatsApp, agora

Shangai fechou na madrugada em + 0,92%.
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