General Mourão pergunta sobre vazamento de documento sobre execuções no regime militar: "A quem interessa esse vazamento ?"

O general do Exército Antônio Hamilton Martins Mourão disse hoje para o site GaúchaZH, o impacto do memorando da CIA que aponta que o ex-presidente Ernesto Geisel autorizou a execução de opositores durante o regime militar (1964-1985).Ele evitou polemizar sobre o passado, mas analisou o documento da CIA:

O que ele disse para o repórter Humberto Trezzi:
- Tem de ver a origem disso. Sabemos que as embaixadas fazem relatos aos governos sobre o que se passa no país. Até pode ser verdadeiro. Mas é curioso que, em nenhum momento do texto, é mencionado quem estava na reunião dos generais (o presidente e os que comandavam o Centro de Inteligência do Exército - CIE). Quem passou a informação para a CIA? O Miltinho (general Milton Tavares de Souza, que estava saindo do CIE)? O Figueiredo, que se preparava para chefiar o SNI (Serviço Nacional de Informações)? Não sabemos.

Trezzi quis saberse o general não confiava no documento. O que ele disse:
- É preciso ler com reservas. Até porque o vazamento desse tipo de notícia pode ter objetivos políticos. A quem interessa vazar informações sobre envolvimento de militares em mortes, num momento assim do país? A quem interessa manchar a reputação das Forças Armadas, que segundo pesquisas são as instituições em que a população mais confia, hoje, no Brasil? Gostaria de saber por que esse documento surgiu justo agora, num momento turbulento da nação.